O mercado global de açúcar deve ter superávit na safra 2025/26, mas o volume pode ser menor do que o que era aguardado inicialmente. De acordo com relatório da StoneX, o superávit em 2025/26 foi revisado para 3,04 milhões de toneladas, corte de cerca de 700 mil toneladas frente ao estimado em maio.
“Do lado da produção global, é projetado um volume de 197,7 milhões de toneladas, uma alta anual de 5%, devido ao crescimento na oferta de Índia e Tailândia, e da manutenção de altos volumes oriundos do Brasil”, destaca o analista de inteligência de mercado, Marcelo Di Bonifácio.
Em relação aos estoques finais, as estimativas apontam um salto de 4,2%, totalizando 75,4 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. Conforme compartilha Di Bonifácio, a consolidação das estimativas dependerá dos últimos dois meses do período de monções na Ásia e, principalmente, da safra brasileira.
De acordo com ele, a tendência para o ciclo 2025/26 é de um aumento da demanda mundial, puxada, especialmente, por um forte crescimento na Ásia (+1,5%) e na África (+2,5%).
Marcelo Di Bonifácio, da StoneX, está entre os palestrantes confirmados para a Conferência NovaCana 2025. O evento acontece em São Paulo (SP), nos dias 15 e 16 de setembro, e as inscrições estão abertas. Clique aqui para ver a programação completa.
Segundo o relatório da StoneX, o mercado global de açúcar continua se apoiando significativamente nos ganhos produtivos esperados pela Índia e Tailândia que, juntos, tendem a colocar volumes adicionais de exportação suficientes para suprir potenciais frustações de oferta pelo Brasil referente ao ciclo 2024/25.
“Dessa forma, mesmo que o déficit em 2024/25 seja maior do que o esperado, de 4,54 milhões de toneladas, boa parte da safra internacional que caminha para o fim já foi precificada. Esse cenário culmina em um superávit estimado em 2025/26”, realça o analista.

No que diz respeito às safras na Ásia, a produção no continente asiático promete alta significativa, conforme a StoneX, aproximando-se das 80 milhões de toneladas (valor bruto) em 2025/26. O montante representa uma expansão anual de 12% e está próximo do que foi registrado em 2021/22, quando a Índia viu seu recorde produtivo.
Na índia, as chuvas de monções estão 7% acima da normalidade no período de junho até o final de julho, porém, embora seja crucial o acompanhamento do clima daqui para frente, o mercado segue otimista. Nesse sentido, a StoneX manteve a estimativa de produção de 32,3 milhões de toneladas no país em 2025/26, após o desvio de 4,5 milhões de toneladas para o etanol.
Assim como na Índia, a Tailândia recebeu chuvas abundantes em maio e, no momento, a trajetória climática na Tailândia em 2025 permanece dentro do esperado e apresentando melhoras evidentes. Ainda assim, a StoneX não alterou sua previsão para a Tailândia.
“A produção de açúcar, por sua vez, deve subir 14% em 2025/26, para 11,4 milhões de toneladas (tel quel), proporcionando ao país um aumento de 1,5 a 2 milhões de toneladas na oferta para exportações, que são estimadas em 8,5 milhões de toneladas”, pontua o analista de inteligência de mercado.
Na safra 2025/26, a produção no continente americano deve crescer 2,7%, segundo a StoneX. O valor deve ser puxado, em grande parte, pelo Brasil.
Apesar dos problemas enfrentados no Centro-Sul brasileiro em 2025, especialmente motivada pela queda significativa de açúcar total recuperável (ATR) e produtividade menor no comparativo anual, as estimativas preliminares para 2026 rondam o campo otimista, ao passo que se espera um canavial mais jovem – herdado principalmente das reformas feitas após as queimadas de 2024.
“Nesse sentido, pelos fundamentos atuais, a oferta brasileira na temporada internacional 2025/26 (outubro a setembro) é estimada em 45,6 milhões de toneladas (tel quel), alta anual de 4%”, compartilha Di Bonifácio.
Na América Central, a StoneX estima um pequeno crescimento de 5%, que pode ser considerada uma recuperação frente 2024/25. Naquela temporada, alguns países sofreram com excesso de chuvas e quebra de safra, como a Nicarágua e El Salvador.

De acordo com Di Bonifácio, restam apenas dois meses para o restante da safra internacional 2024/25 e o déficit no período já está cristalizado.
“Assim, o seu tamanho dependerá do desempenho da produção no Centro-Sul brasileiro. Este, por sua vez, é o maior responsável pelo corte de 1,7 milhão de toneladas realizado na estimativa de saldo global no ciclo corrente, agora projetado em déficit de 4,54 milhões de toneladas (valor bruto)”, detalha.
Nos últimos cinco anos, segundo a StoneX, houve uma desaceleração da demanda global por açúcar para 0,7%. Esta média seria um reflexo do menor consumo da população europeia, com estabilidade em grandes consumidores, como os Estados Unidos e o Brasil.
Devido a esses movimentos mundiais, a StoneX cortou cerca de 200 mil toneladas no consumo em 2024/25 e pouco mais de 400 mil toneladas na demanda estimada em 2025/26, que deve alcançar 194,7 milhões de toneladas (valor bruto), alta anual de 0,7%.