Reportagem originalmente publicada em 22 de dezembro de 2023.
A Céleres afirmou, em relatório, que a produção de milho de inverno do Brasil está estimada de 101,6 milhões de toneladas e a produção total do país em 129,8 milhões de toneladas, com quedas respectivas de 9 milhões e 10 milhões de toneladas em relação à safra passada.
Segundo a consultoria, o potencial da segunda safra “está longe de ser definido”. Atrasos de plantio, pacotes tecnológicos mais baratos e a manutenção do fenômeno climático El Niño podem limitar ainda mais a oferta no próximo ano, “elevando o risco de abastecimento interno e posicionando preços internos ainda mais elevados para o segundo semestre”.
A redução de margens operacionais para milho observada ao longo de 2023 deve reduzir a área plantada, o nível de investimento e potencial de produção do cereal nas três safras.
Assim, a Céleres disse que o sinal de alerta está ligado para a formação de estoques e margens das cadeias internas de milho, “sobretudo para a cadeia de ração e proteína animal”.
Para a safra de verão, a produtividade média deve ficar alinhada com a tendência histórica, mas a queda de área no Centro-Sul deverá levar a produção nacional para 23,1 milhões de toneladas, valor 1,5 milhão de toneladas menor do que na temporada anterior.
Para a safra de inverno, a menor oferta esperada para 2024 já tem elevado a formação de preços para o segundo semestre, dando margens operacionais positivas para produtores com níveis regulares de produtividade, segundo a consultoria. Atrasos e replantios da soja serão determinantes para a diminuição da janela de cultivo do cereal no inverno, o que pode levar a uma redução de área de 500 mil hectares.
“Ainda não se descartam oportunidades de última hora, sobretudo nas regiões de menor atraso na primeira safra ou naquelas em que o ciclo da soja possa diminuir em função do clima mais seco”, disse a consultoria em relatório.
Ainda que a demanda possa diminuir, sobretudo para exportação e ração, a Céleres ainda vê um cenário apertado para estoques de milho em 2024 na relação dos estoques com o consumo, ficando abaixo de 7%, número considerado historicamente baixo e menor do que em 2015/16 e 2020/21, anos de maior estresse no balanço interno do cereal. O cenário pode levar a alta nos preços ao longo do ano.
Vinicius Galera