O lucro da Shell no primeiro trimestre de 2026 superou as estimativas e atingiu o maior patamar em dois anos, com US$ 6,9 bilhões, impulsionado por ganhos relacionados à guerra no Oriente Médio. O resultado levou a empresa a aumentar os dividendos em 5%.
Ao mesmo tempo, a companhia reduziu seu programa trimestral de recompra de ações, de US$ 3,5 bilhões para US$ 3 bilhões, para ajudar a direcionar recursos para seu balanço patrimonial após o aumento de sua dívida em decorrência da crise de fornecimento ligada à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
As ações da gigante petrolífera caíram 1,9% no início do pregão desta quinta-feira, 7, tendo um desempenho inferior ao de um índice mais amplo de empresas de energia europeias que caíram 1,1%, mas em linha com a queda dos preços de referência do petróleo.
O lucro ajustado do primeiro trimestre, segundo a definição de lucro líquido da Shell, subiu para US$ 6,92 bilhões, superando a previsão dos analistas de US$ 6,36 bilhões em uma pesquisa fornecida pela empresa e ante US$ 5,58 bilhões no ano anterior.
A produção de petróleo e gás da Shell caiu 4% em comparação com o trimestre anterior.
Os danos causados pela guerra contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, incluíram a usina de gás Pearl do Catar, onde os reparos podem levar cerca de um ano.
O endividamento da Shell, ou seja, a relação entre dívida e patrimônio líquido, incluindo arrendamentos, subiu para 23,2%, ante 20,7% no final de 2025. A Shell já havia sinalizado um aumento da dívida devido à gestão das interrupções e volatilidade de preços e fornecimento relacionadas à guerra, tendo afirmado anteriormente que se sentia muito confortável com a proporção em 20%.
O fluxo de caixa das atividades operacionais, de US$ 6,1 bilhões, foi afetado por grandes oscilações nos valores dos estoques, levando o capital de giro – uma medida de liquidez que representa os ativos circulantes menos os passivos – a um valor negativo de US$ 11,2 bilhões.
A Shell espera que as variações no capital de giro se revertam com o tempo, caso os preços do petróleo e do gás diminuam.
Shadia Nasralla e Stephanie Kelly