Representantes do setor sucroenergético estarão em Brasília na semana que vem para conversas com os ministros Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) e Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Os encontros estão marcados para terça (31) e quarta-feira (1º) mas, por ora, as agendas das Pastas não confirmam as reuniões. Na pauta, demandas do segmento, com destaque para a elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre a gasolina, hoje em R$ 0,10 por litro, segundo relataram fontes ao Broadcast Agro.
O próprio setor se reunirá na quarta-feira para montar uma agenda em torno de suas reivindicações. No caso da Cide, a ideia é apresentar o tributo como menos abrangente que uma eventual CPMF, já que afeta só consumidores de gasolina, e de rápida implementação e ambientalmente positivo, por taxar um combustível fóssil. Não se afasta, inclusive, recorrer ao Ministério da Saúde, de modo a evidenciar os danos à saúde humana por causa da poluição decorrente da queima do derivado de petróleo. Dessa forma, a Cide perderia parte de seu cunho econômico e se voltaria mais para o âmbito socioambiental. "Com esse governo devemos ter uma abertura melhor. O governo quer estimular o empresariado", destacou uma das fontes.
Zerada em 2012, a Cide foi recomposta em fevereiro do ano passado pela então presidente Dilma Rousseff. O setor de etanol, beneficiado pela medida, pede, porém, a elevação do tributo para algo próximo de R$ 0,60 por litro, o que representaria uma correção monetária em relação aos R$ 0,28 por litro que incidiam em 2002, quando a taxa foi criada. Cálculos do segmento sucroenergético mostraram, em setembro passado, que esse aumento geraria receita adicional de R$ 15 bilhões para o governo, que neste ano prevê um déficit de R$ 170,5 bilhões. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem afirmado, porém, que anúncio de aumento de imposto não está no radar, neste momento.
Além da Cide, o setor sucroenergético reivindica também a liberação de mais recursos e o financiamento de estoques de etanol para o período da entressafra de cana, entre janeiro e março. No ano passado, as linhas para renovação de canaviais e estocagem de álcool saíram só na virada de agosto para setembro e com juros mais altos, desestimulando a demanda por esses recursos. No total, o desembolso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor de cana em 2015 foi de R$ 2,744 bilhões, 60% a menos na comparação com 2014.