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O tamanho do mercado de etanol que os EUA abriram para o Brasil

eua congresso milho etanol rfs 021215Enquanto nos EUA todo mundo ficou insatisfeito com a nova meta estabelecida pela EPA, no Brasil os usineiros brasileiros comemoraram

NovaCana 6 min de leitura

O Brasil ganhou mais espaço do que se esperava para enviar etanol de cana aos Estados Unidos em 2016. O novo mandato que determina o uso de biocombustíveis naquele país, definido pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) no último dia 30, ampliou o potencial de exportação do renovável tupiniquim.

Apesar das usinas brasileiras terem recebido as novas metas com animação, nos EUA nenhum dos agentes envolvidos ficou satisfeito. A fala de executivo de um grupo de refino de petróleo resumiu bem o sentimento: “Eles (EPA) conseguiram alienar todos, fazer todo mundo ficar com raiva”, disse o vice-presidente da Tesoro, Stephen Brown, para emendar “o que eu acho que é a essência de uma boa regra”.

O portal NovaCana fez as contas do volume de etanol que as usinas brasileiras poderão enviar aos EUA no âmbito Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês) e, apesar de animar o setor, o espaço não é tão otimista quanto o divulgado hoje pelo Valor Econômico.

O Brasil ganhou mais espaço do que se esperava para enviar etanol de cana aos Estados Unidos em 2016. O novo mandato que determina o uso de biocombustíveis naquele país, definido pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) no último dia 30, ampliou o potencial de exportação do renovável tupiniquim em cerca de 12%, ante a proposta divulgada em maio deste ano.

Em relação à ambiciosa proposta original determinada pelo Congresso norte-americano em 2007, o novo mandato do Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês) determinou níveis menores de biocombustíveis, mas, por outro lado, trouxe volumes acima do proposto sete meses atrás.

No entanto, o resultado é que, nos EUA, nenhum dos agentes envolvidos ficou satisfeito. A fala de executivo de um grupo de refino de petróleo resumiu bem o sentimento: “Eles (EPA) conseguiram alienar todos, fazer todo mundo ficar com raiva”, disse o vice-presidente da Tesoro, Stephen Brown. Para, então, emendar: “o que eu acho que é a essência de uma boa regra”.

Enquanto a indústria doméstica do etanol de milho considera as metas um retrocesso em relação à legislação original, os petroleiros estão insatisfeitos porque os volumes da nova meta excedem a chamada “parede da mistura” do E10 (10% de etanol à gasolina). Já no Brasil, as usinas exportadoras podem ter mais espaço do que previam.

No próximo ano, precisarão ser misturados aos carburantes convencionais 18,1 bilhões de galões de combustíveis renováveis, acima dos 17,4 bilhões que a agência propôs em maio, mas ainda muito aquém de um alvo de 22,25 bilhões de galões estabelecidos pelo Congresso em 2007.

Espaço do etanol brasileiro

O etanol de cana brasileiro pode ajudar a cumprir a meta de biocombustíveis avançados, fatia também ocupada por biocombustíveis celulósicos e, principalmente, diesel de biomassa. Como estes dois últimos biocombustíveis possuem metas próprias dentro do mandato, o espaço teórico para o renovável de cana é resultante do total de avançados, menos o volume de etanol celulósico e de diesel de biomassa.

No entanto, para alcançar o tamanho do mercado que se abre para o Brasil, é importante fazer a conversão do espaço destinado para o diesel de biomassa em etanol equivalente. Assim, como o diesel de biomassa pode ser ocupado por combustíveis com poder calorífico diferente, o NovaCana usou um fator de conversão médio, levando em consideração o mix de combustíveis de anos anteriores classificados como diesel de biomassa.

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O resultado é que dos 3,61 bilhões de galões destinados aos biocombustíveis avançados em 2016, a indústria brasileira de etanol tem oportunidade de enviar 454 milhões de galões, em medida tupiniquim, equivalentes a 1,718 bilhão de litros. Este espaço representa um aumento de 190 milhões de litros em relação à proposta apresenta pela EPA em maio.

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A exportação brasileira dentro das metas dependerá, ainda, das condições de preço e da disponibilidade de oferta. O principal concorrente brasileiro é o biodiesel do próprio EUA, e, em menor escala, o etanol celulósico. Como os dois combustíveis também são classificados como avançado, eles podem também ocupar o espaço que sobra para o etanol de cana. Assim, a fatia das usinas brasileiras dependerá do preço do etanol brasileiro, do óleo de soja nos EUA e o spread dos RINs.

Para o Brasil, com a capacidade de produção de etanol limitada e o mercado interno aquecido, especialistas estimam que no próximo ano sobre, no máximo, 1 bilhão de litros para a exportação.

O mandato tem efeito retroativo e abrange o período desde 2014 até 2016. Em relação a 2015, a meta total para o consumo de biocombustíveis renováveis sofreu uma pequena redução ante o proposto, com viés de adequação aos volumes reais misturados no período. Isso, combinado ao aumento do volume definido para o etanol celulósico, limitou o espaço regulado para etanol de cana no ano corrente a 351 milhões de litros, quase metade do proposto.

Em relação ao etanol celulósico, a meta definiu para 2016 um volume 12% acima do proposto, totalizando 230 milhões de galões (870 milhões de litros). Isso significa que os misturadores norte-americanos terão de praticamente dobrar a quantidade de celulósico no próximo ano comparado a 2015, que tem como meta 123 milhões de galões (465 milhões de litros).

Reação da Unica

A entidade que representa as usinas brasileiras soltou nota em tom de animação, afirmando que a EPA reconheceu que o “biocombustível avançado pode e deve aumentar.” Para a entidade, “a decisão parece deixar a porta aberta para a continuação do acesso americano ao etanol de cana de açúcar do Brasil”.

A nota mostra que a entidade tentou desfazer as dúvidas de que o Brasil não teria condições de enviar grandes volumes de etanol para os EUA. “O Brasil tem capacidade para produzir até dois bilhões de litros adicionais deste biocombustível avançado para exportação de acordo com dados da capacidade instalada." Isso representa 7,6 bilhões de litros, ou 26,5% de tudo o que o Brasil deve produzir na safra atual, que deve chegar a 28,66 bilhões de litros.

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