Emissão de CRAs também tiveram as notas reduzidas; condições climáticas e baixos preços do açúcar são alguns dos motivos
No começo de junho, a usina Coruripe concluiu uma conversão de debêntures em Créditos de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). A emissão foi bem recebida pela agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) Global Ratings, que atribuiu a nota brA+.
Mas, no último dia 22, a S&P reduziu os ratings da usina. Segundo o relatório da agência, diversos fatores levam ao rebaixamento, sendo que alguns deles estão fora do controle da companhia por serem referentes à volatilidade do setor sucroenergético.
Além disso, a perspectiva de ratings de longo prazo é negativa e pode sofrer novo rebaixamento no período de 6 ou 12 meses. O principal motivo, segundo o documento, são as pressões sobre a liquidez da companhia.
A S&P considera, ainda, no rebaixamento da nota, as projeções do segundo superávit global na produção de açúcar, as oscilações do câmbio e as incertezas quanto à política de preços da gasolina no Brasil.
Confira, na versão completa, todos os fatores que levaram ao rebaixamento da nota da Usina Coruripe.
No começo de junho, a usina Coruripe concluiu uma conversão de debêntures em Créditos de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). A emissão foi bem recebida pela agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) Global Ratings, que atribuiu a nota brA+.
Mas, no último dia 22, a S&P reduziu os ratings da usina. Segundo o relatório da agência, diversos fatores levam ao rebaixamento, sendo que alguns deles estão fora do controle da companhia por serem referentes à volatilidade do setor sucroenergético.
A queda foi nos ratings de crédito a longo prazo, que passaram de BB- pra B+ na escala global – mantendo a companhia na categoria de especulação – e de brA+ para brA na nacional. O rating a curto prazo foi mantido em brA-1 na escala nacional.
Além disso, a perspectiva de ratings de longo prazo é negativa e pode sofrer novo rebaixamento no período de 6 ou 12 meses. O principal motivo, segundo o documento, são as pressões sobre a liquidez da companhia.
A S&P considera, ainda, no rebaixamento da nota, as projeções do segundo superávit global na produção de açúcar, as oscilações do câmbio e as incertezas quanto à política de preços da gasolina no Brasil.
Liquidez pressionada
A liquidez da Usina Coruripe foi prejudicada pela menor geração de fluxo de caixa livre (FOCF) e pela entrada do chamado cash sweep, mecanismo que obriga a empresa a usar todo o dinheiro excedente de caixa para reduzir as dívidas.
A visão da S&P é de que a liquidez da usina pode ser pressionada caso a Coruripe não consiga aumentar o prazo das dívidas de curto prazo.
Há também tensões adicionais com cláusulas covenants (itens de contrato de empréstimos e financiamentos feitos para proteger o interesse do credor), que são calculadas todo dia 31 de março. Nesse caso, a S&P relata uma obrigação da Usina Coruripe de manter abaixo de 5 vezes seu índice de dívida líquida sobre Ebitda menos Capex – o que pode ser difícil nas atuais condições.
Pesam, ainda, os volumes de moagem mais baixos e a queda nos preços do açúcar, fazendo com que a usina não consiga reduzir sua capacidade ociosa.
Por sua vez, ao final da safra 2017/18, o Ebitda – que mensura o resultado da companhia desconsiderando juros, impostos, depreciação e amortização –, foi menor com a carga de juros elevada e a necessidade de investimento maior, o que afetou o FOCF.
Já a dívida sobre o Ebitda subiu para 2,8 vezes e a geração interna de caixa (FFO) sobre a dívida aumentou para 22,7% até 31 de março de 2018.
Nessas circunstâncias, a alavancagem também subiu mais do que o esperado no período encerrado em 31 de março de 2018. A S&P classificou o perfil de risco financeiro da companhia com fluxo de caixa e alavancagem como sendo “agressivo”.
A expectativa da S&P é que, assim, o índice de fontes de caixa sobre usos exceda 1,1 vez no próximo ano, principalmente por conta da emissão de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e o refinanciamento de dívidas bancárias. Esses fatores, segundo a agência, aumentam as pressões para refinanciamento.

Notas de emissão de CRAs rebaixadas
Além do relatório reduzindo a nota da Coruripe como um todo, a S&P também lançou um documento rebaixando os ratings da 1ª emissão de CRAs das 99ª, 122ª e 161ª séries feitas pela empresa. A queda na nota foi de brA+ para brA.
As duas primeiras séries são lastreadas por Cédulas de Crédito à Exportação (CCEs), vencendo em outubro e novembro de 2019, respectivamente. Já a última é por debêntures, vencendo em maio de 2021.
Luz no fim do túnel
De acordo com o relatório, contudo, a avaliação da Coruripe pode passar de negativa para estável se a empresa conseguir prolongar os vencimentos da dívida, melhorando o colchão de liquidez.
O aumento dos preços do açúcar e a recuperação dos níveis de moagem da usina podem gerar um fluxo de caixa mais robusto que será usado na quitação dos débitos. Neste cenário mais positivo, a empresa teria um índice de dívida sobre o Ebitda abaixo de 2,5%, um FFO sobre a dívida perto dos 30% e um FOCF sobre dívida acima de 5%.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana