Financeiro

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Com safra recorde, Ebitda ajustado de usinas da Adecoagro atinge US$ 395,6 milhões

Com alta na moagem de 19,2%, unidades sucroenergéticas da companhia bateram recorde histórico de produção


RPA News - Publicado: 28 Mar 2024 - 08:48

Em 2023, o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) do segmento sucroenergético da Adecoagro, atingiu US$ 395,6 milhões, 5,9% superior ao ano anterior.

Segundo a companhia, um dos motivos para isso foi o aumento de 19,2% ano a ano no volume de moagem, que atingiu 12,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, recorde histórico para as usinas do grupo. A maior disponibilidade de cana, por sua vez, acompanhou uma produtividade de 80 toneladas por hectare.

“Essa conquista foi possível graças à implementação de técnicas agrícolas como a muda pré-brotada (MPB) – o que nos permite reproduzir variedades mais bem adaptadas à nossa região a um ritmo muito mais rápido – e também graças as condições climáticas normais que favoreceram o desenvolvimento da cana ao longo do ano”, disse a companhia em relatório.

O volume de moagem no quarto trimestre de 2023 foi de 2,9 milhões de toneladas, 7,2% inferior ao mesmo período do ano passado. Isto foi explicado pela companhia, pela redução de 13,8% na cana própria moída devido às maiores chuvas recebidas durante o ano.

Por outro lado, a aquisição de cana de terceiros aumentou 204 mil toneladas ano a ano, graças às oportunidades que surgiram de produtores de áreas próximas. Já a produtividade atingiu 82 toneladas por hectare, 1,4% superior ao mesmo período de 2022, enquanto o teor de açúcar total recuperável (ATR) apresentou leve redução de 5,3% ano a ano, para 127 kg/t.

A Adecoagro desviou até 52% da sua cana para a produção de açúcar, que era negociado, em média, 40% acima do etanol hidratado em Mato Grosso do Sul. “Aproveitando nossa flexibilidade de produção e alta eficiência industrial, conseguimos produzir um volume recorde de açúcar de 806 mil toneladas (1,7 vez acima do ano anterior) e lucrar com preços atrativos”, afirmou a companhia.

Em relação ao etanol, a Adecoagro afirmou que aproveitou a capacidade de armazenamento para carregar mais de 187 milhões de litros, ou 36% da produção anual, para os trimestres seguintes. O objetivo é lucrar com a expectativa de preços mais elevados.

A produção armazenada poderá, ainda segundo a companhia, eventualmente ser vendida como etanol hidratado ou desidratado a qualquer momento e transformada em etanol anidro, demandado no mercado interno e externo. “Ter as certificações e capacidade industrial necessárias para atender especificações para exportar etanol para a Europa é uma de nossas vantagens competitivas”, afirmou a companhia.

Em relação à energia, a Adecoagro focou na produção apenas do volume contratado, capturando prêmio sobre os preços à vista e armazenando bagaço para usos mais lucrativos. Em 2023, a energia exportada atingiu 694,26 GWh, 14% superior ao ano anterior.

Segundo a empresa, o crescimento inferior ao da moagem é explicado pela estratégia comercial de utilizar o bagaço em alternativas mais rentáveis durante o ano, como combustível no processo de desidratação do etanol, em vez de vender energia no mercado à vista a preços baixos.

Perspectivas

A companhia também revela que entrou em 2024 com boa disponibilidade de cana e que, hoje, é uma das poucas empresas no Brasil esmagando e produzindo açúcar no período de entressafra. Poder moer cana durante todo o ano é considerado outro dos diferenciais competitivos da companhia.

“O açúcar continua a ser apoiado por fundamentos sólidos e estamos em uma excelente posição para lucrar com esse cenário, já que apenas 47% da nossa produção de açúcar esperada para 2024 está coberta (preço médio de 23,7 centavos de dólar por libra-peso)”, afirma e completa: “Em termos de etanol, os preços se recuperaram do nível mais baixo observado no início de janeiro devido a uma mudança significativa procura a este tipo de combustível dada a baixa paridade na bomba (atualmente nos 60%), aliada com a menor oferta à medida que a indústria entrou na entressafra”.

A Adecoagro ainda acredita que há espaço para que os preços do etanol continuem subindo, principalmente pela baixa paridade na bomba. A sucroenergética também espera uma redução na produção de cana e etanol pelo Centro-Sul durante a safra 2024/25, o que dará suporte aos preços.

Ao mesmo tempo, a Adecoagro espera crescer sua moagem em relação à 2023/24. “Supondo que o tempo esteja normal, esperamos aumentar nosso volume de moagem versus 2023, pois temos disponibilidade de cana suficiente para utilizar nossa capacidade industrial. Isto por sua vez, resultaria em uma redução adicional no custo caixa unitário, devido à melhor diluição dos custos fixos”, detalha.

Resultados financeiro

No acumulado do ano, o Ebitda ajustado sucroenergético da Adecoagro totalizou US$ 395,6 milhões, apresentando um aumento de 5,9% em relação ao último ano e um novo recorde para esta unidade de negócio. Isso foi impulsionado pelo aumento da receita líquida de US$ 96,8 milhões, com a decisão comercial de favorecer a produção de açúcar.

“Os resultados foram parcialmente compensados por uma perda de US$ 13,6 milhões na marcação a mercado dos ativos biológicos e a um aumento de US$ 19 milhões nas despesas de vendas”, afirmou a companhia.

As vendas líquidas atingiram US$ 700,3 milhões em 2023, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento foi impulsionado, segundo a companhia, devido a um maior volume de vendas e maiores preços médios de venda do açúcar.

“Os resultados foram parcialmente compensados pela redução ano após ano nas vendas de etanol, uma vez que transportamos estoque para ser vendido a preços futuros mais elevados preços”, complementa.

Durante a safra 2023/24, as vendas de açúcar atingiram US$ 416,2 milhões, 128,8% superiores às ano anterior por conta de um aumento nos volumes vendidos, que foi de 366 mil toneladas, alta de 23,7% no ano. No acumulado do ano, as vendas de etanol totalizaram US$ 233,3 milhões, com uma redução de 37,2% em relação ao ano anterior.

Os volumes vendidos em 2023 também foram impulsionados pela estratégia de maximizar a produção do adoçante e pela estratégia comercial de acumular estoques de etanol até a recuperação dos preços.

Dentro do nosso volume vendido, a companhia exportou 54,4 milhões de litros de etanol anidro a um preço médio de US$ 637/m³, dos quais 25,8 milhões de litros foram vendidos no quarto trimestre de 2023 a uma média preço de US$ 572/m³. “Isto representa uma vantagem competitiva, pois possuímos as certificações necessárias e capacidade industrial para atender especificações de produtos para exportar etanol para a Europa”, informou a companhia.

As vendas líquidas de energia totalizaram US$ 32 milhões na safra 2023/24, 7,7% acima do mesmo período do ano passado, impulsionado por um aumento de 18,1% no volume de vendas que compensou totalmente a queda de 8,8% no preço médio de vendas.

Ainda de acordo com dados da companhia, os custos totais de produção, excluindo depreciações e amortizações atingiram, 8,2 centavos de dólar por libra-peso na safra 2023/24, em linha com o ano anterior.

Natália Cherubin