A política de preços da Petrobras, que entrou em vigor em maio deste ano, não está agradando boa parte do setor sucroenergético. Pelo menos, é o que é possível concluir a partir das falas feitas durante a 23ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em painel sobre política de preços dos combustíveis.
O bate-papo teve a presença do presidente da Acelen, Luiz de Mendonça; do presidente e CEO da Atvos, Bruno Serapião; e do presidente da frente parlamentar do etanol e deputado federal, Zé Vitor (PL-MG). Além disso, a moderação ficou a cargo do presidente da Bioenergia Brasil e da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos Filho.
O principal tema do painel foi a previsibilidade; ou melhor, a falta dela. “No etanol, temos uma ausência de previsibilidade muito grande. Ele é o substituto perfeito da gasolina, então sempre está lastreado à política de preço dela, e o diesel é um dos nossos grandes insumos. Esse binômio faz as companhias irem melhor ou pior”, considera o presidente e CEO da Atvos.
Ele ainda completa: “Nesse mercado, temos uma incerteza muito grande que é o clima, mas é parte do negócio. Então, quanto mais previsibilidade conseguirmos dar à cadeia, melhor”.
Para endossar sua visão, ele faz um comparativo com os mercados de bioenergia e de açúcar. “As estruturas de governo para energia deram previsibilidade de receita por dez anos e permitiram que todos os investimentos fossem feitos. O mercado de cogeração é real por isso”, considera. Já no açúcar, o preço em Nova York permite que compradores e vendedores negociem com até três anos de antecedência, estruturando a produção.
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