
Lavouras não se desenvolveram o suficiente; perdas em alguns municípios podem chegar a 30% do que era estimado, diz Seab
Muita chuva e frio em setembro no plantio e quase nada de chuva em novembro e dezembro, na fase de desenvolvimento. O resultado: estragos irreversíveis nas plantações de milho do Paraná.
Atualmente, os pés de milho estão secos na base e muito pequenos – conforme os produtores, as plantas, que já deveriam ter entre 2,1 e 2,2 metros de altura, não cresceram como deveriam.
Rafael Dalligna plantou 10 hectares em Dois Vizinhos, na região sudoeste. Ele mostra que as melhores espigas estão pequenas demais. “A espiga normal chega a ter 20% a 30% a mais, com os grãos todos formados”, diz.
Este milho vai alimentar as criações de ovelhas e de gado de corte. Dalligna estima uma quebra de 40% no volume da silagem, além da perda de qualidade.
Em outra lavoura de 40 hectares, também em Dois Vizinhos, a quebra chega à metade da produção. “A expectativa inicial era de 450 sacas e aqui, hoje, esperamos 200. Pelo preço dos insumos, isso acaba dificultando um pouco para o produtor”, diz o agrônomo Fernando Xavier.
Segundo a Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), há registros de quebras na produção de milho para grãos e para silagem em metade da região sudoeste e em várias cidades do oeste do estado.
“Temos uma perda já importante na safrinha que é elevada para os padrões dessas microrregiões, mas que ainda, no contexto do estado, represente talvez 1,5% ou 2% da nossa estimativa, que era colher 3,7 milhões de toneladas. Mas como é um quadro que evolui de forma não homogênea, para o produtor local, para a microrregião, eu diria perdas de até 30% em alguns municípios na perspectiva que tínhamos de produtividade”, diz o secretário estadual da agricultura, Norberto Ortigara.
Este é o segundo ano seguido de perdas na produção de milho e muitos agricultores dependem da silagem para alimentar os animais no inverno. O prejuízo de hoje ainda vai impactar em outras atividades, como a produção de leite e de carne.