A Cosan declarou estar otimista em relação aos preços do açúcar e do etanol, citando os percalços na produção mundial e contendo as expectativas para a próxima safra no Brasil, onde é a maior esmagadora de cana.
A empresa reconhece que no Centro-Sul do Brasil, onde o processamento da safra 2017/18 começa em abril, “o clima tem sido favorável até agora, com boa quantidade de chuvas”.
Para o grupo, se o clima permanecer como está, a expectativa é esmagar “dentro da faixa mais alta” da margem prevista para a próxima safra, que varia de 59 a 63 milhões de toneladas de cana.
No entanto, isso não implica necessariamente em um aumento significativo em relação à safra 2016-17, quando a margem prevista era de 59 a 61 milhões de toneladas esmagadas. Até o fim de dezembro, a companhia chegou a 59,4 milhões de toneladas.

“O mercado parece estar um pouco mais otimista em relação à safra brasileira de cana”, afirmou a investidores a gerente de relações de investimento da Cosan, Paula Kovarsky.
Contudo, em relação às previsões anteriores para a safra 2017/18, ela complementa: “Em nosso entendimento, não há nenhuma alteração fundamental”.
A gerente ainda afirmou que a Cosan continua otimista com o panorama de preços para o açúcar e o etanol na safra 2017/18.
“Com a produção em países importantes se revelando menor do que o esperado [na safra passada], acontece agora um movimento de correção dos preços defasados que foram registrados no final do ano”, afirma.
No Brasil, segundo a Cosan, a relação entre a oferta e a demanda de etanol continua apertada, o que permitiu a comercialização do biocombustível a valores mais próximos aos da gasolina do que os registrados historicamente.
Ainda assim, Kovarksy explicou que a Cosan “acelerou o hedge” nos últimos três meses, a fim de explorar “uma combinação favorável” de cotações elevadas do açúcar e de boa cotação do Real frente ao Dólar. A moeda brasileira, aliás, segue em níveis históricos baixos, ainda que dando mostras de reação.
Ao fim de dezembro, a Cosan havia fixado 1,78 milhão de toneladas de açúcar para a safra 2017/18 no mercado futuro ao preço de 17,3 centavos de dólar por libra-peso, ou seja, R$ 0,70/libra-peso.
Isso representou um acréscimo de 388 mil toneladas ao volume do fim de dezembro. De acordo com a companhia, isso equivale a “pouco mais de 50%” dos volumes exportáveis.
O volume também é ligeiramente maior que as 1,71 milhão de toneladas vendidas antecipadamente para a safra 2016/17 até o fim de dezembro de 2015.
A empresa também ressaltou o baixo nível de investimentos em aumento de capacidade que vem sendo realizados pelas usinas, que ainda lutam para saldar dívidas antigas, usando as receitas com a colheita para pagar fornecedores e quitar empréstimos.
A Cosan, contudo, espera ampliar seus gastos de capital em cana para um valor entre R$ 2,1 e R$ 2,4 bilhões em 2017/18, o que, segundo Kovarksy, está “um pouco acima” do esperado para essa safra, visto que a margem inicial prevista era de R$ 1,9 a R$ 2,1 bilhões.
“Temos projetos visando a maximizar a produção de açúcar”, afirma. Ou seja, a empresa pretende aumentar a proporção de cana convertida em açúcar em detrimento do etanol. Segundo a gerente, a Cosan também busca por ganhos de produtividade e melhorias logísticas.
“Normalmente, nós já procuramos maximizar a produção de açúcar”, acrescentou a executiva.
Para o período de abril a dezembro, a Cosan destinou 57% da cana para a produção de açúcar, contra 55% no mesmo período do ano passado.
Agrimoney, com tradução, adaptação e gráficos novaCana.com