Etanol: Mercado

Etanol: Mercado

SCA propõe precificação regional do etanol para preservar R$ 15 bi e ampliar mercado


Agência Estado - Publicado: 04 Nov 2025 - 07:58 | Atualizado: 04 Nov 2025 - 08:51

O CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, apresentou um plano que propõe direcionar até 8 bilhões de litros de etanol a estados onde o combustível ainda é pouco competitivo, sem reduzir a rentabilidade das principais regiões produtoras. A estratégia, segundo ele, poderia preservar até R$ 15 bilhões em receita anual ao evitar uma queda generalizada de preços no mercado nacional.

Durante a 17ª edição do programa Conexão SCA Brasil, Ono explicou que o plano busca abrir espaço para o novo ciclo de crescimento impulsionado pelas usinas de etanol de milho.

“Se trabalharmos 8 bilhões de litros com uma política de preço direcionada para ganhar mercado, preservamos 30 bilhões de litros com melhor remuneração, o que deixaria R$ 15 bilhões de receita incremental para o setor”, afirmou.

A conta, segundo ele, parte da premissa de que, sem uma estratégia regionalizada, o setor precisaria reduzir o preço médio em cerca de R$ 0,50 por litro sobre todo o volume nacional de 30 bilhões de litros para escoar a produção crescente. Ao concentrar a política de preços apenas nos estados menos competitivos, o setor ampliaria o consumo em novos mercados e, ao mesmo tempo, evitaria erosão de margens nas regiões consolidadas.

Um levantamento da SCA Brasil mostra que seis estados concentram 81% de todas as vendas de etanol hidratado do país, enquanto os demais 21 estados, que reúnem 41% da frota flex, respondem por apenas 19% do consumo. “Se dobrarmos as vendas nesses 21 estados, o consumo nacional subiria em 4 bilhões de litros e a participação do etanol no ciclo Otto passaria de 23% para 30%”, detalhou Ono.

Para o executivo, a chave está na integração entre política tributária e logística regional. “A democratização do etanol exige ações coordenadas que tornem o produto competitivo nas bombas, como já ocorreu em Mato Grosso e São Paulo”, disse.

Ono concluiu destacando o papel do milho na nova geografia do biocombustível. “A pujança do etanol de milho é uma realidade que está aí. O milho vai democratizar a expansão do etanol no Brasil”, afirmou.

Leandro Silveira