Por Raphael Delloiagono*
O início da safra 2023/24 nos canaviais do Centro-Sul começou de forma promissora, com uma recuperação expressiva da produtividade no campo e uma cana-de-açúcar que tem se mostrado resiliente, apresentando bons níveis de concentração de açúcares mesmo diante de um mês de abril relativamente mais úmido.
De acordo com o levantamento realizado pelo Pecege Consultoria e Projetos com usinas e produtores do setor, a produtividade acumulada nesta safra atingiu a média de 93,39 toneladas por hectare, com praticamente todas as regiões do Centro-Sul apresentando ganhos significativos deste indicador. Em números, a temporada 2023/24 já registra um aumento de 17,5% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Além desses resultados positivos, o acompanhamento da safra revela um crescimento expressivo da produtividade durante o mês de maio, o que pode ser atribuído, em grande parte, à decisão de colher uma cana relativamente mais nova assim que houve uma interrupção das chuvas na região. Embora esse crescimento já fosse esperado, os resultados observados até agora superaram as expectativas e aumentam o otimismo em relação à produção do setor nesta safra.

Esse avanço na produtividade, inclusive, é especialmente importante para garantir uma boa capacidade de produção em um período em que a qualidade da cana-de-açúcar que chega às usinas normalmente é reduzida.
É relevante ressaltar que a concentração de açúcares na planta durante este início safra tem se mostrado ligeiramente maior do que no mesmo período do ciclo anterior, mesmo com um clima relativamente mais úmido. Acreditamos que isso tenha ocorrido devido à percepção de condições desafiadoras no início desta safra em termos de qualidade da cana-de-açúcar, o que motivou o uso intensivo de maturadores por parte dos produtores.

Em resumo, os resultados até o momento são encorajadores e indicam que a safra na região Centro-Sul tem tudo para apresentar excelentes resultados. O avanço na produtividade e a concentração de açúcares acima do esperado são motivos de otimismo para o setor.
No entanto, é importante estar ciente dos desafios que podem surgir adiante. A possibilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre tem potencial para trazer dificuldades para o andamento da safra. É essencial estar preparado para lidar com possíveis impactos e adotar estratégias de mitigação de riscos, a fim de garantir o melhor aproveitamento das condições favoráveis observadas até o momento.
* Raphael Delloiagono é analista de mercado da Pecege Consultoria e Projetos
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