A indústria global de biocombustíveis pode estar passando por uma nova onda de investimentos. É o que apontam os dados primários da Irena e da CPI
A indústria global de biocombustíveis pode estar passando por uma nova onda de investimentos. Ao menos é o que apontam os dados primários consolidados pela Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena) e pela Climate Policy Initivative (CPI) na terceira edição ao relatório Global Landscape of Renewable Energy Finance (Panorama Global do Financiamento da Energia Renovável, em tradução aproximada) que foi publicado nessa quarta-feira, 22.
Atualizado a cada dois anos, o documento busca mapear para onde estão indo os investimentos no segmento de energia renováveis e identificar tendências por tecnologia, região, setor e fontes de financiamento.
Segundo a edição mais recente do relatório, o setor de biocombustíveis atraiu um total de US$ 12 bilhões em investimentos durante o biênio 2021-2022. Esse é – de longe – o maior valor para o segmento na série histórica elaborada pelos técnicos das duas entidades. Entre 2013 e 2020, a média anual esteve na faixa dos US$ 1,6 bilhões.
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A indústria global de biocombustíveis pode estar passando por uma nova onda de investimentos. Ao menos é o que apontam os dados primários consolidados pela Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena) e pela Climate Policy Initivative (CPI) na terceira edição ao relatório Global Landscape of Renewable Energy Finance (Panorama Global do Financiamento da Energia Renovável, em tradução aproximada) que foi publicado nessa quarta-feira, 22.
Atualizado a cada dois anos, o documento busca mapear para onde estão indo os investimentos no segmento de energia renováveis e identificar tendências por tecnologia, região, setor e fontes de financiamento.
Segundo a edição mais recente do relatório, o setor de biocombustíveis atraiu um total de US$ 12 bilhões em investimentos durante o biênio 2021-2022. Esse é – de longe – o maior valor para o segmento na série histórica elaborada pelos técnicos das duas entidades. Entre 2013 e 2020, a média anual esteve na faixa dos US$ 1,6 bilhões.
O valor agrega os investimentos feitos em biodiesel, etanol e biometano. A BiodieselBR.com entrou em contato com a Irena e a CPI, questionando se a legenda “biocombustíveis” inclui outros energéticos, como o óleo vegetal hidrotratado (HVO) ou o bioquerosene de aviação que vêm atraindo investimentos relevantes nos últimos anos, mas, até o fechamento deste texto, não obteve resposta das agências.
O aumento repentino não passou despercebido. Embora não se aprofunde sobre os motivos do crescimento nos investimentos, o relatório opina que “uma parte substancial” desse movimento está relacionada com o aumento dos custos de matérias-primas registrados nos últimos anos. “Políticas voltadas ao investimento em bioenergia devem ser desenhadas para assegurar seu uso sustentável”, pontua.
A despeito dos motivos, a alta recente mostra uma recuperação notável na atratividade do setor. No biênio 2016-2017, os investimentos no segmento biocombustíveis acompanhados pela Irena e pela CPI haviam sofrido uma retração bastante notável, ficando abaixo da marca de US$ 1 bilhão no total.
Bioenergia
A legenda “biocombustíveis” não é a única ligada à bioenergia no relatório. Sob o guarda-chuva “biomassa” também entram investimentos em geração de eletricidade a partir da queima de matéria orgânica e biogás.
Nos últimos dez anos, esse segmento tem atraído uma média de US$ 7,3 bilhões ao ano. Em 2022, contundo, a participação da biomassa no bolo caiu para US$ 3 bilhões, ficando abaixo do valor computado para biocombustíveis no mesmo período
Minoritárias
Apesar do aumento nos desembolsos, os biocombustíveis continuam sendo uma fração bastante modesta nos investimentos globais em energias renováveis.
Segundo o relatório, no ano passado, os aportes beiraram a marca do meio trilhão de dólares pela primeira vez. Embora os investimentos venham crescendo em um ritmo de 8,5% ao ano de 2013 para cá, eles ainda estão bem abaixo do que seria necessário para atender a meta de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C.
Pelas contas da Irena, o mundo teria que investir uma média de US$ 1,25 trilhão por ano entre 2021 e 2030 se quiser evitar os cenários mais catastróficos para as mudanças climáticas.
Além de inferiores ao que seria necessário, os gastos estão ainda altamente concentrados. Em 2022, as fontes de energia fotovoltaica e eólica – tanto onshore quanto offshore – ficaram, respectivamente, com 60% e 35% do montante.
Descontados ainda os investimentos em energia solar termal – outros 2% do total – restam apenas 3% para investimentos em bioenergia, geotérmica, hídrica e marinha.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com