A produção de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil deverá ser majoritariamente voltada para exportação, segundo avaliação do CEO da Raízen, Ricardo Mussa, que deve assumir a Cosan Investimentos a partir de 14 de novembro.
“O SAF no Brasil vai ser para exportação. O mercado desenvolvido, como Europa, Estados Unidos e Ásia, terá demanda suficiente para absorver o que o Brasil pode produzir”, afirmou Mussa durante o AgroForum, evento promovido pelo BTG Pactual.
O executivo destacou ainda que vê o município de Paulínia, em São Paulo, como potencial hub nacional de produção do SAF. A cidade, segundo ele, é um polo estratégico por contar com ampla infraestrutura de etanol, fator que pode reduzir os custos logísticos e atrair novos investimentos.
“Paulínia é um super lugar. Tem toda a estrutura do etanolduto e uma conexão direta com o porto de Santos”, explicou Mussa.
Além disso, o CEO criticou a exportação de etanol para outros países que, segundo ele, transformam o produto em SAF e o vendem para terceiros – ou seja, agregam valor a algo que poderia trazer mais valor à produção brasileira.
“É uma idiotice exportarmos etanol para que outros países produzam SAF e exportem para a Europa”, afirmou. Ele explicou que a cada 1,7 litro de etanol, é possível produzir um litro de combustível sustentável de aviação.
Mussa ressaltou que, para o desenvolvimento da indústria, será crucial que os governos incentivem a produção do SAF. O custo, segundo ele, inevitavelmente refletirá nas tarifas aéreas, com os consumidores arcando com parte dos custos de sustentabilidade.
“O SAF vem independente do custo. Vai ser colocado um preço e o consumidor vai pagar a conta. Hoje, a aviação é responsável por cerca de 3% das emissões globais”, finalizou o executivo.
Com metas de descarbonização até 2050, o setor aéreo precisa reduzir o uso de querosene. A alternativa é o uso do SAF, que pode reduzir as emissões de gases poluentes em até 70% na comparação com a opção de origem fóssil.
Segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), seria preciso um fornecimento de mais de 400 bilhões de litros anuais até a metade do século para atender a demanda.
Em outubro, o governo sancionou o Combustível do Futuro, lei que institui diretrizes para o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis no Brasil. O texto cria uma série de iniciativas de fomento à descarbonização, mobilidade sustentável e transição energética no país.
André Martins