As tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, anunciadas pelos Estados Unidos no mês passado e que podem entrar em vigor nesta semana, não devem ter impacto sobre a cadeia de etanol de milho porque as exportações brasileiras do produto e de etanol em geral ao país são pequenas.
A conclusão é do presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Amaury Pekelman. “Para as exportações de etanol de milho, as tarifas não geram problema, a princípio não nos afetam”, disse.
A Coreia do Sul foi o principal destino do etanol brasileiro em 2025, com 780 milhões de litros (48,4% do total), e os EUA foram o segundo maior destino, com 253 milhões de litros (15,7% do total exportado), queda de 18,4%.
No início de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou tarifas adicionais de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros exportados ao país.
A decisão decorreu de uma investigação aberta pela administração do presidente Donald Trump em julho de 2025, baseada na Seção 301 da lei comercial do país, que apontou práticas comerciais consideradas desleais com os Estados Unidos.
Há expectativa de que a USTR decida nesta quarta-feira, 15, sobre a aplicação das tarifas. Dentre os produtos a serem atingidos pela tarifa, caso ela seja confirmada, os principais são etanol, açúcar e pescados.
A Unem tem presença confirmada na Conferência NovaCana 2026. A diretora de relações internacionais da entidade, Andréa Veríssimo, será uma das palestrantes do painel “O que esperar com o avanço do etanol de milho”. Clique aqui e veja a programação completa!
Segundo Pekelman, a Unem defendeu na semana passada, nas audiências públicas promovidas pelo USTR, que a tarifa de 18% aplicada às importações de etanol dos Estados Unidos é a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, e não um tributo para os americanos.
“Eles precisam fazer seu dever de casa e gerar demanda local lá. Os Estados Unidos têm uma oferta maior do que a demanda e o grande salto para eles é resolver a demanda interna”, disse Pekelman. “Também temos de unir forças e criar mercados (para o etanol) na Ásia”, acrescentou.
A Câmara dos Deputados americana aprovou neste ano o projeto que libera o uso de E15 (15% de etanol na gasolina) o ano todo, mas ainda falta aprovação do Senado. O projeto permite a venda de gasolina com até 15% de etanol durante junho a setembro em todo o país, período hoje em que esse teor é proibido em boa parte dos estados.
Clarice Couto