Perspectivas de geração de caixa, alavancagem e novos investimentos contribuem para melhora na classificação
O grupo São Martinho teve seu rating de crédito elevado pela S&P Global Ratings, conforme relatório lançado em 23 de outubro. Na escala nacional, a nota foi de BB+ para BBB-, enquanto na global, ela foi reafirmada em brAAA, ambas com perspectiva estável.
Segundo a S&P, a elevação reflete a capacidade da empresa de ter uma geração de fluxo de caixa operacional livre (FOCF) “consistentemente positivo”, além de baixa alavancagem sustentada nos últimos anos, “com provada resiliência mesmo diante de uma desaceleração da indústria”.
Além disso, conforme o documento, a elevação do rating também é um reflexo das políticas financeiras conservadoras da administração do grupo e do compromisso em manter a dívida baixa. Ainda assim, a São Martinho está investindo em projetos: “Eles devem melhorar ainda mais a rentabilidade e a resiliência de negócio da companhia no longo prazo”.
Segundo o relatório, estes projetos envolvem um Centro de Operações Agrícolas (COA), mudas pré-brotadas, meiosi e expansão da cogeração. Recentemente, o grupo vendeu 177 GWh no leilão A-6, em um contrato com prazo de 25 anos, exigindo investimentos de R$ 320 milhões – o processo deve adicionar entre R$ 20 milhões a R$ 30 milhões ao seu Ebitda anual a partir de 2023.
De acordo com a S&P, a capacidade do grupo para investir em projetos de longo prazo, melhorando as margens, existe porque há uma liquidez confortável e forte flexibilidade financeira.
Outro projeto previsto é a construção de uma planta de etanol de milho anexa à usina Boa Vista, em Goiás. Para isso, o investimento necessário é de aproximadamente R$ 350 milhões. A estimativa produtiva é de 200 milhões de litros de etanol de milho por ano, ou 20% da atual produção do grupo.
“Projetamos que essa planta será capaz de gerar receitas anuais entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões, com um Ebitda em torno de R$ 140 milhões e R$ 180 milhões”, explica o documento.
Confira, na versão completa, os detalhes sobre a situação financeira do grupo sucroenergético, seus investimentos e os motivos que levaram à elevação da nota.
O grupo São Martinho teve seu rating de crédito elevado pela S&P Global Ratings, conforme relatório lançado em 23 de outubro. Na escala nacional, a nota foi de BB+ para BBB-, enquanto na global, ela foi reafirmada em brAAA, ambas com perspectiva estável.
Segundo a S&P, a elevação reflete a capacidade da empresa de ter uma geração de fluxo de caixa operacional livre (FOCF) “consistentemente positivo”, além de baixa alavancagem sustentada nos últimos anos, “com provada resiliência mesmo diante de uma desaceleração da indústria”.
Além disso, conforme o documento, a elevação do rating também é um reflexo das políticas financeiras conservadoras da administração do grupo e do compromisso em manter a dívida baixa. Ainda assim, a São Martinho está investindo em projetos: “Eles devem melhorar ainda mais a rentabilidade e a resiliência de negócio da companhia no longo prazo”.
Segundo o relatório, estes projetos envolvem um Centro de Operações Agrícolas (COA), mudas pré-brotadas, meiosi e expansão da cogeração. Recentemente, o grupo vendeu 177 GWh no leilão A-6, em um contrato com prazo de 25 anos, exigindo investimentos de R$ 320 milhões – o processo deve adicionar entre R$ 20 milhões a R$ 30 milhões ao seu Ebitda anual a partir de 2023.
De acordo com a S&P, a capacidade do grupo para investir em projetos de longo prazo, melhorando as margens, existe porque há uma liquidez confortável e forte flexibilidade financeira.
Outro projeto previsto é a construção de uma planta de etanol de milho anexa à usina Boa Vista, em Goiás. Para isso, o investimento necessário é de aproximadamente R$ 350 milhões. A estimativa produtiva é de 200 milhões de litros de etanol de milho por ano, ou 20% da atual produção do grupo.
“Projetamos que essa planta será capaz de gerar receitas anuais entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões, com um Ebitda em torno de R$ 140 milhões e R$ 180 milhões”, explica o documento.
Porém, esta nova planta não foi incluída nas projeções da S&P, já que a construção ainda carece de confirmações de benefício fiscal e aprovação final dos acionistas. Além disso, a agência de classificação de risco não enxerga que ela teria impacto significativo nas métricas de crédito do grupo durante a fase de investimento, que é de cerca de dois anos e meio.
Atualmente, a São Martinho é uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do Brasil, com quatro usinas e capacidade de moer cerca de 24 milhões de toneladas por ano, além de produzir em torno de 1GWh de energia por safra.
Em 2018/19, as usinas do grupo produziram cerca de um milhão de toneladas de açúcar e 1,1 bilhão de litros de etanol. A produção de adoçante é primordialmente destinada à exportação e a do biocombustível, à demanda local.
Bons indicadores
A S&P enxerga que a dívida sobre o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da São Martinho deve permanecer consistentemente abaixo de duas vezes, posição reforçada pelo índice de alavancagem.
Mesmo com baixos preços do açúcar e condições climáticas que provocaram queda na moagem em 2019, o grupo conseguiu um FOCF de cerca de R$ 415 milhões. Com isso, o fluxo de caixa proveniente das operações (FFO) sobre a dívida ficou acima de 45% e o FOCF sobre a dívida, em torno de 14%.
Ainda que os índices de FOCF sobre a dívida e de cobertura de juros tenham sido menores do que a S&P esperava, os baixos custos da dívida e um futuro aumento na moagem devem resultar em cobertura de juros pelo Ebitda acima de sete vezes e FOCF sobre dívida superior a 12% a partir do ano fiscal de 2021, desde que não haja outro grande investimento.
Outros fatores que sustentam a boa posição da São Martinho no setor é eficiência operacional “sólida” e custos de caixa de produção “muito competitivos”. Segundo a S&P, os canaviais da sucroenergética têm uma idade média estendida, mas com elevada produtividade agrícola, o que reduz os investimentos por tonelada de cana moída.
A favor do grupo ainda há a economia da escala na sua maior usina, a logística tica como eficiente e a localização das unidades. Além disso, a São Martinho também consegue flexibilizar a produção com facilidade, otimizando o etanol em até 60% da produção. “Estes fatores, a estratégia de hedge adequada e a capacidade para combinar escala com custos de caixa competitivos levam a um fluxo de caixa potencial significativo”, expressa o relatório.
A S&P ainda considera que a perspectiva do rating de crédito da usina é estável, dado o “sólido desempenho operacional” do grupo e os contínuos investimentos em canaviais e em novas tecnologias. Com isso, a expectativa é uma melhoria na geração de Ebitda, atenuando a volatilidade do setor. Ao mesmo tempo, isso também significa que não são esperadas novas elevações ou rebaixamentos em breve.
A expectativa da S&P é que a companhia mantenha o índice da dívida sobre o Ebitda entre 1,5 e 2 vezes em 2020 e abaixo das 1,5 vezes nos próximos anos. “Projetamos que a geração de FOCF será perto de R$ 340 milhões nos anos fiscais de 2020 e 2021, sustentando FOCF sobre dívida entre 10% e 15%, apesar de algum aumento no capex”, explica o relatório.
Liquidez adequada
A S&P considera a liquidez da São Martinho adequada, com uma relação entre fontes e usos do caixa de 1,4 vez no próximo ano. A agência de classificação de risco também acredita que ela se manteria positiva ainda que o Ebitda baixasse 30%.
Por sua vez, o vencimento das dívidas é considerado “administrável”, pois a São Martinho possui um nível baixo a curto prazo, relacionado a financiamentos à exportação, que normalmente são renovados automaticamente.
Além disso, a geração de caixa esperada pela S&P é forte, melhorando a liquidez. “Entendemos que a empresa tem uma administração de risco prudente e um sólido relacionamento com bancos, o que também suporta nossa avaliação de liquidez”, detalha o documento.
As principais fontes de liquidez do grupo são a posição de caixa de R$ 2,1 bilhões em junho deste ano e FFO estimado em R$ 1,7 bilhão no próximo ano. Quanto aos usos da liquidez, são registradas dívidas de R$ 1 bilhão a curto prazo, em junho de 2019, e saídas de capital de giro de R$ 14 milhões no próximo ano.
O relatório também cita necessidades sazonais de capital de giro de R$ 300 milhões; capex total de R$ 1,35 bilhão nos próximos 12 meses e pagamento de dividendos de cerca de R$ 110 milhões no mesmo prazo.
Cenários de rebaixamento e elevação
Em seu relatório, a S&P também traça sinais de elevação ou rebaixamento da nota das empresas. Conforme o documento, a classificação da São Martinho poderia sofrer reduções caso ocorressem condições climáticas adversas ou severas, que derrubassem os preços do etanol em meio a preços já fracos do açúcar. Tal fator teria capacidade de enfraquecer a geração de caixa da empresa, impactando na liquidez e no crédito.
Além das variações no clima, os impactos na liquidez e no crédito da São Martinho podem vir “de uma mudança na política de preços da Petrobras, afetando a rentabilidade do etanol”, detalha o relatório. Neste cenário, a dívida ajustada sobre o Ebitda poderia chegar a três vezes e o FFO, a 30%.
Outro ponto que levaria a um rebaixamento seria uma piora da posição de liquidez da empresa, devido ao “descasamento significativo de moeda ou altas exigências de capital de giro”.
Já em relação à elevação da nota, a S&P acredita ser improvável, pois o grupo está perto do limite máximo de degraus que se pode ter acima do rating soberano do país. O fortalecimento do perfil de crédito individual não deve ocorrer nos próximos dois anos, especialmente porque a São Martinho não tem escala ou diversificação geográfica e de produtos quando comparada a outras empresas com ratings mais elevados.
“No entanto, isso poderia ocorrer se a companhia continuasse investindo no crescimento de seu negócio e, ao mesmo tempo, sustentando a dívida sobre Ebitda e o FFO sobre dívida consistentemente abaixo de 1,5 vezes e acima de 60%, respectivamente, além de FOCF sobre dívida superior a 25%”, detalha o relatório.
Gabrielle Rumor Koster e Rafaella Coury – NovaCana