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Seca reduz em 10% produção de álcool e açúcar em Sergipe

Começa a moagem da safra 2013/14: previsão de 2,2 milhões de toneladas
Jornal da Cidade.net 4 min de leitura
As cinco usinas instaladas na região do Cotinguiba devem moer até março do próximo ano 2,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A previsão é do empresário Osvaldo Leite Franco, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool do Estado de Sergipe. A moagem da safra 2013/2014, que começou na semana passada, envolve as usinas São José do Pinheiro, Campo Lindo, Taquari, Iolando Leite e Junco Novo. A cana a ser processada nos próximos meses é 10% inferior à produção de 2012/2013.

De acordo com Osvaldo Leite Franco, que também dirige a São José do Pinheiro, as cinco usinas devem produzir agora cerca de 2,5 milhões de sacos de açúcar, cada um com 50 quilos, 80 milhões de litros de álcool hidratado (etanol) e 50 milhões de litros de álcool anidro (que é misturado à gasolina). "Vamos registrar uma queda de produção em relação à safra passada por conta da seca, considerada uma das cinco piores dos últimos 50 anos em Sergipe", explica o empresário e presidente do Sindicato. Segundo ele, a produção prevista pode ser um pouco maior ou menor, dependendo das chuvas registradas na região nos próximos meses.

A colheita e moagem da cana aumenta consideravelmente o índice de emprego na região do Continguiba. Pelos cálculos do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool, neste período, as cinco usinas empregam diretamente cerca de 10 mil trabalhadores, sendo que outros 5 mil são beneficiados indiretamente. Somente a Usina Pinheiro gera durante a moagem - desde a produção da matéria-prima ao processamento industrial - 3 mil empregos diretos e outros 2 mil indiretos.

Os produtores sergipanos de açúcar e álcool têm queixas. A principal delas diz respeito ao congelamento do preço da gasolina que repercute no do etanol. É bem verdade que a presidente Dilma Rousseff desonerou tributos, como PIS e Cofins, mas Osvaldo Franco afirma que os empresários do setor preferiam que o governo não interferisse no mercado, congelando o valor da gasolina, por exemplo. Por isso e por causa da queda da produção, ele considera que 2013 foi um ano difícil para o setor.

Exportação de açúcar
Das cinco usinas sergipanas que processam cana, a Pinheiro é a única que exporta parte da produção de açúcar. Osvaldo revela que entre 15% a 20% do que é produzido vai para países do Oriente Médio, África e Colômbia. O álcool processado pela Pinheiro é comercializado em Sergipe e na Bahia. A usina também gera energia através da biomassa. "Hoje geramos oito Megawatt-hora e vendemos três MWh, mas pretendemos chegar a 10 MWh no final de 2014 com a conclusão do projeto de geração de energia", explica o empresário.

Cana ocupa 26 mil ha
Dados da "União da Indústria de Cana-de-Açúcar – Única" mostram que a cana-de-açúcar ocupa em Sergipe 26.653 hectares, com a área plantada localizada nos municípios de Capela (19,9%), Laranjeiras (17,1%), Japaratuba (15,9%), Pacatuba (9,8%), Riachuelo (5,1%) e Japoatã (4,4%), Nossa Senhora das Dores (4,2%), Maruim (4,1%), Rosário do Catete (3,3%), Siriri (2,8%), Santo Amaro das Brotas (2,6%), São Cristóvão (2,2%), Neópolis (1,9%), Areia Branca (1,7%), Muribeca (1,6%), São Francisco (1,4%) e 2% nos municípios de Santa Rosa de Lima, Carmópolis, Divina Pastora, Malhada dos Bois, Cumbe, Santa Luzia de Itanhy e Santana do São Francisco.

Os fornecedores de cana-de-açúcar têm papel importante na produção sucroalcooleira sergipana. Segundo levantamento da Única, eles respondem por 31,7% da matéria-prima, cabendo aos fornecedores os outros 86,3%. Em Sergipe, o plantio da cana ocorre nos meses de junho (24,2%), julho (36,5%), agosto (34%), setembro (3,1%), outubro (1,9%) e novembro (0,3%). O corte é realizado nos meses de setembro (8,7%), outubro (18,7%), novembro (22,6%), dezembro (23,2%), janeiro (17,1%), fevereiro (8,7%) e março (1%).

Adiberto de Souza
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