A semana deve ser de pressão para os futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A avaliação é de que a atual conjunção de fatores baixistas pode colocar os contratos novamente no terreno dos 12 cents por libra-peso nos próximos dias, abaixo, portanto, do suporte de 13 cents/lb.
Conforme Tom Kujawa, da trading Sucden, as turbulências nos mercados globais já afetam os futuros de demerara. "A economia mundial parece estar caminhando para um novo precipício financeiro, com a queda dos mercados de ações e dos preços de energia, rumores de colapso de fundos de investimento e a adoção de taxas de juros negativas por bancos centrais", disse à Dow Jones Newswires. "É difícil imaginar que teremos um rali sustentado do açúcar nesse ambiente em deterioração."
Reforça esse cenário o avanço da colheita no Centro-Sul do Brasil, que melhora a perspectiva de oferta no curto prazo. Há ainda o clima favorável aos trabalhos de campo, com chuvas esparsas na principal região produtora do País, e a depreciação do real ante o dólar. Na sexta-feira, a moeda norte-americana voltou a flertar com os R$ 4, fechando em R$ 3,9953 (+0,16%), o que estimula exportações por produtores brasileiros.
Nos gráficos, os futuros iniciam a semana com suporte em 13 cents/lb, seguido pelo de 12,66 cents/lb (mínima de 1º de fevereiro). Para cima, há uma resistência em 13,50 cents/lb e, depois, nos 13,56 cents/lb, máxima da semana passada.
Na sexta-feira, março subiu 8 pontos (0,61%) e fechou em 13,15 cents/lb. Os lotes para maio avançaram 10 pontos (0,77%) e terminaram em 13,12 cents/lb, com máxima de 13,22 cents/lb (mais 20 pontos) e mínima de 12,97 cents/lb (menos 5 pontos). Na semana, acumularam desvalorizações de 0,90% (menos 12 pontos) e de 0,15% (menos 2 pontos), respectivamente.



O spread março/maio, que iniciara a semana passada em 13 pontos, terminou sexta em 3 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.
E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos reduziram o saldo comprado em açúcar em 30.307 lotes na semana encerrada em 9 de fevereiro. A posição passou de 73.666 para 43.359 lotes.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 81,59/saca, baixa de 0,27% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,42/saca (-0,73%).
