Para projetar uma perspectiva para as próximas duas safras, foram feitas apostas para o cenário econômico nacional e para o setor sucroenergético. A análise termina com os fatores que podem fazer a S&P rebaixar ou elevar os ratings da Raízen no curto prazo
A agência de classificação de riscos Standard & Poor’s (S&P) reafirmou os ratings BBB na escala global e brAAA na escala nacional da Raízen Combustíveis e da Raízen Energia, o braço sucroalcooleiro da joint venture entre a Cosan e a Shell.
A agência atualizou sua análise da situação da Raízen destacando alguns detalhes financeiros e de penetração no mercado. Para projetar uma perspectiva para as próximas duas safras, foram feitas apostas para o cenário econômico nacional e para o setor sucroenergético. A análise termina com os fatores que podem fazer a S&P rebaixar ou elevar os ratings da Raízen no curto prazo.
Veja estes detalhes abaixo.
A agência de classificação de riscos Standard & Poor’s (S&P) reafirmou os ratings BBB na escala global e brAAA na escala nacional da Raízen Combustíveis e da Raízen Energia, o braço sucroalcooleiro da joint venture entre a Cosan e a Shell. A perspectiva é estável.
Em comunicado enviado no final de maio, a S&P informou que a reafirmação dos ratings reflete a visão da agência de que a Raízen continuará gerando sólido fluxo de caixa “mesmo em face dos atuais fundamentos fracos para a economia brasileira e para a indústria de cana-de-açúcar”.
“A empresa continuou expandindo sua operação de distribuição de combustíveis realizando pequenas aquisições e ampliando volumes com a conversão de postos de combustíveis ‘bandeira branca’ para a sua forte marca ‘Shell’. Além disso, a empresa tem se focado no aumento da eficiência operacional de suas operações de cana-de-açúcar”, disse o comunicado.
Este incremento na eficiência tem se dado, segundo a S&P, em basicamente duas frentes: o fechamento da unidade Bom Retiro, na região de Capivari, e a “renovação contínua” dos canaviais para “compensar os baixos preços globais do açúcar e atenuar a queda nos níveis produtividade provocados pela seca”.
“A Raízen se beneficia de seu negócio diversificado, o qual combina a produção de açúcar e etanol, mais volátil e com margens mais altas, com o altamente previsível, porém de margem mais baixa, negócio de distribuição de combustíveis e com os fluxos de caixa estáveis da cogeração de energia”, avaliou a agência ao justificar a reafirmação dos ratings da companhia.
As perspectivas para a cogeração de energia, que representa uma pequena parte do fluxo de caixa da companhia e que é estimado pela Fitch em 6,4%, tende, juntamente com o etanol de segunda geração, a “gerar fluxos de caixa estáveis”.
“A Raízen tem mantido métricas de alavancagem relativamente estáveis no exercício fiscal de 2015, com a dívida sobre EBITDA em 1,9 vez e a geração interna de caixa (FFO, em inglês) sobre dívida acima de 40% em função de sua forte geração de fluxo de caixa, apesar das variações cambiais que elevaram sua dívida denominada em dólar”, analisou a agência de classificação de riscos.
Previsões para as próximas duas safras
No relatório divulgado ao mercado na última sexta-feira (29), a S&P fez projeções quanto as métricas financeiras da companhia. Para tanto, foram adotadas uma série de premissas no cenário econômico e no âmbito operacional da companhia.
Embora não tenha cravado um percentual, a S&P projetou “elevação no volume de combustíveis do ciclo Otto, o que é compensado pelo menor volume de diesel e de combustível para aviação, refletindo a contração do PIB”, saídas de capital de giro da Raízen de R$ 60 milhões, “atingindo níveis de pico de R$ 2 bilhões intra-ano” e distribuição de dividendos anuais de R$ 1,5 bilhão “nos próximos anos”.
As apostas da S&P para os próximos dois anos
Cenário econômico
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2015 |
2016 |
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PIB |
-1% |
2% |
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Taxa de câmbio |
R$ 3,10 |
R$ 3,20 |
Setor sucroalcooleiro
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2015/16 |
2016/17 |
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Preços médios do açúcar |
14 cents/libra peso |
Aumento marginal neste e nos próximos anos |
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Preços do etanol |
Limitados aos preços da gasolina. Preços estáveis |
Limitados aos preços da gasolina. Preços estáveis |
Raízen
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2015/16 |
2016/17 |
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Moagem |
59 milhões de toneladas. Resultado será reflexo da produtividade agrícola “ligeiramente” mais alta em SP |
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Investimentos (Capex) |
R$ 2,6 bilhões, dos quais R$ 1,8 bilhão destina-se à Raízen Energia e R$ 800 milhões à Raízen Combustíveis |
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Métricas financeiras
Com base nestes cenários, a S&P espera um crescimento da receita em torno de 3% na safra de 2015/2016 e 4% na de 2016/2017 e margem EBITDA acima de 8% em bases consolidadas. A relação dívida sobre EBITDA deverá ficar abaixo de 2 vezes, enquanto a geração interna de caixa (FFO_ sobre dívida ficará entre 45%-50% nos próximos anos. Já o fluxo de caixa operacional livre (FOCF, na sigla em inglês) deverá ficar “perto de R$ 2 bilhões no exercício fiscal de 2015 e nos anos posteriores”.
Liquidez
A liquidez da Raízen é vista como “adequada”. “Esperamos que as fontes de caixa excedam os usos em mais de 1,2 vez nos próximos 12 meses. Esse colchão reflete a forte posição de caixa e geração de fluxo de caixa da empresa, seu perfil de vencimento de dívida de longo prazo, seu acesso favorável aos mercados de crédito e de capitais e as linhas de crédito comprometidas e não sacadas de U$ 785 milhões. Além disso, a empresa não tem nenhuma cláusula contratual restritiva (covenants) em seus acordos de dívida”, argumentou a agência.
Perspectiva
Já a perspectiva estável reflete as expectativas da S&P de que a Raízen manterá uma dívida sobre EBITDA abaixo de 2,5 vezes, FFO sobre dívida acima de 40% em bases consistentes, e forte geração de FOCF, “mesmo se o preço do açúcar continuar caindo”.
Isso se deve “graças aos seus fluxos de caixa crescentes e altamente previsíveis derivados de seus negócios de cogeração e distribuição de combustíveis”.
“Também esperamos que a empresa mantenha suas políticas financeiras conservadoras, incluindo liquidez ‘adequada’ para passar no teste de estresse do soberano, apesar do potencial aumento na distribuição de dividendos, à medida que aumenta seu FOCF”.
Sensibilidades
Os ratings da Raízen poderão ser rebaixados se a empresa adotar uma estratégia de dividendos ou de aquisições “mais agressiva” diante da fraca produtividade e de preços mais baixos do açúcar, o que, segundo a S&P, poderia “levar a uma dívida sobre EBITDA acima de 3,5 vezes, FFO sobre dívida abaixo de 30% de forma consistente e FOCF negativo”.
“Essas métricas e uma liquidez mais fraca não sustentariam um rating acima do rating do soberano”, disse.
Já a elevação das notas de crédito ocorreria se a Raízen aumentar seu índice de FOCF sobre dívida acima de 25%, em função de maior utilização da capacidade de suas usinas e maiores preços em reais para açúcar e etanol, somados a redução no capex e liquidez ‘adequada’.
Leonardo Siqueira – NovaCana