A Sertão Bioenergia, ainda em fase de criação, é uma companhia que pretende produzir etanol do agave, o popular sisal. E é do semiárido nordestino, berço natural da planta, que seu proprietário – o professor da Unicamp, Gonçalo Pereira – vai seguir o exemplo do México e da Austrália, que já utilizam esta matéria-prima para produzir o biocombustível.
Anunciada em novembro do ano passado, a Sertão Bioenergia agora divulga uma parceria com a Ausgave, da Austrália. A companhia da Oceania deve ser sócia da produtora de etanol brasileira.
O modelo de atuação da Sertão Bioenergia deve seguir o da sua parceira australiana. “Em 2005, o agrônomo australiano Don Chambers resolveu investir na ideia e criou a empresa Ausagave, que seleciona as variedades mais produtivas, desenvolve novas variedades e multiplica as mudas, manejo e colheita da planta”, relata o professor e empresário.
De acordo com Pereira, coordenador do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp e um dos executivos da primeira fase da GranBio, a primeira empresa a processar o etanol de 2ª Geração (2G), a produtividade do agave no México, após cinco anos, é de 880 toneladas por hectare.
Sem sazonalidade, ou seja, sem entressafra, o sisal pode gerar até 66 mil litros de etanol em 176 toneladas por hectare. Segundo a experiência do México, que mais deve aproximar das condições de exploração comercial no Brasil, há uma variação entre 10% e 25% de matéria seca.
Além disso, isso também seria equivalente a 140 toneladas de açúcar. Porém, o adoçante seria um polímero de frutose, que não serve para a produção do açúcar de mesa. Entretanto, a planta é considerada adequada para a produção de etanol.
Pereira, que pede reserva em relação à data de lançamento da nova empresa, acredita que isso deve ocorrer ainda neste semestre. Recentemente, ele percorreu várias regiões do sertão já pensando em contatos com produtores de sisal.
A Sertão Bioenergia, segundo ele, vai abrir uma janela para a produção de etanol levando renda ao sertão e ajudando a diminuir o déficit de biocombustível no Nordeste, onde a produção a partir da cana-de-açúcar não alcança o consumo e, na maioria das vezes, depende de importações de etanol dos Estados Unidos.
Giovanni Lorenzon