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Tereos estima economia de R$ 25 milhões ao ano com centro de operações

Célula de controle única na usina Cruz Alta monitora transporte e colheita de todas as unidades do grupo


Globo Rural - Publicado: 14 Mar 2023 - 09:18
Tereos estima economia de R$ 25 milhões ao ano com centro de operações

Implantação do Centro de Operações Agrícolas deve ter cinco fases; intenção da Tereos é aumentar a eficiência da produção

Uma economia potencial de R$ 25 milhões por safra. Essa é a estimativa da Tereos Açucar & Energia Brasil, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país, com a criação do Centro de Operações Agroindustriais (COA) para integrar as áreas agrícola e industrial do grupo.

A empresa de origem francesa investiu R$ 5 milhões em infraestrutura e conectividade para instalar o COA na Usina Cruz Alta, em Olímpia (SP). Na primeira fase, são monitoradas operações de colheita e transporte de cana das seis unidades em produção, todas localizadas na região noroeste do estado de São Paulo.

Segundo o superintendente de operações agroindustriais Everton Carpanezi, a empresa já monitorava a frota própria e terceirizada, mas cada unidade se encarregava de sua operação. Em 2019, um projeto piloto testou a integração de três unidades e constatou redução de consumo de combustível e ganhos na padronização das operações de colheita.

“Na safra 2022, implantamos o COA para controlar todas as unidades, evoluindo no conceito C3 adotado pelo grupo: conectividade, colaboração e controle e o resultado foi muito positivo. Vimos muito ganho de sinergia nessa primeira fase, com redução de gasto de diesel, ganhos na terceirização do transporte e da colheita e até queda no número de acidentes”, disse.

O consumo de combustível por tonelada de cana colhida no primeiro ano de implantação do COA foi 11% menor e a safra foi reduzida em nove dias. Após a implantação de todas as fases do projeto, o que deve ocorrer até 2027, a economia projetada é de R$ 25 milhões por safra.

A Tereos prevê de três a cinco fases. A próxima vai integrar as operações de plantio e tratos culturais, com a inclusão de uma central de controle de tráfego da vinhaça. Por último, o projeto prevê a centralização industrial, com torres de controle e monitoramento da manutenção e operação industrial.

Segundo o superintendente, o fato de todas as unidades ficarem próximas, com a Cruz Alta praticamente no meio, dá a Tereos uma vantagem competitiva para a redução de custos.

No ano-safra 2022/23, a companhia moeu 17,3 milhões de toneladas de cana, um aumento de 11% frente ao ano anterior. O mix de produção se manteve fortemente açucareiro, com a produção de cerca de 1,6 milhão de toneladas de açúcar, 480 milhões de litros de etanol, além da geração de 1,4 GWh de energia elétrica a partir da biomassa da cana.

Na nova safra, que começa em 1º de abril, a empresa vai adotar um equipamento para monitorar a fadiga dos motoristas: uma câmera instalada na frota vai interpretar o cansaço do motorista pela sinalização corporal e emitir alertas para evitar acidentes.

Outros investimentos

A Tereos ainda não investiu em um projeto de conectividade total. Segundo Carpanezi, a empresa tem uma grande área de cobertura porque as unidades ficam próximas de cidades e são servidas também por satélites, mas ainda é preciso evoluir na cobertura no campo.

“A tecnologia muda muito rapidamente. Estamos aguardando a evolução do 5G, que deve elevar as oportunidades do setor, para investir em um projeto que nos garanta cobertura total também no campo”, relata.

O investimento que já está em curso é na produção de biogás. A Cruz Alta instalou uma planta piloto para transformar a vinhaça em energia elétrica. Mas os planos envolvem a produção de biometano para substituir, até 2026, os 60 milhões de litros de diesel usados anualmente pela frota de caminhões canavieiros.

A questão dos fertilizantes também mereceu atenção. Em novembro, a Tereos anunciou um investimento de R$ 23,5 milhões em um projeto para ampliar a utilização da vinhaça, produto rico em potássio, na fertilização de seus canaviais. Todas as unidades do grupo já têm aplicação de vinhaça localizada, o que permite maior precisão de aplicação e controle de vazão.

Eliane Silva