Milho

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Sorriso (MT) registra queda de 15% na produtividade do milho

Colheita de milho na região médio-norte do estado está praticamente encerrada, de acordo com levantamento do Imea


Canal Rural - Publicado: 23 Jul 2024 - 08:24

A região médio-norte de Mato Grosso caminha para o fim da colheita de milho. O desempenho abaixo do esperado, segundo o setor produtivo, pode influenciar na hora do planejamento do ciclo futuro. Em Sorriso, os cálculos apontam uma perda na média geral de produtividade de aproximadamente 15%.

A colheita de milho atingiu na última sexta-feira, 19, 96,62% da área destinada ao cereal nesta segunda safra, que totaliza 6,9 milhões de hectares. A região médio-norte, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), era a mais adiantada, com 99,08% da área colhida.

Em Nova Mutum, a colheita do milho segunda safra está na reta final. Apesar das máquinas aceleradas e trabalhos mais avançados em relação à média histórica, o rendimento das lavouras não sairá como o esperado.

Conforme o presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, o milho “surpreendeu” os produtores do município. Ele conta que alguns achavam que iriam colher melhor, enquanto outros nem dariam conta de colher o que retiraram das lavouras.

“Esse ano, devido a esse clima que judiou bastante em algumas partes, Nova Mutum ainda tem 5% para acabar de colher. A produção vai ficar em torno de 14% a 20% menor do que os anos anteriores. Talvez até mais referente ao ano passado”, disse Zen ao Canal Rural Mato Grosso.

Em Sorriso, município que mais produz milho no país, a colheita do cereal está finalizada e o sentimento em relação à produtividade alcançada no campo também é de frustração, com estimativa de média final da safra abaixo da esperada.

Por lá, segundo o presidente do Sindicato Rural, Sadi Beledelli, a média geral de produtividade deve ficar em torno de 15% inferior ante o ciclo passado.

“A grande preocupação esse ano é a baixa do preço do milho. Muito abaixo dos anos anteriores, a relação de troca está bastante complicada. Hoje, para você viabilizar uma planta de milho nessas produtividades de 110, 120 sacas por hectare praticamente empata com o custo de produção. Dependendo da tecnologia que você utilizar, você gasta mais de 120 sacas por hectare para implementar uma lavoura de milho”, relata.

O presidente do Sindicato Rural de Sorriso salienta, ainda, que tal cenário observado pode influenciar nas tomadas de decisões dos produtores para a próxima safra. “O produtor vai fazer conta, analisar se vai continuar esse plantio no ritmo que foi nos últimos anos ou talvez até diminuir em função da viabilidade econômica. Talvez empregar uma tecnologia um pouquinho menor do que vinha empregando em função de que o custo de produção está bastante alto”, frisa Sadi Beledelli ao Canal Rural Mato Grosso.

Ele completa: “Às vezes, compensa você gastar um pouquinho menos, produzir também um pouquinho menos, mas no final a sobra é melhor e o risco também de um investimento alto nesses preços aí fica bastante difícil. Está bastante complicado para o produtor”.

Milho como moeda de troca

No mercado dos negócios envolvendo o milho como moeda de troca, ao mesmo tempo em que o sentimento é de otimismo em relação aos contratos antecipados, há também frustração diante dos preços do cereal e da estimativa de baixa rentabilidade da porteira para dentro.

“Nesses níveis de preços, a margem ficou no tempo. Mais uma vez, nós precisamos ter uma média um pouco maior. Isso acaba fechando os custos, mas também não sobra muito para o produtor. Ele vai fazer os custos, pagar as despesas dele e trabalhar no zero a zero”, salienta o tesoureiro do Conselho das Associações das Revendas de Produtos Agropecuários de Mato Grosso (CERPA-MT), Marcelo Henrique Cunha.

Ainda conforme ele, o produtor travou e “conseguiu organizar os seus custos, não estão especulando muito com o milho”, mas a expectativa de receber em 30 de agosto e 30 de setembro é “muito grande”.

Ele explica: “Nós ainda tivemos produtividade. Não a ideal, mas ainda vai conseguir pagar os custos. A safra passada foi tomada mais cedo também, esse ano ela está um pouco mais atrasada. Está rodando um pouco mais lento, mas está acontecendo”.

Pedro Silvestre e Viviane Petroli