Mais de um ano após ter entrado com pedido de recuperação judicial, a produtoras de equipamentos para usinas de cana-de-açúcar Simisa Simioni conseguiu na justiça a aprovação do seu plano de recuperação. Durante esse período, a empresa teve que fazer correções no valor da causa, que foi de R$ 130 milhões para R$ 172 milhões.
No documento do plano de recuperação, a Simisa ainda alega que sua situação financeira ficou ainda mais prejudicada quando um de seus principais clientes, a Usina São Fernando, também em recuperação judicial, deixou de pagar cerca de R$ 5 milhões em agosto do ano passado. “A falta desse pagamento comprometeu diretamente os mais importantes compromissos da companhia, como o pagamento de sua folha salarial”, afirma.
De acordo com a decisão emitida pelo juiz Marcelo Asdrúbal Augusto Gama, da 2ª vara cível do fórum de Sertãozinho, a Simisa Simioni permanecerá em recuperação judicial até que cumpra com todas as obrigações previstas no plano.
Além da reestruturação de dívidas, o plano ainda prevê readequação da estratégia comercial da empresa com vendas para novos mercados, captação de novos recursos junto a credores, reestruturação societária e alienação de ativos.
Credores com garantia real terão deságio de 25% sobre o valor da dívida e serão pagos em 15 anos. O valor será corrigido anualmente por TR mais 5%. Já os credores quirografários, ou sem garantia, terão deságio de 40% e serão pagos em 20 anos, com correção por TR mais 2,5%.
Para Janser Saloman, sócio responsável pela área da reestruturação de empresas da Rosenberg Partners, que liderou as negociações com credores e reestruturação operacional da Simisa, a importância deste acordo para o futuro da empresa no mercado é enorme.
“A Simisa passou por uma reestruturação muito importante nesse ano, reconquistando a confiança dos seus clientes, e hoje é a empresa melhor posicionada em seu mercado de atuação. Com a aprovação da recuperação judicial, ela estará pronta para voltar a atuar normalmente a partir daqui”, garante.
Considerada uma das mais tradicionais produtoras de equipamentos para usinas de cana do país, a Simisa protocolou seu pedido de recuperação judicial em 18 de novembro de 2014, após uma série de pedidos de execução e um de falência terem sido feitos por credores.
Na petição inicial, a Simisa informava que seu faturamento líquido estava na casa de R$ 220 milhões anuais. Entre seus principais clientes, a empresa cita o Grupo Odebrecht, a usina Umoe, o Grupo Abengoa e o Grupo Raízen, além do grupo venezuelano CAAEZ e da British Petroleum (BP).
Segundo o documento, além de estar sendo penalizada pela própria crise do setor sucroalcooleiro, para o qual vende equipamentos, a Simisa também informou à Justiça que teve perdas oriundas de uma relação comercial com o braço de bioenergia da petroleira BP.
De acordo com a empresa de equipamentos, em informações veiculadas pelo Valor Econômico, a companhia britânica assinou um contrato de fornecimento de equipamentos para a ampliação da usina Tropical, em Edeia (GO), e, depois de fechado o negócio, passou a fazer exigências que oneraram a Simisa em mais de R$ 35 milhões, e aos fornecedores da Simisa em mais de R$ 3 milhões.
Renata Bossle – novaCana.com
Com informações do Valor Econômico