A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse nesta quarta-feira, 21, ao sair de reunião com representantes do setor sucroalcooleiro, em Brasília, que o setor precisa de uma forte reestruturação sistêmica. Segundo ela, as usinas passaram por dificuldades e agora existem muitas "tarefas a serem desenvolvidas para fortalecer esse setor". Para a ministra, a elevação da Cide e do PIS/Cofins na gasolina em R$ 0,22 vai melhorar a rentabilidade e o desempenho do setor.
A ministra disse ainda que o setor sucroalcooleiro está preparando propostas, por meio de sua entidades representativas, para sanear as dívidas. Ela disse que as dívidas são distintas e precisam ser analisadas para que se possa pensar em um plano consistente.
Mistura de etanol na gasolina
Kátia Abreu disse também que aguarda com ansiedade o aumento do porcentual de mistura de etanol anidro na gasolina, o que pode ser anunciado no início de fevereiro. Segundo ela, a expectativa é de que a elevação seja de pelo menos dois pontos porcentuais sobre os atuais 25%. Para Kátia Abreu, o governo deu uma grande sinalização com a elevação da Cide e do PIS/Cofins na gasolina, mudança que, na visão dela, vai melhorar a performance de rentabilidade do setor.
"Essa elevação da porcentual de etanol na gasolina está sendo visto com critério para não haver prejuízo para os carros e para os proprietários", afirmou. "Melhorar a performance dos carros é de extrema importância para que os consumidores fiquem satisfeitos e para que não haja preconceito quanto ao combustíveis usados nos carros", argumentou.
Geração de energia
A ministra disse ainda que o setor sucroalcooleiro quer participar da geração de energia, mas o formato dos leilões, na visão dela, não atende a categoria. "O formato do edital tira competitividade das empresas do setor", afirmou. A ministra disse que vai propor ao governo um novo formato. "Nós formaremos um modelo de edital que pode ser compatível com o setor para apresentarmos aos outros colegas, ao Ministério de Minas e Energia e à Casa Civil", explicou.
Segundo ela, há um potencial enorme de produção de energia, não só a partir do bagaço da cana como também de celulose e de outros resíduos. "É o caminho da energia limpa", defendeu. A ministra afirmou que não há prazo para a formatação dessa proposta de modelo.
De acordo com Kátia Abreu, para que os investimentos em cogeração saiam do papel o setor necessita de previsibilidade. "O que eles pedem é regularidade e consistência, não mudança nas regras do jogo. O plano da matriz energética elaborado pelo governo, com toda competência, tem de estar concatenado com o programa da Petrobras", argumentou. "O programa da Petrobras não pode estar em choque com o da matriz energética", reforçou.
Victor Martins