O grupo sucroenergético São Martinho, um dos maiores produtores de açúcar e etanol do Brasil, registrou lucro líquido de R$ 1,48 bilhão na recém-encerrada safra 2023/24. O valor corresponde a um aumento de 45,3% em comparação com a temporada anterior, 2022/23, quando os ganhos foram de R$ 1,02 bilhão.
Segundo a empresa informou em relatório, o montante é “equivalente ao registrado na safra 2021/22, o maior de nossa história”.
Já a receita líquida da companhia aumentou 4,2% entre as duas safras, de R$ 6,64 bilhões para R$ 6,92 bilhões, recorde da empresa.


Os destaques operacionais da safra, segundo informou a São Martinho, foram a recuperação de produtividade dos canaviais, proporcionando a segunda maior moagem da história da empresa; produção recorde de açúcar, que contribuiu para o maior faturamento já registrado pela companhia; e o início da operação da fábrica de etanol de milho na Unidade Boa Vista.
A planta é a primeira e única integrada de cana e milho autossuficiente em energia térmica e elétrica, sem a necessidade de complemento de biomassa, utilizando exclusivamente o bagaço de cana como fonte de energia.
Já o grande desafio da safra foi a venda de etanol que, devido à baixa demanda pelo combustível, ocasionou preços de venda abaixo do custo de produção durante grande parte do ano, impactando significativamente a margem do produto, conforme aponta o relatório.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 3,07 bilhões em 2023/24 ante R$ 3,36 bilhões em 2022/23, representando queda de 8,5%, com margem de 44,4%. "As performances no trimestre e na safra devem-se aos menores preços de etanol, parcialmente compensados por maiores preços de açúcar e maior volume comercializado (ATR vendido)", comentou a empresa no relatório.
A safra 2023/24 "evidenciou o potencial de produtividade dos nossos canaviais quando submetidos a um clima mais próximo do normal e um regime de chuvas regular", segundo destacou o grupo.
Diante do resultado, o conselho de administração propôs uma distribuição de dividendos de 25% do lucro líquido. Os pagamentos se somarão as recompras de ações, em execução. Com isso, a remuneração aos acionistas deve ir a 50% do lucro caixa, disse o diretor financeiro Felipe Vicchiato.
“Operacionalmente, esta safra evidenciou o potencial de produtividade dos nossos canaviais quando submetidos a um clima mais próximo do normal e um regime de chuvas regular”, apontou a São Martinho.
Com uma recuperação próxima de 20% comparado à safra anterior, a empresa processou 23,1 milhões de toneladas de cana, a segunda maior moagem da história da São Martinho.

“Finalizamos a safra com a comercialização de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de açúcar, 1,1 bilhão de litros de etanol e 700 mil megawatt-hora de energia elétrica, totalizando uma receita líquida de quase R$ 7 bilhões, a maior da história da companhia”, relatou a São Martinho. A empresa completa: “corroborado por efeitos não recorrentes, entregamos um lucro líquido de R$ 1,5 bilhão”.
Ao longo da safra, os resultados operacionais foram afetados pela forte pressão sobre os preços do etanol — o valor médio do biocombustível vendido pela São Martinho caiu 29,1% na safra, para R$ 2.433,60 por metro cúbico.
O CEO da São Martinho, Fabio Venturelli, observou que as vendas do biocombustível foram impactadas tanto pela demora do consumidor em “perceber que o etanol estava em preço justo e dava a ele vantagem comercial, como por um preço de gasolina com uma mudança na sua política de precificação”.
Com o biocombustível em baixa, a companhia teve perdas com a operação de etanol de milho na Usina Boa Vista, em Goiás, que estreou na safra passada e só chegou à capacidade máxima no último trimestre. A operação encerrou a temporada com um Ebitda negativo de R$ 42,9 milhões, sendo R$ 26,2 milhões no quarto trimestre.
Conforme a empresa, ao longo do primeiro ano de operação, a planta de etanol de milho na Unidade Boa Vista (UBV), em Goiás, atingiu a plena capacidade de processamento, segundo a companhia, acumulando moagem de 390,7 mil toneladas até março 2024.
Foram produzidas 156 milhões de litros de etanol e 100,4 mil toneladas de DDGS. A planta de etanol milho adicionou cerca de 267,9 mil toneladas de produto (em ATR produzido) e R$ 515,2 milhões de receita líquida ao desempenho consolidado da São Martinho.

Segundo relatório da empresa, a receita líquida das vendas de açúcar somou R$ 1,18 bilhão no quarto trimestre da safra, um aumento de 24,3% na comparação ano a ano, decorrente de melhores preços (+3,1%) e maior quantidade (+20,6%) comercializados no período. “No acumulado da safra a receita avançou 38,6% frente a safra anterior, totalizando R$ 3,62 bilhões, motivado por maiores preços (+14,2%) e quantidades (+21,4%)”, destacou.

Já receita líquida das vendas de etanol apresentou expansão de 47,9% no comparativo safra-a-safra, somando R$ 1,13 bilhão, reflexo do maior volume comercializado (+113,8%) parcialmente compensado pela compressão de preços (-30,8%) no período.
No final da safra 2023/24 a receita do biocombustível totalizou R$ 2,69 bilhões (-22%), resultado de menores preços (-29,1%), parcialmente compensados por maiores volumes de venda (+10%).

No período trimestral foram comercializados cerca de 496 mil CBios com preço líquido médio de R$ 81,2 (líquido de PIS/Cofins, INSS e IR de 15% - retido na fonte). No período acumulado, o volume de comercialização totalizou cerca de 934,0 mil créditos com preço médio de R$ 80,8.

Enquanto isso, a receita líquida de comercialização de energia elétrica somou R$ 6,6 milhões no quarto trimestre, um crescimento de 78,7% em relação ao ano anterior, reflexo da combinação de uma maior quantidade comercializada (+23,8%) e melhores preços (+44,4%) no período.

Já no valor anual, a receita líquida totalizou R$ 191,7 milhões, representando uma contração de 2,4% ante o ano anterior, principalmente pela menor quantidade comercializada (-2,2%), com preços em linha com a safra anterior, segundo a São Martinho.
A receita líquida de comercialização de levedura, por sua vez, totalizou R$ 4,2 milhões no quarto trimestre de 2023/24, uma expansão anual de 13,6%, motivado pelo maior volume (+69,4%), parcialmente compensado por menores preços (-32,9%) no período. Já no acumulado da safra a receita atingiu R$ 60,4 milhões, uma expansão de 4,3%, devido ao crescimento nas quantidades comercializadas (+15%) e uma redução de preços (-9,3%).

Os ganhos com a venda de DDGS do totalizou R$ 18,2 milhões no último trimestre da temporada, com um preço médio de R$ 975,6 por tonelada. No acumulado da safra, a receita líquida somou R$ 103,1 milhões, associada a um preço médio de R$ 998,6/t.
No quarto trimestre da safra 2023/24, a São Martinho teve receita líquida de R$ 2,42 bilhões, aumento de 33,4% ante igual período da temporada anterior 2023/24 (R$ 1,82 bilhão). No lado operacional, a companhia ampliou ganhos com o açúcar no trimestre, com mais volumes vendidos e preços mais altos. Isso compensou os baixos preços do etanol no país.

Já o lucro líquido foi de R$ 627,3 milhões, em virtude, “principalmente, à antecipação do Precatório da Copersucar de 2024 e ao reconhecimento do Precatório adicional em parcela única (3º Precatório) no período”, disse a companhia. No quarto trimestre da safra 2022/23, o lucro líquido da companhia havia sido de R$ 151,9 milhões.
A concentração das vendas no quarto trimestre e o recebimento dos precatórios fizeram com que os dados do período tivessem a maior contribuição para os resultados da safra.
O Ebitda ajustado totalizou R$ 1,15 bilhão no período (+25,8%), com margem Ebitda ajustado de 47,6%. O índice de alavancagem foi equivalente a 1,08 vez (Dívida Líquida por EBITDA Ajustado LTM) ao fim do quarto trimestre da safra.
Conforme a empresa, em 31 de março de 2024, as fixações de preço de açúcar para a safra 2024/25 totalizavam cerca de 665 mil toneladas, a um preço de aproximadamente R$ 2.658 por tonelada.
Para a safra em curso, a São Martinho espera operar a planta em sua plena capacidade, o que significa processar 495 mil toneladas do cereal e produzir 200 milhões de litros de etanol. A empresa já assegurou a compra de quase toda sua matéria-prima (438 mil toneladas) por R$ 55,60 a saca (líquido de impostos) — bem abaixo do valor médio de compra na safra passada, de R$ 72 a saca.
Na operação de cana, a São Martinho espera moer 2,9% menos, ou 22,4 milhões de toneladas, o que deve ser totalmente compensado pela maior concentração de sacarose na cana. “Deve ser uma safra mais barata, porque dilui mais o custo fixo”, disse o diretor financeiro Felipe Vicchiato. Já o ATR médio deve atingir 140,9 quilos por tonelada, com ampliação de 3%.
Segundo o relatório, a estabilidade de oferta de produto na evolução das safras (em ATR) ocorre com um mix mais açucareiro nas operações de cana, refletindo em uma perspectiva de maior rentabilidade para o açúcar em relação ao etanol no momento de definição das perspectivas do grupo.

Com um mix mais açucareiro, a empresa deve produzir 5,9% mais açúcar, ou 1,5 milhão de toneladas, e fabricar 5,1% menos etanol de cana, o equivalente a 900 milhões de litros.
Com informações adicionais Globo Rural e NovaCana; edição NovaCana