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S&P rebaixa ratings da Usina Caeté e avalia seus indicadores financeiros

usina caeté pauliceiaLiquidez mais fraca e alto endividamento no curto prazo motivaram avaliação negativa

- NovaCana - 7 min de leitura

Os ratings da Usina Caeté, do grupo alagoano Carlos Lyra, que estavam em observação negativa desde março, foram rebaixados pela agência de classificação de risco da Standards & Poor’s (S&P). Segundo a análise, a empresa está exposta aos riscos de refinanciamento de sua dívida de curto prazo que, em dezembro de 2014, alcançava R$ 334,5 milhões. A expectativa também é de fluxo de caixa operacional livre negativo, mediante disponibilidade de crédito mais escassa e mais cara para o setor no Brasil.

“O rebaixamento reflete a deterioração na posição de liquidez da Caeté e o aumento nos riscos de refinanciamento em função da significativa concentração de dívida de curto prazo da empresa diante dos preços do açúcar persistentemente baixos e da redução do crédito por parte dos bancos para o setor brasileiro de cana-de-açúcar”, explica a S&P.

A Caeté possui quatro usinas, três em Alagoas e uma em São Paulo, e estava na listagem CreditWatch (observação) com implicações negativas ante descumprir uma cláusula contratual restritiva, covenant, para o indicador dívida líquida/Ebtida.  

A seguir a análise da S&P sobre os indicadores de crédito da companhia e valores estimados para:

- o défict de caixa para safra 2015/16

- a necessidade de refinanciamento de dívida

- posição de caixa

- estoques prontos para a venda

- principais fontes de liquidez

- principais usos de liquidez

- moagem e receita estimadas para 2015 e 2016

- capex

- margem Ebitda

- geração interna de caixa sobre dívida

Os ratings da Usina Caeté, do grupo alagoano Carlos Lyra, que estavam em observação negativa desde março, foram rebaixados pela agência de classificação de risco da Standards & Poor’s (S&P), na última sexta-feira (19).

A sucroalcooleira foi rebaixada de ‘B+’ para ‘B-’ na escala global e de ‘brBBB-’ para ‘brB-’ na escala nacional, a perspectiva dos ratings de crédito corporativo em ambas as escalas é negativa.

Segundo a S&P, a empresa está exposta aos riscos de refinanciamento de sua dívida de curto prazo que, em dezembro de 2014, alcançava R$ 334,5 milhões. A expectativa também é de fluxo de caixa operacional livre (FOCF, em inglês) negativo, mediante disponibilidade de crédito mais escassa e mais cara para o setor no Brasil.

“O rebaixamento reflete a deterioração na posição de liquidez da Caeté e o aumento nos riscos de refinanciamento em função da significativa concentração de dívida de curto prazo da empresa diante dos preços do açúcar persistentemente baixos e da redução do crédito por parte dos bancos para o setor brasileiro de cana-de-açúcar”, explica o relatório da S&P que tem como analista principal Flávia Bedran.

Pelas projeções da agência, a empresa precisaria refinanciar aproximadamente R$ 150 milhões em dívida em um ambiente de taxas de juros mais altas e de maior restrições ao setor sucroalcooleiro. Esses fatores deixam a Caeté vulnerável à disposição dos bancos para rolar os vencimentos.

A Caeté possui quatro usinas, três em Alagoas e uma em São Paulo, e estava na listagem CreditWatch (observação) com implicações negativas ante a possibilidade de a sucroalcooleira descumprir uma cláusula contratual restritiva, covenant, para o indicador dívida líquida/Ebtida.  

A companhia possui notas, no valor de US$ 32,5 milhões, e debêntures, no valor de R$ 185 milhões, ambos os títulos com vencimento em 31 de julho de 2020.

Liquidez fraca: déficit de caixa de R$ 300 milhões

O relatório aponta que as fontes de caixa da Caeté cobririam apenas cerca de 50% dos usos de caixa esperados em 2015, com um déficit estimado acima de R$ 300 milhões. A situação resulta na fraca liquidez e pressiona a empresa a buscar alternativas de refinanciamento, cada vez mais restritas.

Embora a empresa venha conseguindo rolar parte de seus vencimentos, comenta a S&P, a maior aversão a risco tem gerado aumentos em sua dívida de curto prazo, nos pagamentos de juros e nas pressões de refinanciamento.

Além disso, persiste o risco da Caeté descumprir uma cláusula contratual restritiva que estabelece um índice de dívida líquida sobre Ebitda de 2,5 vezes. A quebra do acordo pode desencadear o vencimento antecipado do contrato, o que já ocorreu ao final de 2014, quando a empresa obteve um waiver (perdão).

Em dezembro de 2014, entre as principais fontes de liquidez, a empresa registrava uma posição de caixa de R$ 75,3 milhões e contava com estoques prontos para a venda ajustados (ARMI, em inglês) de açúcar e etanol de R$ 55 milhões.

No entanto, os principais usos da liquidez, incluem este ano, além da dívida de curto prazo de R$ 334,5 milhões, saídas de capital de giro estimadas em R$ 55,8 milhões, exigências sazonais de capital de giro de R$ 50 milhões anuais e capex de R$ 306 milhões.

“Embora as métricas de crédito da Caeté sejam fortes para os ratings atuais, as dificuldades para refinanciar sua dívida de curto prazo têm se tornado um fator primordial para a qualidade de crédito e os ratings. Os vencimentos de curto prazo da usina dobraram de 2013 a 2014, enquanto nosso índice suplementar de FOCF sobre dívida deve ser negativo em 2015. Isso, combinado com a esperada alta volatilidade nos fluxos de caixa, nos leva a manter nossa visão do perfil de risco financeiro da empresa como ‘agressivo’”, detalha o documento da S&P.

Projeções: recuperação da moagem e alta da receita

Em um cenário de restrições macroeconômicas e setoriais, nem todas as projeções realizadas pela agência de classificação de risco são ruins. Alguns indicadores avaliados colocam a sucroalcooleira em um cenário mais positivo, isso atrelado ao enfraquecimento do real que impulsiona as receitas derivadas das exportações de açúcar, com melhoras operacionais e financeiras para os anos de 2015 e 2016.

A S&P estima que um aumento no volume de moagem da Caeté, para 7,5 milhões de toneladas de cana. O crescimento viria pela recuperação da produtividade na usina Paulicéia (SP) e da expansão da capacidade na usina Caeté (AL), a qual se beneficia do excesso de cana-de-açúcar na região alagoana de São Miguel dos Campos, sede da unidade.

Em 2014, em função da seca, o nível de produtividade da usina paulista foi significativamente menor do que a média da região, resultando em baixo uso da capacidade industrial. A quebra foi compensada parcialmente no nordeste, onde as três usinas apresentaram desempenho mais forte e acima do esperado.

Ao mesmo tempo são previstos níveis de investimentos (capex) ainda altos para 2015, em R$ 306 milhões, mas com tendência declinante para os anos posteriores.

Em termos financeiros, para 2015, a agência estima que a Caeté obtenha um crescimento de receita de cerca de 8% e avance mais 11% em 2016. Já a margem Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) é projetada em 39% para o biênio.

A dívida ajustada sobre Ebitda, índice que serve para medir a capacidade da companhia de pagar sua dívida com geração de caixa operacional, deve ficar e 3,1 vezes este ano e melhorar em 2016, para 2,9 vezes.

A geração interna de caixa (FFO, em inglês) sobre dívida é estimada em cerca de 25% para os dois anos, com FFO estimado em R$ 300 milhões em 2015 e R$ 340 milhões em 2016, contudo a expectativa é de fluxo de caixa operacional livre negativo para o ano corrente.

Amanda SchArr – NovaCana

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