Mesmo com o resultado positivo obtido no terceiro trimestre deste ano safra e uma perspectiva melhor no setor sucroenergético, a Raízen Energia acabou tendo sua nota rebaixada pela S&P
Mesmo com o resultado positivo obtido no terceiro trimestre deste ano safra – lucro líquido de R$ 576 milhões – e uma perspectiva melhor no setor sucroenergético, a Raízen Energia acabou tendo sua nota rebaixada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P).
O anúncio aconteceu ao mesmo tempo em que a agência rebaixou novamente a nota de crédito soberano do Brasil. Junto com a classificação do país, que passou de BB+ para BB, a nota de outras 35 empresas – incluindo 17 bancos — também caíram. A Raízen Energia, no entanto, foi a única empresa do setor sucroenergético na relação de rebaixamentos.
No ano passado, período marcado por uma série de rebaixamentos, a empresa havia conseguido manter sua classificação estável, ainda que com perspectiva negativa. Agora, a S&P decidiu concretizar essa diminuição e apresentou sua opinião.
Mesmo com o resultado positivo obtido no terceiro trimestre deste ano safra – lucro líquido de R$ 576 milhões – e uma perspectiva melhor no setor sucroenergético, a Raízen Energia acabou tendo sua nota rebaixada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P).
O anúncio aconteceu ao mesmo tempo em que a agência rebaixou novamente a nota de crédito soberano do Brasil. Junto com a classificação do país, que passou de BB+ para BB, a nota de outras 35 empresas – incluindo 17 bancos — também caíram.
No setor sucroenergético, a única empresa rebaixada em nível global foi a Raízen Energia, que passou de BBB para BBB- e manteve uma perspectiva de crédito negativa. Essa é a primeira mudança no rating da companhia desde julho de 2012.
Mesmo no ano passado, período marcado por uma série de rebaixamentos, a empresa havia conseguido manter sua classificação estável aos olhos da S&P. Em comunicado enviado no final de maio do ano passado, a agência alegou que a reafirmação dos ratings refletia a percepção de que a Raízen continuaria gerando sólido fluxo de caixa “mesmo em face dos atuais fundamentos fracos para a economia brasileira e para a indústria de cana-de-açúcar”.
Em setembro, no entanto, a S&P optou por mudar a perspectiva de crédito da companhia, que passou de estável para negativa, o que já indicava a possibilidade de uma queda no futuro. Agora, a S&P decidiu concretizar essa diminuição e apresentou suas justificativas.
A atual análise, que reduziu o rating da Raízen, sugere que o rebaixamento da nota do Brasil foi o parâmetro de comparação utilizado. Já em relação aos negócios da maior sucroalcooleira do país, a S&P fez questão de ressaltar melhoras nas perspectivas da empresa dentro da realidade nacional.
Além de manter o rating local em AAA, a agência mudou a perspectiva de crédito de negativa para estável. A percepção da agência é positiva em relação aos negócios de exportação de açúcar da Raízen e sobre as operações de crédito realizadas fora do país.
A sucroalcooleira, segundo a S&P, faz parte de um grupo de companhias altamente exposto à economia brasileira, mas que possuem um poder financeiro superior decorrente de caixas mais robustos, da posse de ativos fora do país ou por serem orientadas para a exportação.
“Dependendo de suas forças individuais, essas companhias podem ter uma classificação superior à nota soberana do país em um ou dois níveis”, afirma e complementa: “As classificações dessas companhias também foram impactadas negativamente, mas elas ainda permanecem superiores a [nota] do Brasil”. A São Martinho também faz parte deste grupo, segundo a S&P.
São Martinho
A S&P optou por manter a classificação da São Martinho estável em BB+. Este nível é um abaixo do rating da Raízen e um acima do rating brasileiro. “As exportações de açúcar [da São Martinho] atuaram como um amortizador contra a fraca economia doméstica”, aponta o comunicado da S&P. Nacionalmente, o rating da companhia é AA+.
Essa decisão não surpreende, uma vez que a empresa teve seu desempenho classificado como ‘acima da média’ em outubro do ano passado. “Acreditamos que a São Martinho poderia sobreviver a um cenário de default soberano hipotético por causa de seu fluxo de receitas derivado de exportações, dos seus níveis de liquidez adequados e da sua exposição limitada ao risco cambial”, afirmou a agência na ocasião.
No balanço financeiro referente ao terceiro trimestre da safra, a São Martinho reportou um lucro líquido de R$ 76,02 milhões. O montante representa crescimento de 42% ante os R$ 53,54 milhões registrados em igual período da temporada 2014/15.
Outras companhias
Entre as empresas brasileiras que tiveram rating rebaixado em escala global estão: Ambev, Ampla Energia e Serviços, Escelsa, Comgás, Eletrobras, Eletropaulo, Globo Comunicação e Participações, Localiza Rent a Car, MRS Logística, Multiplan Empreendimentos Imobiliários, Neoenergia, Odebrecht Engenharia e Construção, Petrobras, Grupo RBS, Taesa, Ultrapar, Votorantim S.A. e Votorantim Cimentos.
Entre elas, nove atuam diretamente no setor energético. Além disso, a Odebrecht Engenharia e Construção faz parte do mesmo conglomerado que a Odebrecht Agroindustrial, que atua na indústria sucroenergética.
Com relação a Petrobras, a nota caiu em dois degraus, de BB para B+, com classificação de crédito negativa. A S&P ainda afirmou que a classificação poderia ser ainda menor, mas a agência acredita que o governo federal ajudaria a empresa em caso de calote.
Já as instituições financeiras que tiveram rating rebaixado foram: Banco ABC, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco Safra, Banco Santander, Banco Votorantim, Banrisul, BDMG, BNDES, BNDESPar, Bradesco, BTG Pactual, Caixa Econômica Federal, Citibank, Daycoval, HSBC e Itaú Unibanco.
Renata Bossle – NovaCana