Quando a Taxa Interna de Retorno (TIR) está acima do custo do projeto, os investidores interpretam que este é um sinal para avançar. Segundo a Sertão Bioenergia, a TIR de uma biorrefinaria da biomassa do sisal, para extração de etanol, foi calculada em 20%, contra 1% de investimentos industriais da cana-de-açúcar.
A informação é do idealizador da companhia, o pesquisador da Unicamp Gonçalo Pereira, e de sua sócia australiana, a AusAgave. A empresa da Austrália explora açúcares e fibra de sisal – ou agave –, comum no Nordeste brasileiro.
Desta forma, eles acreditam que o projeto em desenvolvimento não é um experimento acadêmico. Pereira, chefe do laboratório de genômica e bionergia da Universidade de Campinas, tem a experiência empresarial de quem foi um dos fundadores da GranBio, a primeira usina a explorar o etanol de segunda geração.
De acordo com ele, neste momento, a equipe da Sertão Bioenergia segue resolvendo “alguns desafios tecnológicos” importantes para a importação da planta industrial, além de trabalhar no desenvolvimento do protocolo de multiplicação in vitro do sisal.
“Em pouco tempo, teremos esses resultados, que são fundamentais para apresentarmos para investidores”, acrescenta Gonçalo Pereira, que afirma que já há companhias interessadas nos dados.
O projeto ainda tem apoio de estudos adiantados, entre os quais do doutorando Fábio Raya. Ele identificou uma enorme quantidade de biomassa (fibra) em amostras de sisal submetidas há vários anos de seca no sertão. De acordo com o estudo, há de 10% a 25% de matéria seca (utilizável), podendo gerar 66 mil litros de etanol em 176 toneladas por hectare.
Em equivalência de açúcar, segue o cientista, o valor seria de 140 toneladas. Ele lembra, contudo, que não seria possível produzir açúcar de mesa com a matéria-prima. Ainda assim, o sisal seria “absolutamente adequado para a produção de etanol”.
De acordo com os levantamentos, o produto seria melhor até mesmo que a cana-energia, planta com alto teor de fibra que foi desenvolvida para a fabricação de E2G. Como o sisal é considerado “rústico”, ele não agrega custos elevados para a produção comercial. Além disso, a cultura não teria sazonalidade.
Giovanni Lorenzon