O diretor financeiro e de Relações com Investidores do Grupo São Martinho, Felipe Vicchiato, afirmou nesta segunda-feira, 15, que a companhia ainda "está construindo o orçamento" da safra 2016/17.
Conforme ele, ainda não é possível traçar um guidance para os investimentos na temporada, que se inicia oficialmente em abril. "Como tivemos muita cana bisada, isso vai fazer com que tenhamos menos plantio, graças à melhor produtividade", comentou, referindo-se à matéria-prima que ficou em pé desde o ano passado para ser colhida neste.
Segundo o mais recente balanço da empresa, o capex (investimento em bens de capital) no último trimestre do ano passado alcançou R$ 209,55 milhões, queda de 5,1% na comparação anual. Os investimentos no acumulado da safra somaram R$ 522,10 milhões (+6,9%).
Vicchiato afirmou ainda que o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) apurado pela companhia deve voltar para a "normalidade histórica" na safra 2016/17, que se inicia em abril. De acordo com ele, a quantidade deve ficar em algo como 135 e 136 kg por tonelada de cana-de-açúcar processada. O volume é superior aos 129 kg/tonelada da atual temporada, mas ainda inferior aos 140 kg/tonelada do ciclo 2014/15.
"Voltaremos a esse patamar só se tivermos muita seca, mas nós não estamos projetando isso", disse durante teleconferência com analistas e investidores.
Segundo informações do Valor Econômico, Vicchiato também acredita que os preços do etanol tendem a recuar até 25% no início da próxima safra no Centro-Sul, a 2016/17, em abril. O executivo estimou que os preços do hidratado devem cair para patamares entre R$ 1,40 e R$ 1,50 o litro, ante os níveis atuais de R$ 1,90 o litro.
“Não vejo muitas possibilidades de uma desvalorização grande, aos níveis do ocorrido no segundo trimestre do ano passado, quando o litro foi negociado na usina a R$ 1,20”, afirmou o diretor durante conferência. Vicchiato explicou que, se isso vier a acontecer, a estratégia da São Martinho será a de carregar o estoque de etanol para vendê-lo mais à frente, a preços mais atrativos, assim como foi feito na safra atual, a 2015/16.
Na visão dele, ainda de acordo com o Valor Econômico, não haverá muitos estoques ao fim da atual safra, em março, e a demanda ainda está forte, apesar dos preços altos nos postos. Esse cenário tende a manter uma oferta relativamente equilibrada, apesar do grande volume que tende a ser produzido no início da próxima safra, dada a intenção das usinas do Centro-Sul de retomarem a moagem de cana o quanto antes, começando a safra 2016/17 em março, ao invés de abril.
Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com