As usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil dão início nesta sexta-feira, 1, a mais uma safra de cana-de-açúcar, com perspectivas favoráveis. A partir de projeções já divulgadas por consultorias e compiladas pelo Broadcast Agro, a principal região produtora do País irá processar em 2016/17 619,37 milhões de toneladas de cana (+2,3%).
O volume é uma média dos dados estimados por Archer Consulting, Datagro, INTL FCStone e Rabobank. Destes, o último é o mais conservador, ao apostar em processamento de até 610 milhões de toneladas (+0,8%). Já a Datagro figura como a mais otimista, com 625 milhões de toneladas (+3,3%).
A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), cujas previsões são um importante balizador para o mercado, deve soltar seus números ainda este mês. Pelos mesmos cálculos, a fabricação de açúcar em 2016/17 tende a alcançar 34,03 milhões de toneladas (+6,3%). A de etanol, por sua vez, deve bater nos 27,86 bilhões de litros, em linha com o observado na safra passada.
Os prognósticos positivos se baseiam, principalmente, no clima favorável. Após dois ciclos com condições adversas, a região foi beneficiada no começo deste ano por chuvas volumosas, que ajudaram no desenvolvimento das plantações. Ao mesmo tempo, a previsão é de que o El Niño, fenômeno responsável pelas precipitações em excesso nos últimos meses, perca força nos próximos e colabore com a colheita no período de pico de moagem, entre julho e setembro.
Na quarta-feira, 30, em entrevista ao Broadcast Agro Ao Vivo, o analista João Paulo Botelho, da INTL FCStone, já destacou que, sem o El Niño, tanto a produção de cana quanto os níveis de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) devem ser maiores nesta temporada.
Do lado dos preços, o setor sucroenergético nacional também será beneficiado. No caso do açúcar, a perspectiva de déficit global de produção, de até 8 milhões de toneladas, vem impulsionando os contratos de demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) desde setembro.
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Hoje, eles estão aproximadamente 30% acima do observado no fim de março do ano passado, cotados entre 15 e 16 centavos de dólar por libra-peso. Quanto ao etanol, a demanda fortalecida e a gasolina também firme deixam o cenário positivo.
O Indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) para o hidratado, usado diretamente no tanque dos veículos, avançou 45% nos últimos 12 meses, para R$ 1,8424 o litro. O valor é sem impostos e refere-se ao produto retirado nas usinas paulistas.