Se algumas empresas estão em situação mais confortável, a média, como mostram os números da agência, é crítica
A agência de classificação de riscos Standard and Poor’s (S&P) fez uma análise envolvendo oito empresas do setor sucroenergético que juntas possuem 49 usinas.
O trabalho resumiu a perspectiva dessas empresas, o perfil de risco do negócio e do risco financeiro e a liquidez de cada uma.
A exemplo do que acontece com as usinas do setor como um todo, existe uma grande disparidade entre os grupos monitorados pela S&P. A análise evidencia os dois extremos que separam os grupos mais capitalizados daqueles em situação mais crítica.
Mas se algumas estão em situação mais confortável, a média, como mostram os números da agência, é crítica.
A agência de classificação de riscos Standard and Poor’s (S&P) fez uma análise envolvendo oito empresas do setor sucroenergético que juntas possuem 49 usinas.
O trabalho resumiu a perspectiva dessas empresas, o perfil de risco do negócio e do risco financeiro e a liquidez de cada uma.
A exemplo do que acontece com as usinas do setor como um todo, existe uma grande disparidade entre os grupos monitorados pela S&P. Mas se algumas estão em situação mais confortável, a média, pelo que indica a agência, é crítica.
Os números mostram o que para o setor não é novidade: deterioração do crédito e a menor capacidade do setor sucroenergético em honrar suas dívidas.

A agência ainda arriscou algumas projeções para os próximos 12 meses que não devem agradar o setor produtivo: não haverá melhora significativa na rentabilidade, geração de caixa e nas métricas de crédito das usinas brasileiras e europeias. O principal alerta é que os custos mais elevados de refinanciamento e financiamento representam os principais riscos para estas empresas no curto prazo.
Mesmo projetando uma pequena melhora na relação dívida/EBITDA das usinas em 2015, o indicador deve terminar o ano em 3,6 vezes, o segundo maior patamar desde 2011. No ano passado, o índice, que mede os débitos de uma companhia pela geração de caixa, fechou em 3,7 vezes, segundo cálculos da S&P. Só é esperada uma queda significativa no indicador em 2016, quando a relação dívida/EBITDA média do setor deve chegar a 3,1 vezes, número ainda considerado alto.
Sem mencionar detalhes, a agência também espera um aumento nos níveis da dívida líquida das usinas brasileiras, como resultado de um menor fluxo de caixa operacional livre.


Perfil de risco financeiro
A análise da agência também evidencia os dois extremos que separam os grupos mais capitalizados daqueles e m situação mais crítica.
Raízen e São Martinho, por exemplo, figuram entre as empresas mais “saudáveis”, com perspectiva estável e liquidez adequada.
No extremo oposto, estão as usinas em situação mais delicada, como Virgolino de Oliveira (GVO) e Tonon Bioenergia, que apresentam elevados níveis de alavancagem e liquidez menos que adequada ou fraca, como é o caso da GVO (veja o quadro abaixo).
No entanto, em se tratando do perfil de risco financeiro das companhias, as diferenças diminuem. Das oito usinas monitoradas pela agência, três têm perfil de risco financeiro agressivo - Coruripe, Jalles Machado e Caeté – e três apresentam alta alavancagem, caso da Usina São João (USJ), Tonon e GVO.
A liquidez dos grupos com rating até B+, como é o caso da USJ, Caeté, Tonon e Virgolino, está “exposta a vontade dos bancos em rolar as dívidas de curto prazo, que consistem principalmente em linhas de capital de giro”. Um exemplo recente é a contratação de um empréstimo de R$ 36 milhões pela Jalles para financiamento de capital de giro relacionado à exportação.
A agência considera, ainda, que “a quantidade de dívidas para refinanciamento diminuiu significativamente”, já que a disponibilidade de crédito está próxima ao limite e o Capex das usinas é “limitado”.
A S&P define os prospectos financeiros para a indústria, de forma geral, como “descendentes”.
“Os produtores de açúcar e etanol vão gerar menos fluxos de caixa no longo prazo como resultado de menores preços para o açúcar [no mercado internacional], custos de juros mais elevados e acesso limitado a financiamentos. Isso irá afetar principalmente os players menores, que formam a maior parte deste mercado grande e fragmentado”, resume a agência de classificação de riscos.
Leonardo Siqueira – NovaCana