Cana: Safra / Moagem

Cana: Safra / Moagem

StoneX estima 608,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 do Centro-Sul

Produção de açúcar foi projetada em 41,75 milhões de toneladas – alta de 3,9% frente ao ciclo 2024/25 e a segunda maior da história da região


StoneX - Publicado: 13 Mai 2025 - 14:08

Em sua quarta revisão para a safra de cana-de-açúcar 2025/26 (abril a março) no Centro-Sul do Brasil, a StoneX estima manutenção da expectativa de moagem em 608,5 milhões de toneladas, queda de 2,1% frente a 2024/25.

Ainda assim, houve revisão nas premissas de área colhida e produtividade para a safra. Diante de um encerramento levemente abaixo do esperado na produtividade em 2024/25 e de uma área colhida acima do aguardado, alcançando quase 8 milhões de hectares, a expectativa da consultoria para a área em 2025/26 foi aumentada, mas ainda deverá registrar uma queda de 200 mil hectares frente 2024/25, ficando próxima dos 7,79 milhões de hectares.

A queda na área em 2025/26 é justificada pelo maior ritmo de renovações em 2024/25, cenário influenciado também pelas queimadas. “Parte da área queimada pelos incêndios em agosto e setembro de 2024, que totalizou quase 470 mil hectares, estava em fase de rebrota, com impactos sobre a colheita no novo ciclo”, explica o analista de inteligência de mercado na StoneX, Rafael Borges.

Em comparação à safra 2024/25, quando o setor colheu quase 300 mil hectares de cana bisada da safra anterior, a temporada 2025/26 deverá contar com muito menos área herdada da safra anterior e colhida no ciclo atual, acredita a StoneX.

Em relação à produtividade, apesar da melhora climática em abril, a extensão do clima seco em março motivou a consultoria a fazer uma revisão mais pessimista para 2025/26. O valor foi estimado em 78,1 toneladas por hectare, contra um fechamento de 77,8 t/ha na safra 2024/25, praticamente em estabilidade e 1 t/ha abaixo da estimativa anterior.

stonex safra 1 130525

Mix produtivo

A perspectiva da StoneX para o mix produtivo da safra segue inalterada, com cerca de 51% da matéria-prima sendo direcionada para a fabricação de açúcar.

O mix açucareiro, afirma a consultoria, será uma das principais variáveis avaliadas nesta temporada, após um ciclo que frustrou as expectativas do mercado devido ao clima seco e ao aumento da presença de impurezas e açucares redutores na cana, prejudicando o processo industrial de fabricação de açúcar.

Ainda de acordo com a StoneX, o teor médio de açúcares totais recuperáveis (ATR) da safra deverá ver alta sutil em 2025/26. O indicador foi revisado para 141,2 kg/t, aumento de menos de 1% frente a 2024/25 (+0,89%).

Diante deste cenário, a StoneX calcula a produção de açúcar em 41,75 milhões de toneladas, aumento de 3,9% ante 2024/25 e o segundo maior volume da história do Centro-Sul, atrás apenas do ciclo 2023/24, que alcançou 42,425 milhões de toneladas.

Considerando esta produção estimada, a consultoria acredita que as exportações brasileiras de açúcar em 2025/26 poderão alcançar cerca de 32,6 milhões de toneladas, concentrando-se entre maio e outubro, o que deve ter “forte impacto” sobre o fluxo de comércio global de açúcar no terceiro trimestre de 2025.

Etanol

Para o etanol, a StoneX acredita que o biocombustível deverá ter um panorama de competitividade menos favorável em relação à gasolina comparativamente a 2024/25. A consultoria ainda aponta que o início do ciclo teve uma relação entre os preços mais elevada ante 2024/25.

Além disso, a perspectiva é de retração na oferta do biocombustível, resultado do menor mix açucareiro e da moagem em queda. A produção total é estimada em 34,5 bilhões de litros, queda de 1,3% frente a 2024/25.

stonex safra 2 130525

Especificamente, a oferta a partir da cana deve cair cerca de 2,1 bilhões de litros, enquanto a produção a partir do milho deve aumentar 1,6 bilhão de litros, compensando parte da retração da cana.

“O que pode estimular a oferta de etanol total em 2025/26 é a esperada aprovação do aumento da mistura do anidro na gasolina de 27% para 30% – cuja data de início ainda permanece incerta”, afirma o analista de inteligência de mercado na StoneX, Rafael Borges.

Em relação ao etanol de milho, ao fim de 2025/26, a capacidade de produção do Centro-Sul poderá alcançar mais de 12,8 bilhões de litros anuais, contra quase 11 bilhões de litros atualmente.

Segundo acompanhamento da ANP citado pela consultoria, pelo menos três novas unidades em Mato Grosso deverão ter obras concluídas até o final de 2025. Com isso, a StoneX estima 9,8 bilhões de litros (+19,6%) do etanol de milho em 2025/26.

Os estoques de passagem, que finalizaram 2024/25 em 1,27 bilhões de litros para o hidratado e 970 milhões de litros para o anidro, deverão recuar consideravelmente e se aproximar da média vista entre 2018/19 e 2022/23, acredita a consultoria.

Safra 2025/26 no Norte Nordeste

A primeira estimativa da StoneX para o ciclo 2025/26 (setembro a agosto) para a região Norte-Nordeste do Brasil traz um cenário inicialmente otimista para a moagem.

Segundo a consultoria, o mês de abril nas regiões produtoras contou com chuvas consideravelmente mais baixas, porém a previsão para a estação chuvosa da região (maio a julho) é mais otimista, o que deve compensar parte do clima mais seco no mês.

A visão para a produtividade, desta maneira, é de um ligeiro incremento na temporada 2025/26, para um valor próximo a 62,8 t/ha, aumento estimado em pouco mais de 3% frente ao fechamento esperado para 2024/25.

Já a área colhida, em linha com levantamento realizado próximo a algumas usinas da região, deve se manter similar ao ciclo 2024/25, com a StoneX projetando um ligeiro recuo de 0,53% devido ao clima seco em 2024/25.

Dessa maneira, a consultoria estima uma moagem de 59,18 milhões de toneladas, incremento de 3% frente a 2024/25. Para o teor de ATR, a visão é de um retorno à média dos últimos cinco anos para o setor. O aumento esperado para as chuvas nos próximos meses justificaria, então, um número próximo a 129 kg/t (-5,3%), ainda acima da média de entre 2019/20 a 2023/24, de 126,2 kg/t.

Já para o mix açucareiro, a StoneX projeta que a nova safra permita um ligeiro aumento, resultado principalmente do grande aumento do fornecimento de etanol a partir do milho na região. Ainda assim, devido ao menor ATR, a produção de açúcar poderá cair cerca de 1%, ficando por volta de 3,75 milhões de toneladas em 2025/26.

stonex safra 3 130525

“Ao projetar a safra 2025/26 da região, é necessário considerar o impacto da entrada do etanol de milho na região. A usina de etanol de milho da Inpasa em Balsas (MA), autorizada em 14 de março, conta com uma capacidade de 1.250 m³/dia”, cita a consultoria.

Ela ainda complementa: “Além dela, o Norte-Nordeste deverá ver a conclusão de usinas em: Tocantins, em maio de 2025 (350 m³/dia); Luís Eduardo Magalhães (BA), em dezembro de 2025 (1.500 m³/dia); e outras duas usinas que somam 750 m³/dia e devem ter suas obras concluídas em 2026”.

No total, até o final da safra 2025/26, a StoneX acredita que pode haver um adicional de quase 1,3 bilhões de litros de capacidade instalada de etanol de milho na região, por ano. O número considera dados da ANP e 350 dias por ano de operação.

Conforme a consultoria, desta forma, a estimativa para o mix açucareiro em 2025/26 considera o impacto do avanço da entrada do etanol de milho na região, o que deve contribuir para manter um cenário mais favorável à produção de açúcar na safra 2025/26.

Assim, o aumento da fabricação de açúcar e o menor ATR devem contribuir para uma queda de 4,4% na produção de etanol de cana em 2025/26, segundo cálculos da StoneX. A participação do anidro, considerando o aumento da mistura à gasolina (com impacto maior sobre a região considerando o calendário-safra), foi estimada em 46,7%.