Usinas

Usinas

Tensão com MST marca véspera de venda das usinas de João Lyra em Minas Gerais

Administração Judicial afirma querer manter leilão de patrimônio e garantir as indenizações dos trabalhadores


Jornal Extra (AL) - Publicado: 05 Set 2016 - 08:16 | Atualizado: 05 Set 2016 - 09:50

Desde que foi anunciado para o dia 15 de setembro o leilão das usinas mineiras Triálcool e Vale do Paranaíba, pertencentes à Massa Falida do Grupo João Lyra, dois acontecimentos ocorreram. O primeiro foi um incêndio sem grandes danos na Usina Vale do Paranaíba, em Capinópolis, no meio de agosto; e na semana passada foi a vez de uma invasão nas terras da Usina Triálcool, em Canápolis, pelo MST e outros movimentos sem-terra, que forma a União Nacional de Luta Camponesa (UNLC).

O administrador judicial da Massa Falida do Grupo João Lyra, João Daniel Marques Fernandes, foi à Minas Gerais intervir na invasão da Usina Triálcool. “Encontramos uma situação caótica, beirando à agressividade. Mas com a ajuda de representantes da sociedade civil organizada e da Polícia Militar de Minas Gerais, comandada pelo tenente Alexandre, do Batalhão de Canápolis, conseguimos liberar os funcionários feitos reféns, evitar a invasão e depredação do parque industrial”, relatou o administrador, que registrou boletim de ocorrência.

João Daniel Marques Fernandes contou à reportagem que cerca de 100 integrantes dos movimentos sem-terra deixaram a usina e se deslocaram para a Fazenda Germina, também do grupo e que já teria sido invadida e depredada no dia 31 de julho.

Um dos líderes do movimento, Erivaldo Miguel, o Neguinho, explicou que os trabalhadores sem-terra querem a desapropriação do terreno da Usina. “As terras estão improdutivas. Nosso movimento tem o direito de reivindicar reforma agrária para gerar a economia inclusiva”, afirmou.

Explicação judicial

Para o administrador judicial, não há como reivindicar a desapropriação porque os terrenos pertencem aos trabalhadores da hoje massa falida do Grupo João Lyra. “Somos administradores da massa falida e no dia 15 de setembro vamos vender em hasta pública as duas usinas do grupo que se localizam em Minas Gerais. Com a arrecadação, vamos pagar indenizações de trabalhadores acidentados, aposentados e de milhares de trabalhadores que esperam há anos por justiça. Então, não há como fazer justiça com uns para cometer injustiça com outros”, detalhou João Daniel Fernandes.

Em Alagoas, durante a crise, o gestor judicial da massa, Henrique Cunha, comandou o jurídico para que houvesse uma reação em tempo real que embasasse as atitudes tomadas em Minas Gerais.

Denúncia

A reportagem também apurou com os trabalhadores sem-terra que a invasão faz parte de uma série de ações que serão promovidas pelos grupos nos meses de agosto e setembro. “Nós conversamos com o deputado federal Tenente Lúcio (PSB-MG) e fomos orientados a ocupar as fazendas que não estão produzindo como devia. Vamos em busca de nossos direitos”, disse Pedro Dantas, um dos coordenadores dos movimentos.

Interessados nas usinas

Está marcada para o dia 15 de setembro a abertura dos envelopes com propostas para a compra das usinas Triálcool e Vale do Paranaíba, localizadas, respectivamente, nas cidades de Canápolis e Capinópolis, no estado de Minas Gerais. 

Os empreendimentos, que chegaram a gerar cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos na região, estão avaliados em cerca de R$ 430 milhões. De acordo com os autos do processo, a audiência será presidida pelo juiz Kleber Borba Rocha, da 1ª Vara da Comarca de Coruripe.

Segundo Fernandes, duas empresas estão no páreo para a compra das usinas de Minas. Uma delas é o grupo da Usina Cambuí, situada no município de Santa Helena de Goiás (GO). Do outro lado está a Contromation S.A., empresa espanhola que se mostrou interessada não só pelas usinas mineiras, mas também pela Guaxuma e pela Laginha, localizadas em Alagoas. A proposta estrangeira configuraria uma transação do valor aproximado de R$ 850 milhões.

No entanto, Fernandes explica que somente as usinas do Sudeste estão liberadas para a venda. “As propostas são, na realidade, cartas de intenções que só terão validade após determinação do juiz. O fato de haver propostas não quer dizer que são firmes. Temos a obrigação de tomar cautelas legais para que o patrimônio seja realizado com segurança”, explicou.