De acordo com a G7 Consultoria, os estoques de etanol atingiram 70% da capacidade das usinas do Centro-Sul do país. Nesta quarta-feira, 22, o Mercado & Cia conversou com João Baggio, diretor da consultoria, que avaliou como preocupante a situação do escoamento lento do etanol e queda nos preços do açúcar e petróleo.
“O consumo mundial diário de petróleo caiu de 10 milhões para 6 milhões de barris, mas o ritmo de produção não diminuiu, então a tendência é manter esse preço baixo. Isso impacta diretamente o etanol brasileiro e os preços do açúcar, então a tempestade perfeita está se formando”, comenta Baggio.
De acordo com o diretor, muitas empresas avaliam paralisar as atividades. “Usinas em áreas do Centro-Sul, onde começou a safra de cana-de-açúcar, pensam em interromper as operações. Por que produzir etanol se não há consumo?”, questiona João.
Sobre o que deveria ser feito, o diretor da consultoria acredita que as usinas deveriam interromper a produção por 15 a 30 dias e esperar uma retomada no consumo e nos preços. “Se a quarentena não acabar logo e retomarmos a atividade econômica, como as usinas vão produzir o etanol se não terão como estocá-lo? Acredito que a melhor opção seja parar a produção e aguardar uma recuperação no mercado”.
Quanto à cadeia do setor sucroenergético, Baggio acredita que há risco de produtores não receberem sobre a cana-de-açúcar entregue. “Se as usinas recebem pagamentos com prejuízo ou em alguns casos não recebem, as empresas não vão conseguir pagar o produtor”, afirma e complementa: “As usinas possuem vários problemas financeiros há alguns anos, muitas estão em processo de recuperação judicial e não vão conseguir créditos para financiar o pagamento de um fornecedor, dos próprios trabalhadores e dos insumos utilizados para manter os trabalhos. A situação é desesperadora para muitas usinas neste momento”.
O diretor ainda confirmou que muitas usinas alegaram força maior por conta da pandemia da Covid-19 e interromperam ou renegociaram contratos com distribuidoras. Mesmo assim, Baggio prevê um colapso para o setor.
“Não haverá fontes de financiamento, pois muitas usinas independentes estão em processo de recuperação judicial e não há fluxo e nem capital de giro, produzindo um produto com baixa remuneração ou sem remuneração em alguns casos. Com isso, não há como sustentar a produção e o funcionamento das usinas”, finaliza o diretor.