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Técnicas novas – e antigas – podem potencializar a produtividade do canavial

Adubação orgânica, irrigação e uso de drones foram apontados por especialistas como métodos viáveis para melhorar a qualidade da cana

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A cana-de-açúcar é uma cultura delicada e sujeita a intempéries, como secas, geadas e até mesmo excesso de chuvas. Estes fatores podem atrapalhar o planejamento das usinas e a produção da safra. Para minimizá-los e extrair a produtividade máxima que um canavial tem a oferecer é necessário realizar o manejo correto, por meio de tratos culturais.

O tema foi discutido no mais recente evento de abertura de safra, promovido pela Datagro. Especialistas trouxeram visões relacionadas a nutrição da gramínea, adubação orgânica e o uso de drones nas plantações.

O consultor sênior da Datagro, Valmir Barbosa, iniciou o painel apontando que os fundamentos dos tratos culturais são objetos de estudos antigos, citando que uma pesquisa sobre a melhoria do solo a partir da vinhaça publicada em 1954. Entretanto, ele afirma o setor “demora muito para aprender”.

Barbosa explica que é necessário otimizar o ciclo da cana-de-açúcar, utilizando seus próprios elementos e diminuindo os externos. Segundo o consultor, a indústria produz e exporta apenas uma parte dos elementos presentes na planta; o restante deve voltar para o campo.

Para ele, o uso da vinhaça precisa de um processo, a começar pela identificação do nível da dosagem, passando pela preparação da fórmula e culminando na aplicação sobre a linha de cana. Com base em dados de uma usina modelo, Barbosa aponta que é possível utilizar toda a vinhaça produzida na plantação, mas isso não acontece com frequência no setor.

“Se fizermos um plantio excelente, mas com maus tratos culturais, perderemos o canavial. Se fizermos um plantio razoável com um bom trato, recuperamos a área”, Valmir Barbosa (Datagro)

Também participante do painel, o gerente agrícola da usina Coruripe, Pedro Carnaúba, trouxe os principais resultados da companhia em relação à irrigação e, também, com o uso de vinhaça.

Carnaúba observa que a região da usina, localizada em Coruripe (AL), apresenta uma alta variação de níveis de chuva. Por essa razão, o gerente agrícola aponta que é necessário fazer um planejamento para capturar essa diferença e potencializar a produtividade do canavial.

Por fim, o gerente de operações da Casa do Drone, Dionas da Silva, apontou como os dispositivos aéreos podem auxiliar os produtores de cana-de-açúcar nas próximas safras. Além do mapeamento da área, verificando falhas de plantação e identificando plantas daninhas e pragas, os drones também podem auxiliar na dispersão de sólidos, na pulverização de defensivos e no controle biológico do canavial.

No texto completo, exclusivo para assinantes, você confere mais detalhes sobre:

- Adubação orgânica, com uso de vinhaça e torta de filtro
- Irrigação do canavial
- Os benefícios no uso de drones nas plantações

A cana-de-açúcar é uma cultura delicada e sujeita a intempéries, como secas, geadas e até mesmo excesso de chuvas. Estes fatores podem atrapalhar o planejamento das usinas e a produção da safra. Para minimizá-los e extrair a produtividade máxima que um canavial tem a oferecer é necessário realizar o manejo correto, por meio de tratos culturais.

O tema foi discutido no mais recente evento de abertura de safra, promovido pela Datagro. Especialistas trouxeram visões relacionadas a nutrição da gramínea, adubação orgânica e o uso de drones nas plantações.

O consultor sênior da Datagro, Valmir Barbosa, iniciou o painel apontando que os fundamentos dos tratos culturais são objetos de estudos antigos, citando que uma pesquisa sobre a melhoria do solo a partir da vinhaça publicada em 1954. Entretanto, ele afirma o setor “demora muito para aprender”.

Para ele, o uso da vinhaça precisa passar por um processo, a começar pela identificação do nível da dosagem, passando pela preparação da fórmula e culminando na aplicação sobre a linha de cana. Com base em dados de uma usina modelo, Barbosa aponta que é possível utilizar toda a vinhaça produzida na plantação, mas isso não acontece com frequência no setor.

“Se fizermos um plantio excelente, mas com maus tratos culturais, perderemos o canavial. Se fizermos um plantio razoável com um bom trato, recuperamos a área”, Valmir Barbosa (Datagro)

Também participante do painel, o gerente agrícola da usina Coruripe, Pedro Carnaúba, trouxe os principais resultados da companhia em relação à irrigação e, também, com o uso de vinhaça.

Por fim, o gerente de operações da Casa do Drone, Dionas da Silva, apontou como os dispositivos aéreos podem auxiliar os produtores de cana-de-açúcar nas próximas safras.

Vinhaça e torta de filtro

Barbosa explica que é necessário otimizar o ciclo da cana-de-açúcar, utilizando seus próprios elementos e diminuindo os externos. Segundo o consultor, a indústria produz e exporta apenas uma parte dos elementos presentes na planta; o restante deve voltar para o campo.

Cada rota de reciclagem dos elementos da cana, segundo ele, exige uma logística e uma formulação diferentes. Isso faz com que seja necessário alcançar uma consistência para viabilizar o uso da adubação complementar.

Para calcular a dosagem correta, Barbosa indica a utilização de ensaios de calibração, que apresentam uma curva de resposta, resultando em uma base adequada.

Ele cita um caso em que foi possível utilizar todo o volume de torta de filtro resultante do processo de fabricação do etanol e do açúcar. A partir deste resíduo, foi adicionado fósforo solúvel, cálcio e magnésio, enriquecendo o composto e permitindo a sua aplicação em toda a área. “Não passei pelo pátio de compostagem que emite carbono e enriqueci a torta”, relata.

No caso da vinhaça, Barbosa calcula a quantidade produzida deste resíduo e a quantidade de potássio. No exemplo dado na apresentação, a conclusão era de que havia volume suficiente para alcançar toda a área, com uma sobra de 3%.

Entretanto, na sucroenergética em questão, a aplicação ocorre em apenas metade do espaço. Apesar disso ser abaixo do seu potencial, a usina ainda está acima da média de uso, de acordo com Barbosa: “São raras as usinas que fazem 50% de aproveitamento da vinhaça e isso deveria ser um indicador na rotina de gerenciamento”.

Aplicações da vinhaça

Entre as possíveis aplicações da vinhaça, o consultor cita também a produção de energia para a usina em um processo de eletrificação, evitando a emissão de carbono. Segundo ele, além da facilidade operacional, esse processo gera redução de custo e pode aumentar a geração de créditos de carbono (CBios) no programa RenovaBio.

Mas existem outras possibilidades. Para Barbosa, é necessário encontrar a melhor forma de levar o resíduo até o campo.

No caso da Coruripe, Carnaúba esclarece que são usados três tipos de aplicação e duas formas de condução: via canal, caminhão, com aspersão ou equipamento localizado. Este último método, de acordo com ele, permite fornecer a quantidade exata de potássio à gramínea, enquanto os outros modos podem apresentar certo nível de desperdício.

O gerente agrícola ainda afirma que existe uma grande vantagem na sobra de resíduo, pois a vinhaça pode ser aplicada em outras áreas, aumentando a produtividade. “Com a [aplicação] localizada, que nessa safra chegará a 15 mil hectares, vamos reduzir desperdício e aumentar o resultado da companhia”, indica.

Irrigação da cana-de-açúcar

Carnaúba também apresentou os benefícios da irrigação para a usina Coruripe, localizada no município homônimo no estado de Alagoas. Segundo ele, a companhia tem quase quatro décadas de histórico com o uso desta técnica, além de 25 anos com gotejamento.

Como a região apresenta uma alta variação nos níveis de chuva, o gerente agrícola aponta que é necessário fazer um planejamento para capturar a diferença e potencializar a produtividade do canavial.

Em relação ao tamanho das lâminas de irrigação utilizadas pela Coruripe, Carnaúba informa que a unidade começa com uma menor, aumentando no decorrer do ciclo: “Projetos com lâminas menores são colhidos no começo da safra, os maiores ficam para o final”, aponta e completa: “Essa cana vai ter que crescer para a próxima safra dentro de um período seco, então precisa de um suporte maior de água”.

Ele também define o “breaking even point”, expressão que resume o nível mínimo de produtividade que um canavial precisa alcançar para começar a gerar lucro para a usina. Na área irrigada, esse índice é de 54 toneladas por hectare, enquanto a área de sequeiro, que não recebe água, precisa de 56,8 t/ha.

“Não tenho irrigação no sequeiro, mas ele é mais caro e eu preciso renovar com mais frequência para manter uma produtividade média ou alta”, explica e completa: “O gotejo é um equipamento caro, mas a amortização desse canavial é mais baixa e a produtividade maior”.

Ele ainda salienta que o gotejador tem um nível de aproveitamento de água, em 95%. “Estamos dentro da economia circular para poder maximizar o resultado da companhia”, finaliza.

Uso de drones no canavial

Um novo aliado para que os produtores possam fazer bons tratos culturais em seus canaviais é o drone. O dispositivo começou a ganhar destaque no Brasil em 2017, quando foram vendidos cerca de 27 mil drones. Em 2021, por sua vez, o montante ultrapassou a marca de 70 mil, ainda que a maior parte tenha sido adquirida por pessoas físicas.

O gerente de operações da Casa do Drone, Dionas da Silva, acredita que a tecnologia é promissora e que pode ter várias aplicações para o agronegócio. Além do mapeamento da área, verificando falhas de plantação e identificando plantas daninhas e pragas, os drones também podem fazer dispersão de sólidos, como ureia e crotalária e pulverização de defensivos.

Outra possibilidade é a realização de controle biológico. Neste caso, segundo o gerente, as principais vantagens para o produtor seriam: redução de custos, segurança de aplicação, queda no volume manejado e, ainda, diminuição de risco de acidentes.

De acordo com Silva, com o uso de drones, a aplicação da Cotesia flavipes, que auxilia no combate à broca da cana, pode chegar a um rendimento médio de 350 hectares por dia com um custo equivalente a R$ 32 por hectare. O processo seria equivalente, ainda conforme ele, ao trabalho manual de 12 pessoas e responderia a uma redução de 7% nos gastos.

Para a pulverização, o dispositivo aéreo permite uma aplicação localizada, gerando economia de água. Silva destaca que este processo com o drone se torna mais vantajoso em relação às máquinas terrestres por permitir acesso em áreas encharcadas, restritas e ainda sem pisoteio. Com isso, o drone evita a sobrecarga do solo e possibilita o processo em perímetros urbanos, o que não pode ser feito com aviões e helicópteros.

Sobre o investimento, Silva afirma que um kit completo com alcance de 100 hectares por dia –drone, baterias e gerador – custa por volta de R$ 230 mil. De acordo com ele, um pulverizador terrestre com o mesmo índice demandaria um investimento de R$ 800 mil.

Além disso, o gerente aponta que o consumo médio de água do drone é de 10 litros por hectare. A aplicação terrestre, por outro lado, pode alcançar os 200 L/ha, enquanto a via aérea por aviões chega a 30 L/ha.

Giully Regina – NovaCana

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