
Durante o processo de produção de sementes sintéticas em laboratório, células da variedade selecionada de cana-de-açúcar são estimuladas a se multiplicarem
A busca por maneiras de facilitar o plantio de cana-de-açúcar tem motivado pesquisadores e produtores há décadas. O alto custo para renovação dos canaviais e as dificuldades para a adoção de novas variedades, por exemplo, estão entre os principais empecilhos para avanços no setor sucroenergético, que se encontra com índices de produtividade praticamente estagnados.
Uma jornada nesse sentido vem sendo traçada pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). De acordo com o gerente de pesquisa Suleiman Hassuani o projeto de sementes sintéticas do CTC começou em 2011, mas “ganhou corpo” há cerca de quatro anos, quando houve uma validação da parte biológica.
“O objetivo é criar um novo sistema de plantio para o setor de cana-de-açúcar”, relata e explica: “Todos os sistemas alternativos de plantio que foram tentados até hoje usavam sempre um pedaço da cana; você tem que plantar um canavial, tirar aquele pedaço e transformar aquilo em uma raiz. Então, a ideia desse projeto é sair desse conceito e ir para algo totalmente inovador”.
A novidade mencionada por Hassuani envolve produzir o material biológico dentro de uma fábrica, em larga escala, e de uma forma que tenha logística facilitada. “Quando a gente teve a validação de que é possível fazer isso em laboratório e, futuramente, em fábricas, partimos para as etapas seguintes: entender como ganhar escala de produção e como levar para o campo de uma forma protegida”, conta.
Com esse avanço, a diretoria do CTC intensificou a aposta no produto e iniciou ações para permitir seu lançamento comercial. O diretor de recursos humanos e comunicação corporativa Fabio Hayashida relata que, embora ainda não haja um prazo para a semente sintética estar disponível, o plantio em larga escala em usinas parceiras deve começar em 2023.
De acordo com ele, aliás, chamar o produto de “sementes sintéticas” é simplificar o lançamento, pois todo o sistema de plantio da cana-de-açúcar deve mudar com a alternativa proposta. “Atualmente, plantar cana-de-açúcar é uma operação de guerra que dura um ano inteiro. Para se plantar 1 hectare, você precisa de 20 toneladas de toletes”, relata.
“É algo novo. É todo um sistema integrado. É revolucionar o plantio da cana. É tentar mudar tudo isso que é feito há 500 anos no Brasil”, Fabio Hayashida (CTC)
Saiba mais no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana:
- Outras pesquisas com sementes sintéticas
- O que falta para o lançamento comercial
- Vantagens da proposta do CTC
- Novo sistema de plantio: o que muda na prática
- Uma nova logística para o setor sucroenergético
- Como é produzida uma semente sintética
- O processo de desenvolvimento adotado pelo CTC
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