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Setor sucroalcooleiro viverá novo ciclo de expansão, aposta EPE

epe-211113Empresa vinculada ao MME adota premissa de que o etanol voltará a ficar competitivo e projeta detalhes da evolução do setor sucroenergético
NovaCana 7 min de leitura
A proposta do novo plano energético nacional da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), organização pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, aposta que o etanol voltará a ser competitivo graças à premissa de que haverá alterações na tributação do biocombustível.

Esta situação, aliada à redução nos custos de produção, desencadeará dois novos ciclos de expansão nos próximos dez anos. A EPE acredita que o setor sucroenergético verá alterações em diversos indicadores chave que alavancarão o desenvolvimento dessa indústria no Brasil.

Veja a seguir os detalhes da visão da EPE em relação ao impacto das novas tecnologias de fermentação, a evolução da eficiência no aproveitamento do ATR, como se comportará o ATR por tonelada de cana, o índice de renovação dos canaviais e a instalação de novas usinas nesses dois períodos.

A proposta do novo plano energético nacional da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), organização pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, aposta que o etanol voltará a ser competitivo graças à premissa de que haverá alterações na tributação do etanol.

Esta situação, aliada à redução nos custos de produção, desencadeará dois novos ciclos de expansão nos próximos dez anos. A EPE acredita que o setor sucroenergético verá alterações em diversos indicadores chave que alavancarão o desenvolvimento dessa indústria no Brasil.

Para atender à demanda futura por etanol, a área cultivada de cana-de-açúcar deve aumentar em um terço até 2022. A estimativa prevê, ao mesmo tempo, uma ampliação de 121% na demanda pelo biocombustível de cana (54,5 bilhões de litros).

O descompasso entre o tamanho da ampliação da área cultivada e o aumento de demanda pelo biocombustível prenunciado para o final do decênio está relacionado a fatores agrícolas e industriais.

O primeiro fator é uma alteração no mix das usinas, que passarão a produzir mais álcool do que açúcar, na proporção de 62,1% para o biocombustível, em comparação ao índice de 52,9% considerado pela EPE para 2013. Associado a isso, há perspectiva de aumento da eficiência na conversão do ATR em etanol, enquanto o fator de conversão para a commodity deve permanecer inalterado. "Ao longo do período decenal, o fator de conversão do hidratado varia de 1,684 a 1,642 kg ATR/litro e o do anidro, de 1,757 para 1,714 kg ATR/litro, ambos por eficientização do processo de transformação do ATR em etanol. Já o fator de conversão do açúcar permanece constante, em 1,049 kg ATR/kg".

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O aumento da eficiência está relacionado à adoção de novas modalidades de fermentação, como a tecnologia do alto teor alcoólico, disponível para comercialização, e à fermentação a vácuo, ainda em estudo.

Na parte agrícola, tanto a produtividade de cana por hectare, quanto o ATR por tonelada também devem ser incrementados.  "O cenário de investimento em tratos culturais e renovação do canavial estimado no PDE 2022 fará com que a produtividade da cana no Brasil atinja 88,6 tc/ha em 2022. Para isso, admite-se que a taxa de renovação, de 2013 a 2022, atingirá uma média de 17% a.a. em relação à área de cana soca e que serão reformadas, em média, 1,25 milhões de hectares por ano", projeta o documento.

Enquanto isso, o ATR por tonelada de cana nos anos iniciais do período fica em 138,6 kg/tc. Já entre 2017 e 2022, é considerado um ganho significativo e a EPE admite que o rendimento médio será de 143,2 kg/tc.

A partir dessas premissas, no horizonte decenal, a área colhida aumentará de 8,5 para 11,2 milhões de hectares, um crescimento de 2,8% ao ano e de 31,7% no acumulado do período. Já com o aumento de produtividade, espera-se evitar a utilização de 3 milhões de hectares adicionais.

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Curto prazo: mais 148 mi/ton e nove usinas

Considerando uma capacidade de moagem instalada para 728 milhões de toneladas de cana, correspondente a 396 usinas registradas no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento quando da elaboração no material (o número mais atualizado do MAPA é de 386), o estudo estima que apenas 76% do potencial de moagem instalado esteja em uso. O índice seria justificado pela restrição da oferta de cana.

Conforme a EPE, nos próximos dois anos esta capacidade ociosa deve ser aproveitada, assim como a possibilidade de expansão das unidades já existentes. Para o prognóstico do decênio, são traçados dois momentos distintos. O primeiro vai de 2013 a 2015, período em que "os investimentos para expansão da capacidade podem ser identificados com razoável precisão, pois o tempo médio para construção e partida de uma usina é de três anos".

Para esta fase inicial é calculada a instalação de nove usinas, que devem acrescentar uma capacidade de moagem nominal de 25 milhões de toneladas de cana. O documento ressalva que uma usina não entra em operação com capacidade plena, o que leva quatro anos, em média, para acontecer.

A expectativa limitada de novos projetos, em "quantidade significativamente inferior à observada nos últimos anos", se justifica pelo "reflexo da desaceleração do crescimento do setor sucroenergético, após a crise global de crédito em 2008 e 2009, e da expectativa dos agentes do setor com relação a novos incentivos governamentais para a produção de etanol". Entretanto, mesmo "limitada", a quantidade prevista já parece estar comprometida, já que, das nove unidades, três seriam instaladas este ano, o que não se confirmou.

Expansão da capacidade instalada e ociosidade

"A ociosidade da capacidade instalada atual, juntamente com a implantação de projetos greenfield entre 2013 e 2014, possibilitará a moagem adicional de aproximadamente 148 milhões de toneladas de cana, implantada de modo escalonado. Em termos de área colhida, isso representa 1,8 milhão de hectares de área de expansão [com produtividade média de 82 t/h]".

Ainda segundo o PDE 2022, apenas com a expansão das unidades já instaladas o parque do setor sucroenergético poderia incrementar a capacidade de moagem em 56 milhões de toneladas ao ano. Para chegar a esse número, a EPE e o MME levam em conta que somente 18% das unidades instaladas antes de 2007 teriam condições para expansão, o que corresponde a 23 unidades. Estas "teriam condições de expandir sua capacidade de moagem de cerca de 1,5 para 2,5 milhões de toneladas de cana ao ano".

Entre as 85 usinas mais novas, instaladas de 2007 a 2011, 35 poderiam expandir a moagem nominal existente – entre 1,5 e 2,7 milhões de toneladas – para 3 milhões de toneladas de cana ao ano.

2016 a 2022

Embora arrisque projeções, o documento ressalva que, para o período a partir de 2016, "as incertezas do mercado de etanol e de açúcar impedem uma quantificação precisa da expansão da capacidade industrial do setor através de unidades greenfield".

Para o período de 2016 a 2022, o cenário é de 39 usinas novas, com capacidade média de moagem de 4 milhões de toneladas de cana.

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"Considerando-se as premissas estabelecidas, a produção de etanol sairá de 26,7 bilhões de litros em 2013, atingindo 43,8 bilhões de litros em 2017. A partir de 2017, estima-se que os investimentos efetuados no período possibilitem um novo ciclo de expansão. Neste cenário, a produção atingirá 53,8 bilhões de litros em 2022. Além disso, admitiu-se que será necessário realizar pequenas importações deste produto para atender a demanda esperada. A média dos volumes importados no período decenal é de 680 milhões de litros", finaliza o PDE.

Acesse aqui a proposta completa.

Amanda SchArr – NovaCana
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