O cenário deve dificultar a operação da empresa, que pretende manter as suas três unidades em operação
A agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) rebaixou as notas de crédito corporativo atribuídos ao grupo sucroalcooleiro Tonon Bioenergia de ‘CCC-‘ para ‘D’, em moeda local e estrangeira, o que indica um default (calote) geral nos pagamentos de dívida da empresa. A reavaliação de rating reflete o pedido de recuperação judicial feito pela companhia um dia antes.
O cenário deve dificultar a operação da empresa, que pretende manter as suas três unidades em operação. No texto a seguir, os detalhes da análise, indicando a parcela prioritária da dívida e índice de recuperação.
A agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) rebaixou as notas de crédito corporativo atribuídos ao grupo sucroalcooleiro Tonon Bioenergia de ‘CCC-‘ para ‘D’, em moeda local e estrangeira, o que indica um default (calote) geral nos pagamentos de dívida da empresa. A reavaliação de rating foi comunicada na noite de quinta-feira (10), refletindo o pedido de recuperação judicial feito pela companhia um dia antes.
O cenário deve dificultar a operação da empresa, que pretende manter as suas três unidades em operação. Na análise da agência, em um possível não pagamento das dívidas, o Ebitda da companhia declinaria 52% em relação aos resultados de 2014/2015, “refletindo as condições adversas do clima e da indústria e em face de tratos culturais insuficientes, prejudicando ainda mais as plantações, o que reduz a disponibilidade de cana e a geração de fluxo de caixa”.
Em julho, após a Tonon refinanciar grande parte de seus vencimentos de curto prazo e aliviar parcela significativa de suas pressões de liquidez com um empréstimo de US$ 70 milhões, a S&P chegou a elevar os ratings de crédito atribuídos à empresa. O voto de confiança considerava também a expectativa de uma economia anual de aproximadamente US$ 30 milhões, resultantes da redução de juros negociada.
Agora, após o pedido de recuperação judicial, a avaliação do mercado é de que a situação se tornou incontornável após a alta do câmbio, acelerada no segundo semestre deste ano. A deterioração do real foi um agravante às captações no exterior com taxas de juros consideradas elevadas para o baixo retorno da atividade nos últimos anos, onde em que a Tonon e outras sucroenergéticas embarcaram.
Além de revisar os ratings de crédito corporativo, também foram rebaixados pela S&P os ratings atribuídos aos bônus com e sem garantia, respectivamente, de ‘CC’ e ‘CCC-‘, que mostravam risco de inadimplência próxima, para ‘D’ (ambos), refletindo um default geral das obrigações financeiras da sucroenergética.
A S&P revisou ainda o rating de recuperação da dívida sênior sem garantia da empresa, de "5" para "6", o que indica, segundo a agência, uma recuperação abaixo de 10%. Foi mantida a recuperação da dívida sênior com garantia em "4", equivalente a recuperação entre 30% e 50%. Desta dívida, US$ 112 milhões estão cobertos por ativos reais.
Antes das dívidas com financiamentos, possuem pagamento prioritário R$ 201 milhões em obrigações trabalhistas e linhas de adiantamento sobre contrato de câmbio. O valor da empresa líquido pós custos administrativos somam R$ 855 milhões.
O grupo sucroalcooleiro amarga uma dívida total de R$ 2,8 bilhões e em seu último balanço trimestral, reportou um novo prejuízo, de R$ 726,5 milhões.
A agência de classificação de risco pondera que, se o pedido for aceito pela Justiça, a Tonon terá 60 dias para submeter um plano de recuperação a seus credores e, adicionalmente, outros 120 dias para discutir e aprovar a proposta. Com isso, informou a S&P, “reavaliaremos a estrutura de capital da Tonon e seu perfil de negócios assim que a reestruturação for concluída”.
Marina Gallucci - NovaCana