A sustentabilidade e o agronegócio não são dois assuntos distintos. Com o avanço das mudanças climáticas, que afetam diretamente o campo, o setor produtivo sente a necessidade de alterar os processos agrícolas.
No cultivo de cana-de-açúcar, um conjunto de boas práticas ambientais também pode significar novas oportunidades de rentabilidade ao produtor. O diretor de país da fundação Solidaridad, Rodrigo Castro, afirma que um desenvolvimento sustentável faz sentido por ser uma “relação ganha-ganha”.
“É um valor compartilhado, onde todos os elos da cadeia, começando pelo produtor, podem se beneficiar, crescer com sustentabilidade”, destaca. Como exemplos, ele cita o programa RenovaBio, mercados de créditos de carbono, os pagamentos por serviços ambientais e certificações como a Bonsucro.
O coordenador do comitê de sustentabilidade da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Eduardo Bastos, por sua vez, aponta que algumas práticas ambientais ainda não são indicadas no preço final dos produtos fabricados.
Segundo ele, vários produtos nacionais têm, no mínimo, 20% de floresta adicional de proteção, mas o etanol e o açúcar fabricados aqui têm o mesmo preço de outros países, nos quais não há esse percentual. “Por que não colocamos valor naquilo que comercializamos?”, questiona.
Uma segunda frente que deveria ser analisada, de acordo com Bastos, é o acesso facilitado a recursos. “Grandes empresas, como as de papel e celulose, fazem isso há mais de dez anos, captando dinheiro lá fora, muito mais barato”, detalha.
Além disso, de acordo com ele, os produtores poderiam receber um adicional de cerca de R$ 400 por hectare por boas práticas sustentáveis. Para a conta, Bastos considerou uma produtividade de 80 toneladas por hectare, com os certificados do RenovaBio rendendo R$ 2/t e totalizando R$ 160/ha, além da captura de duas toneladas de carbono no solo, o que equivaleria a US$ 50/ha ou R$ 250/ha.
Castro ainda destacou que a agricultura, de forma geral, é essencial para o processo de descarbonização mundial “não apenas com o uso da terra, mas com a captura e o estoque [de carbono] e, também, com as emissões evitadas”.
As declarações foram dadas na mais recente edição do Cana Summit, evento promovido pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana). Além de Castro e Bastos, também marcaram presença a chefe da Bonsucro na América do Sul, Lívia Ignácio; o chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alexandre Alves; e o analista de negócios da Embrapa Goiás, Miguel Ivan Lacerda.
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