Minas Gerais é o segundo maior produtor e exportador de cana de açúcar do Brasil. A estimativa da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig) é que a safra 2023/24 seja 6% maior do que a anterior, ultrapassando 72 milhões de toneladas.
Os dados foram destaque na sexta edição da Abertura da Safra Mineira de Cana-de-açúcar, realizada nesta sexta-feira, 28, na unidade Vale do Tijuco, em Uberaba. O evento, promovido pela Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) e pela Siamig, contou com a presença de diversas autoridades políticas, como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além de deputados federais e estaduais, prefeitos da região e parceiros.
Além dos números da safra 2023/24, foi destaque o papel do setor sucroenergético, que é uma das mais importantes cadeias produtivas do agronegócio mineiro, com 36 usinas em produção, 108 municípios produtores de cana de açúcar e geração de cerca de 167 mil empregos diretos e indiretos.
Com a safra recorde, a estimativa da entidade é que a produção de açúcar no estado seja de 4,7 a 4,8 milhões de toneladas, com uma produção de etanol superior a 3 bilhões de litros, aumento de 6% em relação à safra passada.
Além disso, a maior produção será de etanol hidratado, com 1,8 bilhão de litros, correspondendo a 18% de alta sobre 2022/23. Já o etanol anidro somará 1,3 bilhão de litros.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou do evento e destacou a importância de uma safra recorde no estado e o compromisso mineiro com o fortalecimento do setor de etanol a partir das políticas do ministério.
“Sei que investir no setor significa garantir o futuro em que se respeita o conceito amplo de sustentabilidade, contribuindo com o desenvolvimento do nosso país, sem deixar de lado o cuidado com as pessoas. Fomentar a indústria sucroenergética é prioridade para o governo federal”, disse.
Alexandre Silveira citou ainda os 20 anos do lançamento do carro flex no Brasil neste ano, o que projetou um novo cenário para a indústria automotiva brasileira.
“O uso do etanol nos veículos flex garantiu a oferta de combustíveis e evitou a queima de 210 bilhões de litros de gasolina, o que equivale a captura de carbono de uma área de 3 milhões de hectares de florestas plantadas, o que representa a área de 1/3 de todo o Triângulo Mineiro. Vamos continuar avançando no processo de descarbonização. A transição energética é prioridade”, afirmou.
O ministro ainda anunciou a criação de um grupo de trabalho para aumentar o teor do etanol na gasolina de 27% para 30%.
“Isso deverá acontecer de maneira gradual, com previsibilidade e transparência para que possamos garantir economia e preços estáveis para o consumidor. Vamos fazer junto com a indústria automotiva essa análise técnica, para dar segurança aos usuários e consumidores. O aumento do teor de etanol vai contribuir para a segurança energética do nosso país, com a redução de exportação de gasolina”, adiantou.
Com três unidades no Triângulo Mineiro – Vale do Tijuco, Vale do Pontal e Canápolis –, a CMAA é uma das maiores empresas sucroenergéticas de Minas Gerais. Atualmente, o grupo tem capacidade para processar 10 milhões de toneladas de cana de açúcar.
Na temporada 2022/23, segundo a companhia, foram produzidos mais de 309 milhões de litros de etanol, quase 600 mil toneladas de açúcar VHP destinado à exportação e mais de 430 MWh de energia elétrica.
O presidente da CMAA, Carlos Eduardo Turchetto Santos, disse que a produção do grupo deve ter um aumento de 15% em relação à safra anterior. “Os investimentos no campo foram grandes, o clima foi muito favorável e estamos com uma expectativa positiva. O governo está com uma pauta de sustentabilidade muito forte e o etanol se encaixa nessa produção energética de energia limpa”, destacou.
Sobre o aumento do percentual de etanol na gasolina, Turchetto Santos vê o movimento de forma positiva. “É deixar a gasolina mais limpa e se tiver um ganho ambiental, sem prejudicar as empresas e o consumidor, faz sentido”, disse.
Por sua vez, o presidente da Siamig, Mário Campos, destacou o protagonismo do açúcar no cenário atual.
“O açúcar está passando por um ótimo momento no mercado internacional. O Brasil, provavelmente, fará uma de suas maiores safras da história. Os preços estão bem remuneratórios e as empresas receberão um bom retorno, tanto no mercado externo quanto interno”, adiantou.