Cana: Safra / Moagem

Cana: Safra / Moagem

Safra 2015/16 de cana tem início no centro-sul com foco no clima mais uma vez


Agência Estado - Publicado: 01 Abr 2015 - 12:05 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00

Após as chuvas em fevereiro e março, a safra de cana 2015/16 no Centro-Sul do Brasil começa nesta quarta-feira com menos preocupações quanto ao desenvolvimento das lavouras, bem diferente do que ocorreu com o ciclo anterior, prejudicado pela estiagem. Ainda assim, o clima continuará no radar do setor sucroenergético, dada a possibilidade de El Niño no meio do ano.

Caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno climático acarreta em chuvas acima da média durante o inverno no Hemisfério Sul, período que coincide com o pico de colheita da cana. Dessa forma, o temor é de que as precipitações, embora importantes para a recuperação dos reservatórios, impliquem em atraso nos trabalhos de campo das usinas ou até em perda da qualidade da cana.

Segundo a consultoria F.O. Lichts, a chance de El Niño entre junho e setembro é de 50% a 60%. Já Paulo Etchichury, sócio-diretor da Somar Meteorologia, disse no início desta semana que o fenômeno irá ocorrer, sim, mas não em sua forma "clássica". "Será um El Niño fraco", afirmou em evento em São Paulo, acrescentando que episódios de chuvas durante o inverno podem até beneficiar a cana colhida no segundo semestre.

Por enquanto, as projeções para o processamento em 2015/16 são de estabilidade ou de leve crescimento ante 2014/15, ainda refletindo a seca do ano passado. Segundo a Datagro, a moagem no ciclo crescerá 2,5%, para 584 milhões de toneladas. A Archer fala em expansão quase nula, para 573 milhões de toneladas, ao passo que a F.O. Lichts estima incremento de 1,6%, para 580 milhões de toneladas. Até agora, o Banco Pine é um dos mais otimistas, com estimativa de 592 milhões de toneladas de cana moída (+3,7%).

Em abril, devem ser divulgadas duas outras projeções aguardas pelo mercado e pelo setor: a da consultoria Canaplan, no dia 24, e a da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), ainda sem data definida.

Produtos

Os incentivos dados pelo governo brasileiro ao etanol, com o aumento da mistura e a reintrodução da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) na gasolina, aliados à queda das cotações internacionais do açúcar, devem fazer com que a safra 2015/16 seja mais alcooleira frente as anteriores. Na média das previsões feitas até agora, espera-se que 57% da oferta de cana seja destinada à fabricação do biocombustível, que deve somar pouco mais de 26 bilhões de litros.

Quanto ao açúcar, os preços na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) nos menores níveis em seis anos desestimulam a produção no Centro-Sul. Espera-se que sejam fabricadas no máximo 32 milhões de toneladas do alimento, mesmo volume do ciclo anterior.

José Roberto Gomes