Agora foi a vez da agência de classificação de risco, Standard & Poor’s (S&P) atestar que uma mudança positiva está no horizonte das usinas sucroenergéticas. O ciclo positivo apresentado, no entanto, será uma boa notícia apenas para uma parcela do setor.
Agora foi a vez da agência de classificação de risco, Standard & Poor’s (S&P) atestar que uma mudança positiva está no horizonte das usinas sucroenergéticas. A agência aponta os efeitos da conjuntura esperada para os preços de açúcar e etanol, de produção e exportação.
O ciclo positivo apresentado, no entanto, será uma boa notícia apenas para uma parcela do setor. Aquelas usinas que querem aproveitar o bom momento, precisarão perceber em qual espaço do espectro de saúde das operações se encontram.
A S&P oferece avaliação detalhada de uma lista interessante de grupos sucroenergéticos. O trabalho de classificação inclui nomes como Raízen, São Martinho, Jalles Machado, Usina Coruripe, Usina Caeté, USJ e Tonon.
Detalhes sobre a situação de cada uma destas empresas e as perspectivas para os investidores sobre o mercado de açúcar e álcool podem ser conferidas a seguir.
Agora foi a vez da agência de classificação de risco, Standard & Poor’s (S&P) atestar que uma mudança positiva está no horizonte das usinas sucroenergéticas. O estudo, no entanto, reconhece que serão poucos os players do setor que se beneficiarão deste cenário.
A conjuntura apontada pela agência é de que um provável déficit na oferta global de açúcar e a demanda favorável por etanol provocarão efeitos positivos nos preços dos produtos. Esses fatores, combinados com as condições climáticas, que têm beneficiado a produção de cana na região Centro-Sul, e a depreciação cambial que, por sua vez, favorece os preços de exportação, indicariam o início de um novo ciclo positivo para o setor.
Este sentimento externado pela agência para os investidores não veio sem um tom de cautela. A S&P insinuou que o horizonte de melhora não é para todos. O argumento é que os credores ainda correm altos riscos e as restrições ao crédito continuam a ser um problema para as empresas de açúcar e etanol.
Atualmente, em sua maioria, as empresas de açúcar e etanol monitoradas pela agência de classificação de risco - como a Raízen, São Martinho, Jalles Machado, Usina Coruripe, Usina Caeté, USJ e Tonon - estão expostas a um risco financeiro classificado de significante a agressivo. Além disso, boa parte das notas de crédito variam em categorias que demonstram graus especulativos.
Por essa razão, apesar de otimista, a expectativa da agência para o setor é heterogênea. Segundo a S&P, as empresas maiores e mais consolidadas devem tirar maior proveito da melhora no cenário industrial no curto prazo, em função do transporte de estoques e venda de açúcar e etanol a preços atraentes. Os principais riscos que podem afetar mesmo estas empresas mais bem preparadas, são a má gestão diante da persistente e elevada inflação e da política de preços do governo brasileiro sobre a gasolina.
Por outro lado, as empresas com níveis de endividamento elevados e restrições ao financiamento, especialmente aquelas cujos canaviais estão envelhecidos, não serão capazes de se beneficiar dos preços mais elevados imediatamente e continuarão a sofrer por um tempo mais longo.

Companhias em detalhes
Em observação aos detalhes das companhias do setor, a agência de risco projeta forte geração de caixa para o Grupo São Martinho e para a Jalles Machado, com perspectiva estável para os ratings de crédito dessas duas companhias, atualmente em BB+ e BB-, respectivamente.
No caso da Jalles Machado, destaca-se que a companhia manteve um desempenho operacional sólido nas duas últimas safras, apesar de vencimentos de dívida de curto prazo ainda permanecerem elevados, o que levou a empresa a vender parte de seus ativos de cogeração de energia.
Já em relação à São Martinho, a S&P destacou que o grupo é referência na eficiência operacional do setor, beneficiando-se de um dos mais baixos níveis de custos de produção na indústria.
Já a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, também deve se beneficiar dos preços elevados de açúcar e etanol. Outro elemento que contribui para geração de caixa na companhia é sua diversificação de negócios, especialmente com a distribuição de combustíveis.
A joint venture, no entanto, possui um ponto desfavorável, devido à sua ligação com o rating do país. Atualmente, o rating da Raízen foi rebaixado acompanhando a desclassificação brasileira, e encontra-se em BBB-, refletindo uma perspectiva negativa, porém satisfatória da companhia.
O relatório ainda indica que a São Martinho e a Raízen têm uma estrutura robusta de capital e acesso ao crédito favorável e uma grande capacidade de cogeração, mas que se tornou menos relevante em meio aos preços baixos da energia no país.
As usinas Caeté e Coruripe vivem um cenário diferente. A perspectiva é de dificuldades para renegociar as dívidas, o que pode acarretar em rebaixamentos nos ratings de crédito, informou a S&P. Por ora, as notas dessas companhias são, respectivamente, B- e brA-.
A classificação relativamente maior do Coruripe reflete seu desempenho operacional e a sua qualidade produtiva. Já a Caeté está lutando com produtividade abaixo da média em sua fábrica de São Paulo e uma quebra de safra em suas operações no Nordeste durante a atual temporada devido ao efeito do El Niño.
A agência de risco ainda destaca o rebaixamento em janeiro da USJ, que passou de B- para CCC- na escala global e brB- para brCCC- no Brasil, que refletem a visão do que a S&P chama de “capital insustentável e problemas de liquidez de curto prazo”.
Na época do rebaixamento, de acordo com a classificadora, caso não houvesse melhora do cenário externo, a usina não teria caixa para cumprir suas obrigações nos seis meses subsequentes.
Sobre a Tonon Bioenergia, a S&P assinalou que desde dezembro de 2015 é apontada no mercado como inadimplente.
Cenário em números
O que sustenta a avaliação da agência de riscos em primeiro lugar é a fraqueza do real brasileiro que pode representar um “boom” nas exportações de açúcar. Atualmente, a tonelada embarcada sai por R$ 1.200, acima dos R$ 950 dos últimos anos, aponta a S&P.
Os preços do açúcar na Bolsa de Nova York oscilarão entre 13 centavos e 15 centavos de dólar por libra-peso ao longo de 2016, de acordo com a classificadora.
Além disso, as cotações da commodity estarão sustentadas neste ano em virtude da perspectiva de déficit de produção, que pode ser de até 8 milhões de toneladas, estimulados pelo crescimento constante do consumo mundial de cerca de 2% ao ano e a menor produção de açúcar em alguns produtores de açúcar-chave, como a Índia e a União Europeia.
De acordo com a agência, os preços do etanol seguem uma trajetória semelhante no Brasil, com uma demanda que deve permanecer resiliente, apesar das perspectivas econômicas fracas no país e a desaceleração no consumo de combustível.
Além disso, o setor deve contar com uma melhora na produtividade dos canaviais. Graças às chuvas, o Centro-Sul do Brasil deve, segundo as previsões, colher 85 toneladas por hectare no ciclo 2016/17, superando 74 toneladas por hectare de 2014/15. Há ainda o câmbio favorável às exportações.
Marina Gallucci – NovaCana