Etanol: Preços

Etanol: Preços

Opinião: Após soluço, preço do etanol é monitorado com cautela


Agência Estado - Publicado: 14 Abr 2016 - 10:40

O mercado ainda tenta entender por que o preço do etanol hidratado caiu 22% nas usinas em apenas 15 dias. Só na semana passada - entre segunda-feira e sexta-feira - a desvalorização do produto foi de 13,4%, maior recuo porcentual semanal em quase cinco anos. Em 2011, entre a última semana de abril e a primeira de maio de 2011, o etanol perdeu 20,36% do seu valor, e isso ocorreu por um motivo essencialmente político: à época, a presidente Dilma Rousseff enquadrou usineiros, pressionou pelo aumento da produção, após o descumprimento da promessa dos empresários de que haveria oferta suficiente de etanol, e ainda lembrou que já era período de safra e o biocombustível pesava na inflação.

Os motivos para a alta de agora são econômicos. A demanda, depois do forte aquecimento no ano passado, está em queda e o mercado paulista, principal consumidor do combustível, foi inundado de etanol de outros estados produtores, como Mato Grosso e Goiás. Outras usinas têm necessidade de liquidez e precisam desovar parte da produção e de seus estoques antes do auge da safra.

Até mesmo rumores de que a Petrobras iria baixar a gasolina contribuíram para a queda no preço do etanol. O recuo no valor do combustível de petróleo interferiria diretamente no preço do álcool e provocou, no início da semana passada, uma correria das usinas para vender o combustível, o que contribuiu para pressionar os preços para baixo.

A dúvida que fica após esse movimento recente no mercado de etanol é se foi só um soluço momentâneo, ou uma daquelas duchas de água fria que acaba com o ânimo do setor sucroenergético, justamente quando comemorava a recuperação de preços do açúcar e do álcool. A avaliação cautelosa do mercado, por enquanto, é que seria apenas um soluço.

O setor vê sinais de um cenário recorrente do passado, quando os períodos de início de safra eram marcados por fortes quedas nos preços, por causa da oferta de etanol por usinas descapitalizadas. Como a safra 2016/2017 começou mais cedo, com prioridade para a produção do etanol ao açúcar, e muitas usinas sequer pararam de processar cana na entressafra, a pressão seria natural.

Analistas internacionais, inclusive, já haviam previsto essa queda no início da safra brasileira. A pergunta agora é se o piso da atual safra já foi encontrado. A aposta, ainda com mais cautela, é que sim. Essa forte queda das últimas semanas logo chegará aos postos, derrubará os preços do etanol nas bombas e aumentará o consumo do combustível.

Em seguida, a maior demanda traria uma inversão natural na curva de baixa do etanol. Além disso, a pressão também viria da oferta do bicombustível, que seria reduzida nos próximos meses com o aumento da produção do açúcar, esse sim já precificado pelo mercado internacional para a safra 2016/2017.

Gustavo Porto