A safra de milho do Rio Grande do Sul em 2023/24 foi estimada nesta terça-feira, 29, em 6,06 milhões de toneladas, aumento de 53,2% ante o ciclo anterior, quando a seca afetou as produtividades das lavouras gaúchas, apontou levantamento da Emater sobre a produção de verão no estado.
As lavouras do estado deverão produzir mais por hectare devido ao retorno do fenômeno climático El Niño, que costuma trazer precipitações mais abundantes para o Sul do Brasil.
“Teremos um El Niño de moderado a forte, ou talvez super forte. A coisa este ano vai ser melhor para o Rio Grande do Sul, com o El Niño vai melhorar a condição hídrica do estado”, disse o meteorologista Flávio Varone, presente na divulgação dos números durante a feira agropecuária Expointer.
Ele lembrou que a recuperação na safra deverá ocorrer depois de o Rio Grande do Sul ter sofrido por três anos seguidos com a estiagem. “Tivemos três primaveras muito secas e dois verões quentes e secos. Olhando toda a história, nunca aconteceu isso”, pontuou, citando os efeitos da La Niña, que estava presente na safra passada.
As lavouras de milho gaúchas já estão em processo de plantio. O estado, quando beneficiado por chuvas, tem potencial de ser o principal produtor do Brasil de milho verão.
A empresa que presta serviços ao governo do estado estimou a área plantada com milho no Rio Grande do Sul em 2023/24 em 817,5 mil hectares, queda de 0,7% ante o ciclo anterior, com base em levantamento que envolveu quase 100% dos municípios produtores.
Segundo o meteorologista, o estado terá um setembro com chuvas acima da média na maioria dos municípios, enquanto outubro deverá ter precipitações dentro da normalidade. Em novembro, volta a chover em abundância, principalmente na fronteira oeste.
Se as chuvas deverão beneficiar a safra de verão, podem trazer prejuízos para a safra de inverno, uma vez que os trabalhos estarão sendo finalizados, o que pode atrasar o plantio de verão. “Vai ter muita umidade na finalização da colheita de inverno. E possivelmente vai atrasar o plantio de verão, em função dessa chuva”, completa.
Roberto Samora