
Da esquerda para a direita: Carlos Eduardo Faroni (São Martinho), Cassio Manin Paggiaro (Santa Adélia), Rodrigo Vinchi (Planiagro) e Silvio Ferreira Junior (Atvos)
Embora o cultivo da cana-de-açúcar tenha uma longa história no Brasil e o agente causador da síndrome da murcha da cana não seja uma novidade para os produtores, a doença ainda tem muitos aspectos desconhecidos. Inclusive, a descoberta de que os sintomas são provocados pela presença de fungos colletotrichum foi divulgada apenas em setembro deste ano, durante evento organizado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Na ocasião, a patologia recebeu o nome de podridão por colletotrichum.
Questionado sobre o fato de a manifestação da doença ser recente, o consultor da Planiagro Assessoria e Consultoria, Rodrigo Vinchi, arriscou um palpite. “Eu acho que parte da resposta passa pelo ambiente”, afirmou, referindo-se a um modelo clássico dos estudos de fitopatologia, que relaciona o surgimento e a progressão de doenças por meio de mudanças no equilíbrio entre hospedeiro (cana), agente (colletotrichum) e ambiente.
“Parece muito tempo, mas produzir cana em Goiás é algo novo. Nós estamos falando em torno de três ciclos de cana no estado. Do ponto de vista agronômico, é algo recente”, cita e completa: “Mesma coisa com ambiente de palha. Dá a impressão que convivemos com palha há 50 anos. Mas, não, faz pouco mais de 15 anos”.
Os dois exemplos de mudanças ambientais não são aleatórios. Os primeiros casos da nova podridão foram observados em Goiás, um estado caracterizado por temperaturas mais altas e um déficit hídrico mais acentuado em comparação com São Paulo.
Além disso, conforme explicou posteriormente a coordenadora de fitopatologia do CTC, Mariana Cicatelli Cia, a presença de palha traz mais oportunidades para a reprodução sexuada do colletotrichum, permitindo variabilidade genética. “A questão da palha é bastante significativa. Não que o setor tenha que voltar a queimar o canavial, mas é lá que o fungo faz reprodução sexuada e é lá que gera diversidade”, aponta.
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- Caminhos a seguir em termos de pesquisas e levantamentos de dados
- Desenvolvimento de novas estratégias para enfrentamento da doença
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