Uma moagem menos prejudicada devido aos canaviais mais novos no Centro-Sul em 2020/21, levando a memória genética para próxima safra, e um crescimento na produção de cana-de-açúcar no Norte-Nordeste, chegando aos melhores níveis dos últimos cinco anos no ciclo recém-iniciado.
Além disso, preços fortalecidos tanto para o açúcar quanto para o etanol, ao mesmo tempo em que incógnitas relacionadas ao clima tornam conservadoras as perspectivas futuras.
Este é o sumário do painel referente às perspectivas para os produtos da cana durante o 3º Seminário da StoneX, voltado aos desafios e oportunidades para os mercados de commodities. O evento aconteceu na última quinta-feira, 22, e também contou com perspectivas para o mercado global de açúcar.
Segundo o consultor de açúcar e etanol da StoneX, Lucas Oliveira, o motivo para a safra atual já ter alcançado 500 milhões de toneladas sem ser tão afetada pela seca é o canavial mais jovem. A visão da consultoria é de que 2020/21 vai fechar com uma produção de 597,8 milhões de toneladas de cana, um aumento de 1,3% ante 2019/20.
Em relação ao mix, com o açúcar remunerando mais que o renovável, a participação da matéria-prima destinada à commodity deve ser de 46,9%, o que deve trazer a produção para o recorde de 37,9 milhões de toneladas. Este volume representa um aumento de 41,4% na comparação com o ciclo anterior.
Por sua vez, a produção do etanol deve ser de 29,1 bilhões de litros, volume 12,6% abaixo da safra passada, enquanto a fabricação do renovável de milho foi estimada em 2,6 bilhões de litros, quantia 62,5% superior ao ciclo 2019/20.
Analisando a qualidade da matéria-prima, o açúcar total recuperável (ATR) pode ter um aumento de 2,3%, chegando a 141,8 kg por tonelada de cana.
Para 2021/22, considerando a melhor saúde do canavial, a cana mais nova e a entressafra ainda a definir, o cenário para moagem da StoneX é mais conservador, conforme Oliveira: 590,4 milhões de toneladas de cana. Já o mix deve ser de 44,5% para o açúcar e de 55,5% para o etanol.
Ainda de acordo com o consultor, na temporada 2020/21 do Centro-Sul, o setor está migrando de uma cana que está em seu quarto ou quinto corte para canas de terceiro e segundo corte, o que resulta em uma matéria-prima mais resistente ao clima seco. “É com essa base que seguimos para a próxima safra, uma cana menos envelhecida. Com isso, ganhamos mais ‘peso’, mais matéria-prima por hectare,” explica.
Em uma análise referente às chuvas, ele observa que, até 16 de outubro havia uma perspectiva de boa precipitação já para o final do mês, com muito volume de água em pouco tempo. Além disso, as perspectivas para novembro e dezembro também apontam para chuvas consideráveis.
Oliveira pontua que, para a entressafra, são esperadas precipitações acima da média em grande parte do Centro-Sul. “Tudo está à mercê do clima para o ano que vem”, completa. Além disso, pode ser que o volume não compense o longo período de seca vivenciado desde o meio deste ano, e é preciso considerar que o fenômeno La Niña pode trazer um tempo mais seco para a região.
Confira, na versão completa, análises e números das safras no Centro-Sul e Norte-Nordeste, além dos cenários de preços para o etanol.
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