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Seca afeta tráfego de barcaças com milho do Brasil nos rios amazônicos, dizem agentes

Uma seca severa está afetando o tráfego de barcaças no rio Tapajós, na floresta amazônica, informaram as agências de navegação

Reuters 3 min de leitura

Uma seca severa está afetando o tráfego de barcaças no rio Tapajós, na floresta amazônica, informaram as agências de navegação aos clientes nesta semana, em um momento em que o Brasil entra nos últimos meses da temporada de exportação de milho de 2023.

“Devido à estação seca no rio Amazonas, a situação atual da navegação de barcaças no rio Tapajós está ficando restrita”, disse a agência de navegação Alphamar em uma nota aos clientes vista pela Reuters.

Os comboios de barcaças estão menores do que o normal e, em alguns casos, as barcaças estão reduzindo suas cargas em cerca de 50% para poderem navegar com segurança em alguns trechos do Tapajós, acrescentou.

A agência Cargonave disse aos clientes que o navio MV Bravery, que deveria ancorar no porto de Santarém para carregar milho no Estado do Pará, foi afetado.

“A improbabilidade de carregamento devido à falta de logística para abastecer o navio é algo real e relevante”, escreveu a Cargonave.

De acordo com os dados da Cargonave, o MV Bravery estava previsto para chegar a Santarém em 10 de outubro. Agora ele atracará em 25 de outubro, quando deverá levar quase 56 mil toneladas de milho para o Irã.

O Cargonave disse que o calado dos portos privados nas margens do rio Tapajós está nos níveis mais baixos de todos os tempos.

A Amport, um grupo que representa os operadores portuários privados da Amazônia, incluindo a Cargill e a Louis Dreyfus Company, disse que os comboios de barcaças estão reduzindo suas cargas em 50% no rio Madeira e em 40% no rio Tapajós, respectivamente.

A redução de cargas é normal durante a estação seca, mas em uma proporção menor, disse a Amport.

A região da foz do rio Madeira permanece 70 cm acima dos níveis atingidos durante a seca histórica de 2010, enquanto o Tapajós está 25 cm acima dos níveis mínimos de 2010, informou a Amport.

A operadora de barcaças Hidrovias do Brasil (BVMF:HBSA3) reconheceu um cenário “mais crítico” e que está mudando rapidamente.

Mas a empresa reiterou que suas barcaças estão operando com cerca de dois terços da capacidade no Tapajós, o que é suficiente para garantir a navegabilidade no momento.

Os principais portos marítimos que recebem cargas de grãos dos rios do interior são Itacoatiara, Santarém e Barcarena, e estão operando normalmente, disse a Amport.

Apesar dos efeitos da seca, a Amport ainda projeta movimentação cerca de 25% maior de granéis vegetais em 2023 ante 2022 por meio dos portos fluviais e marítimos da Amazônia brasileira.

Ana Mano

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