A safra 2026/27 deve ser uma das piores para o setor sucroenergético. A avaliação é de Hugo Cagno Filho, presidente da União Nacional da Bioenergia (Udop) e diretor-presidente da usina Vertente, ancorado em sua experiência de 52 safras de cana-de-açúcar. Segundo Cagno, além do baixo preço do açúcar neste ano, o setor vive uma tempestade geral com a questão do etanol.
“Com a guerra no Irã, a gente teve um fio de esperança de que o governo iria ajudar o etanol, mas o que ocorreu foi exatamente o contrário. Ele tirou o imposto da gasolina, não aceitou aumento de mistura no biodiesel e ainda deu incentivo para o diesel”, relata.
Ele ainda complementa: “Em um ano de petróleo com preços nas alturas, o governo brasileiro está segurando politicamente o preço desse combustível. Provavelmente está esperando a eleição, mas uma hora isso vai ter que ser corrigido”.
Ele também reclama que, em vez de acelerar o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% para reduzir a importação de combustíveis e fortalecer a autossuficiência energética, o governo parece estar retardando a aprovação.
A medida, já analisada nos testes de viabilidade técnica do Ministério das Minas e Energia (MME), é aguardada há meses pelo setor. A avaliação deve ocorrer em reunião do Conselho Nacional de Política Energética prevista para 24 de junho. O aumento deve demandar uma produção extra de 1 milhão de metros cúbicos de etanol ou 1 bilhão de litros.
Segundo o dirigente, a safra 2026/27 da usina Vertente, que tem a Tereos no quadro societário, será alcooleira, ao contrário dos últimos anos, quando a maioria das empresas do setor focou no mix açucareiro.
“Mas, se o mercado mudar, basta virar uma ‘chavinha'", diz Cagno. A projeção é processar 2,5 milhões de toneladas de cana na usina, ante os 2,3 milhões do ano passado, quase um recorde da empresa fundada em 2002.
O que deve ser um recorde mesmo, diz, é a produção de cana, estimada em mais de 630 milhões de toneladas na região Centro-Sul neste ano, ante as 611 milhões de toneladas da safra anterior. Por conta do volume, a safra deve se estender até dezembro – no ano passado, alguma usinas encerraram a moagem em outubro.
Eliane Silva