
O mais recente plano de recuperação judicial do setor sucroenergético foi aprovado em assembleia de credores no final do mês passado. Trata-se da tentativa de sobrevivência da Companhia Açucareira Paraíso, grupo com uma usina, localizada em Campos dos Goytacazes (RJ). Com 115 anos de história, a empresa é umas das poucas sucroalcooleiras que resistem no norte fluminense e a única delas que ainda mantém controle familiar.
Nos últimos 50 anos, a secular indústria canavieira do estado do Rio de Janeiro, foi paulatinamente reduzida até sua quase extinção (veja infográfico com a vida e morte das usinas). Em 1965, funcionavam 29 usinas; meio século depois, o número de unidades foi reduzido a quatro. Além da Paraíso, no norte fluminense operam a Coagro – prestes a mudar de endereço – e a Usina Canabrava e, na região central do estado, em Cabo Frio, a Agrisa.
Na última safra, 2014/15, embora oficialmente operando, a Usina Paraíso não chegou a acionar a moenda. A empresa entrou em recuperação judicial em janeiro de 2014 e de lá pra cá a indústria esteve inativa. Nesse período a produção de cana-de-açúcar foi vendida e foram prestados serviços à outras usinas da região.
Apesar da pequena atividade sucroalcooleira, a disputa por cana é grande. A partir de 2009...
O mais recente plano de recuperação judicial do setor sucroenergético foi aprovado em assembleia de credores no final do mês passado. Trata-se da tentativa de sobrevivência da Companhia Açucareira Paraíso, grupo com uma usina, localizada em Campos dos Goytacazes (RJ). Com 115 anos de história, a empresa é umas das poucas sucroalcooleiras que resistem no norte fluminense e a única delas que ainda mantém controle familiar.
Nos últimos 50 anos, a secular indústria canavieira do estado do Rio de Janeiro, foi paulatinamente reduzida até sua quase extinção (veja infográfico com a vida e morte das usinas). Em 1965, funcionavam 29 usinas; meio século depois, o número de unidades foi reduzido a quatro. Além da Paraíso, no norte fluminense operam a Coagro – prestes a mudar de endereço – e a Usina Canabrava e, na região central do estado, em Cabo Frio, a Agrisa.
Na última safra, 2014/15, embora oficialmente operando, a Usina Paraíso não chegou a acionar a moenda. A empresa entrou em recuperação judicial em janeiro de 2014 e de lá pra cá a indústria esteve inativa. Nesse período a produção de cana-de-açúcar foi vendida e foram prestados serviços à outras usinas da região.
Apesar da pequena atividade sucroalcooleira, a disputa por cana é grande. Entre 2003 e 2008 a oferta de cana na região de Campos dos Goytacazes girava em torno de 4,5 milhões de toneladas. A partir de 2009 esse volume caiu para 2 milhões de toneladas, isso encareceu os custos de produção relata Rogério Leite, que ocupa o cargo de controller na Paraíso.
O executivo comenta que após duas assembleias com credores o grupo conseguiu aprovar o plano de recuperação e terá um prazo de cinco anos para sanar as dívidas que totalizam proximamente R$ 64 milhões.
O encerramento da recuperação judicial poderá ser solicitado em dois anos, caso os compromissos assumidos para esse período sejam cumpridas integralmente.
A Companhia Açucareira Paraíso possui, além da usina, três empresas dedicadas à atividades agrícolas e de prestação de serviços técnicos e operacionais em lavouras – Tócos Agrocanaviera, Agrocanaviera São Martinho e Leite Agropecuária – e uma fábrica de solventes, a Agacê Sucroquímica, que funcionava anexa à usina. O segmento agrocanavieiro possui R$ 35 milhões de dívidas, enquanto a fábrica de solventes responde por mais R$ 29 milhões.
Há ainda o valor não sujeito ao processo de recuperação, relativo a débitos tributários e previdenciários, que totalizam aproximadamente R$ 316,5 milhões.
Origem da crise
A Paraíso afirma que as origens da crise remontam ainda a década de 70 com o tabelamento de preços realizado pelo Instituto o do Açúcar e do Álcool, que deprimiu os preços abaixo dos custos de produção. Daí em diante a usina cita uma série de medidas do governo federal, em diversos governos, que teriam prejudicado a companhia.
No entanto, um dos vilões mais citados é um processo relacionado à Cooperativa Fluminense dos Produtores de Açúcar – CooperFlu, em que a Paraíso era uma das 11 associadas. As antigas cooperadas foram responsabilizadas por financiamentos não quitados pela entidade. A empresa afirma que “apesar de jamais ter tomado recursos significativos pela CooperFlu” foi arrolada judicialmente em mais de 50 processos relacionados a vencimentos ocorridos ainda na década de 80.
Com a execução das dívidas no ano 2000, a empresa ficou impedida de tomar crédito. “Essa asfixia financeira, que impediu o acesso ao muito necessário capital de giro para compra de matéria-prima, deprimiu os resultados e econômico-financeiros do grupo, e certamente contribuiu para o atual cenário que culminou com o pedido de recuperação judicial”.
Trágico 2013
O golpe de misericórdia veio em 2013, quando o faturamento da Paraíso despencou pela metade do registrado no ano anterior. Foram somente R$ 32,7 milhões em vendas, ante os R$ 67,6 milhões em produtos vendidos em 2012.
Naquele ano, com o cultivo de cana já bastante restrito na região, os canaviais ainda sofreram com inundações, seguidas por uma estiagem prolongada o que selou a quebra da produção fluminense.
Com o efeito do clima, a moagem 2013/14 da usina foi limitada a 126 dias, quando o normal, seriam, no mínimo, 180 dias de safra. Como efeito, a unidade registrou as menores quantidades de etanol e de açúcar produzidos desde 2002.
A baixa oferta de cana encareceu o custo matéria-prima prejudicando ainda mais a usina que já não possuía capital de giro suficiente para fazer frente aos preços praticados, tão pouco a possibilidade de crédito bancário.
Retomada como destilaria
A companhia quer voltar à atividade até o final de junho, quando pretende iniciar a moagem e produzir apenas etanol. Segundo Rogério Leite, a fabricação de açúcar deve ficar desativada durante o primeiro ano do plano, tornando a Paraíso uma pequena destilaria. Além das instalações da usina, pode ser utilizada também a fábrica de solventes para a fabricação de etanol.
Nesta primeira safra em recuperação, a moagem será bem reduzida e o processamento deve ficar entre 200 a 300 mil toneladas de cana.
A intenção é retomar a produção de açúcar somente a partir da safra 2016/17.
Amanda SchArr – NovaCana
