Depois da Tereos Internacional registrar prejuízo operacional com o segmento sucroenergético no início da safra 2015/16, os números do segundo trimestre da temporada canavieira, mostram que o grupo francês pode respirar um pouco mais aliviado
Depois da Tereos Internacional registrar prejuízo operacional com o segmento sucroenergético no início da safra 2015/16, os números do segundo trimestre da temporada canavieira (de julho a setembro), divulgados na noite de terça-feira (10), mostram que o grupo francês pode respirar um pouco mais aliviado.
No Brasil, onde controla sete usinas por meio da Guarani, a Tereos apresentou tímida recuperação operacional no segmento Álcool & Energia Brasil, como é denominado seu braço de negócios sucroenergético no mercado nacional.
Depois da Tereos Internacional registrar prejuízo operacional com o segmento sucroenergético no início da safra 2015/16, os números do segundo trimestre da temporada canavieira (de julho a setembro), divulgados na noite de terça-feira (10), mostram que o grupo francês pode respirar um pouco mais aliviado.
No Brasil, onde controla sete usinas por meio da Guarani, a Tereos apresentou tímida recuperação operacional no segmento Álcool & Energia Brasil, como é denominado seu braço de negócios sucroenergético no mercado nacional.
Os resultados trimestrais do grupo francês dão conta de um lucro operacional (Ebit) de quase R$ 3 milhões nas operações brasileiras – número que reverte prejuízo de mesmo valor registrado na safra passada. Se considerado o resultado Proforma, que inclui o desempenho integral da Usina Vertente (que passou a ser consolidada no primeiro trimestre desta safra), houve queda ante os R$ 5 milhões de Ebit, na comparação em base anual.
Já o Ebitda (sigla, em inglês, para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado pelo valor justo dos canaviais, revela um desempenho trimestral positivo em R$ 145,6 milhões. O resultado representa uma alta de 30% ante o mesmo período da safra passada. No proforma o crescimento entre períodos foi menor, de 3%.
Entre julho e setembro deste ano, a margem Ebitda ajustada foi de 26%, o que representa uma evolução de 6,5 pontos percentuais ante a margem de 19,5% registrada um ano antes.
No acumulado da safra, apesar da melhora nas margens, justificada pelo aumento de preços e contenção do custo caixa unitário, o número não foi o suficiente para recuperar o lucro operacional da companhia, que fechou o primeiro semestre da safra com prejuízo de R$ 74 milhões.
O segmento de Açúcar & Energia Brasil apresentou receita líquida de R$ 560,7 milhões no trimestre, queda de 2% frente aos R$ 573,8 no intervalo equivalente do ano passado. A companhia enfatiza a consolidação integral da Vertente a partir do trimestre anterior, destacando o impacto de R$ 43 milhões sobre a receita do trimestre em questão.
No segundo trimestre, foram investidos ainda R$ 43,2 milhões, frente aos R$ 68,1 milhões da safra anterior. Esta redução de 36% resultou, segundo a Tereos, principalmente, dos menores investimentos em ativo imobilizado, reforçando o foco em manutenção e plantio.
Recentemente, a Guarani recebeu injeção de capital da Petrobras Biocombustíveis, no valor de R$ 268, 1 milhões, resultado da aquisição de ações. Com isso, a participação do grupo francês na Guarani passou a ser de 54,1%, levemente menor. O efeito deste aporte será contabilizado no próximo resultado trimestral.
Vendas
O aumento nos preços de açúcar e etanol, que ocorre desde meados de agosto, ajudou a limitar o impacto da queda nos volumes vendidos. A menor comercialização foi determinada pela estratégia de formação de estoques, especialmente de etanol.
O valor médio do açúcar foi 11% superior na comparação em base anual, atingindo R$ 907/ton, considerando o efeito de hedging incluso. Mesmo com uma redução de 6,7% no volume vendido, em comparação com o mesmo período do ano passado, a receita resultou em R$ 368 milhões, 3,6% superior ao segundo trimestre de 2014/15.
Para a Tereos, a expectativa do primeiro déficit global de açúcar nesta safra sustentou o recente aumento nos preços, o que deve impactar o próximo resultado trimestral. O contrato de açúcar bruto com vencimento em março aumentou cerca de 45% em dólares e mais de 50% em reais desde a baixa observada na metade de agosto.
Já as vendas de etanol somaram R$ 126 milhões, queda de 10,6%. No trimestre, foram negociados 101 milhões de litros, também com decréscimo, de 12,9% no volume, e preço médio 2,7% superior, de R$ 1.248,00/m³. A expectativa da empresa é que o aumento recente no preço da gasolina e a forte demanda no mercado doméstico devem manter os preços de etanol elevados durante o próximo trimestre.
O segmento de outros produtos, que abrange a cogeração de bioeletricidade, apresentou queda de 19,8% na receita, totalizando R$ 112 milhões. Em volume, a comercialização de energia atingiu 343 GWh no segundo trimestre desse ano, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período anterior.
Para o acumulado do semestre, a companhia destaca ainda que os 545 GWh vendidos, trazem uma redução de 10% em comparação a safra anterior. A queda é consequência, principalmente, do problema na turbina da unidade Mandu no primeiro trimestre e ao menor volume de biomassa.
Desempenho agrícola e industrial
Um dos principais destaques operacionais da Tereos nesse segundo trimestre está no aumento de 2,5% na moagem trimestral, com o processamento de 8,5 milhões de toneladas, apesar do clima chuvoso de setembro que atingiu níveis 80% acima de 2014.
O resultado em grande parte, segundo a empresa, deve-se à expressiva melhora nos índices de colheita e eficiência industrial em relação ao ano anterior. No acumulado do ano, a queda de moagem do primeiro semestre ainda não foi totalmente revertida, sendo que o nível atual de 15,1 milhões de toneladas está cerca de 2,1% menor na comparação em base anual.
Segundo a companhia, o segundo trimestre de 2015/16 foi marcado pela redução no rendimento agrícola e, apesar do menor nível de chuvas na região de Rio Preto nesta safra, o índice de Açúcar Total Recuperável por hectare (ATR/ha) fecha alinhado com o registrado no resto do Centro-Sul.
A produtividade de cana atingiu 82 toneladas por hectare (tons/ha) versus os 89 no ano anterior. O ATR médio atingiu 133 quilos por tonelada (kg/ton), ante 142 kg/ton no final do semestre do ano passado.
O aumento relativo da remuneração do preço do açúcar em comparação ao etanol no trimestre resultou em um mix menos concentrado no etanol (42% versus 43%), mantendo-se estável no acumulado do ano em 43%.
Com isso, a produção de açúcar nesta safra atingiu 1,116 milhão de toneladas (redução de 7% em relação ao ano anterior), ao passo que a produção de etanol diminuiu 8%, atingindo 514 milhões de litros (base comparável incluindo 100% da Vertente).
Tereos Internacional no vermelho em R$ 119 milhões
No resultado geral do grupo, que inclui ainda os segmentos de amidos e adoçantes, além dos negócios em etanol e açúcar na Europa, África e Oceano Índico, a Tereos Internacional presentou um prejuízo líquido de R$ 119 milhões no trimestre findo em setembro, o que significa queda de 71,4% ante o lucro líquido de R$ 16 milhões registrado no mesmo período de 2014. A perda atribuível aos controladores franceses é de R$ 96 milhões.
Por outro lado, a receita líquida da Tereos cresceu 22% no trimestre encerrado em setembro, indo para R$ 2,4 bilhões, frente a R$ 1,9 bilhão do mesmo período do ano passado. O resultado é atribuído a uma série de fatores, entre eles o efeito positivo da desvalorização do Real ante ao Euro na conversão dos resultados, da consolidação da Vertente e dos melhores preços de açúcar no Brasil.
Já a despesa financeira líquida totalizou R$ 105,8 milhões, superior aos R$ 65,6 milhões registrados até o final de setembro de 2014, refletindo o impacto da desvalorização do Real frente ao Euro (-43%) e ao Dólar (-61%) sobre a dívida em moeda estrangeira.
Marina Gallucci – NovaCana

